sexta-feira, 30 de setembro de 2016

Porque é que os média diabolizam Trump

O texto seguinte são dois artigos do blogue Amigo de Israel que eu decidi trazer para cá juntando-os numa só posta:


As 7 propostas de Donald Trump que os grandes média escondem da população 

Ainda há poucas semanas - a pouco mais de dois meses da eleição presidencial de 8 de Novembro próximo nos Estados Unidos - todas as sondagens davam Hillary Clinton, a candidata do Partido Democrata, como vencedora. Parecia óbvio que, apesar dos preconceitos chauvinistas, Clinton seria a primeira mulher a ocupar o Salão Oval da Casa Branca e a segurar as rédeas da maior potência do nosso tempo. 

O que aconteceu com o candidato republicano, o mediático Donald Trump, para quem se previa um sucesso "irresistível"? Porque é que ele caiu nas intenções de voto? Sete em cada dez americanos declararam não o querer como presidente; e apenas 43% o acharam "qualificado" para a corrida à Casa Branca (65% consideravam, no entanto, que a senhora Clinton é perfeitamente apta para executar essa tarefa). Lembramos que nos Estados Unidos, as eleições presidenciais não são nem nacionais nem directas. Trata-se de 50 eleições locais, uma por Estado, que designam os 538 eleitores responsáveis por eleger, a seu turno, o (ou a) Chefe de Estado. O que relativiza singularmente as sondagens a nível nacional. 

Diante de tais maus resultados, no entanto, o candidato republicano Donald Trump decidiu em Agosto passado reformular a sua equipa, e nomeou um novo director de campanha, Steve Bannon, ultraconservador e director do Breitbart News Network. Trump também mudou o seu discurso para se dirigir a dois grupos críticos de eleitores: os afro-americanos e os hispânicos. Conseguirá ele inverter a tendência e vencer na recta final da campanha? Não é impossível. Na verdade, Trump já parece ter, em parte, recuperado o seu atraso em relação à senhora Clinton. 

Personagem atípica, com propostas odiosas, grotescas ou sensacionalistas, Trump conseguiu já inverter as chances. Confrontado com pesos pesados como Jeb Bush, Ted Cruz e Marco Rubio, que contavam com o apoio de todo o establishment republicano, poucos analistas davam Trump como possível vencedor das primárias do Partido Republicano. E, no entanto, ele esmagou os seus oponentes, reduzindo-os a cinzas. 

Após a devastadora crise de 2008 (de que ainda não saímos), nada será como dantes em nenhum lugar. Os cidadãos estão profundamente desapontados, desiludidos e desorientados. A própria democracia, como modelo, perdeu muito do seu apelo e credibilidade. Todos os sistemas políticos foram abalados até às raízes. 

Na Europa, por exemplo, os terramotos eleitorais inéditos sucedem-se, desde a vitória da extrema-direita na Áustria até ao Brexit inglês ou à recente derrota da chanceler alemã, Angela Merkel, na sua Mecklenburg-Vorpommern

Mas a agitação não se limita à Europa. Basta olhar para a esmagadora vitória eleitoral em Maio, do inclassificável e estrondoso Rodrigo Duterte nas Filipinas... Todos os grandes partidos tradicionais estão em crise. Estamos a testemunhar em toda parte a subida das forças de ruptura, sejam os partidos de extrema-direita (Áustria, países nórdicos, Alemanha, França) ou os partidos populistas e anti-sistema (Itália e Espanha). 

Em toda a parte, a paisagem política está a mudar radicalmente. Esta metamorfose chegou agora aos Estados Unidos, um país que já experimentou, em 2010, um populismo devastador, consubstanciado no momento pelo Tea Party. O surgimento do bilionário Donald Trump na corrida para a Casa Branca continua essa onda e é uma revolução eleitoral que ninguém tinha sido capaz de prever. Embora, aparentemente, a velha bicefalia entre democratas e republicanos se mantenha, a ascensão de um candidato tão atípico quanto Trump é um verdadeiro terramoto. 

O seu estilo directo, populista, e a sua mensagem maniqueísta e reducionista, buscando os mais baixos instintos de certas categorias sociais, está muito longe do tom habitual dos políticos americanos. Aos olhos dos mais decepcionados da sociedade, o seu discurso autoritário e identitário tem um carácter inaugural quase pioneiro. Um grande número de eleitores está realmente muito irritado com o "politicamente correcto"; e acredita que não podemos dizer o que pensamos, por medo de sermos acusados de "racistas". Acham que Trump diz em voz alta o que eles pensam. E acolhem as "palavras livres" de Trump sobre os hispânicos, os afro-americanos, os imigrantes e os muçulmanos com alívio. 

A este respeito, o candidato republicano tem sido capaz de interpretar, melhor que ninguém, o que pode ser chamado uma "rebelião das bases". Antes de qualquer outra pessoa, ele percebeu a divisão poderosa que agora separa, por um lado, as elites políticas, económicas, intelectuais e os meios de comunicação; e, por outro lado, a base popular dos eleitores americanos conservadores. O seu discurso anti-Washington, anti-anti-Wall Street, anti-imigração e anti-média, é particularmente atractivo para os eleitores brancos sem instrução, mas também - e isto é muito importante - para todos os que foram deixados para trás à conta a globalização económica. 

A mensagem de Trump difere da dos líderes neofascistas europeus. Ele não é um ultra-direitista convencional. Ele define-se como um "conservador com senso comum". No espectro da política tradicional, ele situar-se-ia à direita da direita. Líder de negócios bilionários e estrela popular de reality-shows, Trump não é nem um militante anti-sistema, nem, é claro, um revolucionário. Ele não critica o modelo político em si, mas sim os funcionários que gerem esse modelo. 

O seu discurso é emocional e espontâneo. Ele apela aos instintos, "à coragem", não à reflexão ou à razão. Dirige-se a essa porção do eleitorado americano tomado pelo desânimo e pelo descontentamento, às pessoas cansadas do antigo sistema político, dos "privilegiados", da "casta". 

A todos aqueles que estão a protestar e a gritar "Fora com eles!" ou "São todos corruptos!", Trump promete injectar honestidade no sistema e renovar os costumes pessoais e políticos. 


- Por Ignacio Ramonet via EUROPE-ISRAEL.


As 7 propostas de Donald Trump que os grandes média escondem da população 

Os principais meios de comunicação publicaram algumas das declarações e propostas de Trump. Especialmente as mais vis e odiosas. Lembremos, a esse respeito, por exemplo, as suas declarações sobre os imigrantes mexicanos ilegais, que seriam, segundo ele, "corruptos, criminosos e violadores". Ou o seu plano para deportar cerca de 11 milhões de imigrantes ilegais latinos à força e enviando-os de autocarro para o México. Ou a proposta, inspirado pela série "Game of Thrones", de construir um grande muro ao longo da fronteira de 3145 km com o México, ao longo de vales, montanhas e desertos, para impedir a chegada de migrantes latinos e cujo financiamento (biliões de dólares) seria da responsabilidade do governo mexicano. 

Na mesma linha, anunciou planos para proibir a entrada de todos os migrantes muçulmanos, e foi veementemente atacado pelos pais de um soldado norte-americano muçulmano, Humayun Khan, morto em acção no Iraque, em 2004 . Também disse que o casamento tradicional formado por um homem e uma mulher é "a base de uma sociedade livre" e criticou a decisão do Supremo Tribunal de Justiça de reconhecer o casamento entre pessoas do mesmo sexo como um direito constitucional. Trump apoia as chamadas "leis de liberdade religiosa", promovidas pelos conservadores em vários Estados, que permite negar serviços a pessoas LGBT. Não devemos esquecer também as suas declarações sobre a "mentira" da mudança climática que, segundo ele, é um conceito "inventado pelos chineses para causar a perda de competitividade do sector industrial dos EUA". 

Um tal catálogo de absurdo e ódio foi difundido pelos meios de comunicação, não só nos EUA, mas em todo o mundo. A ponto de se querer saber como é que uma personagem com tais ideias miseráveis ​​pode conhecer um sucesso tão grande entre os eleitores americanos, obviamente, nem todos sem cérebro? Algo não encaixa. Para resolver este enigma, temos de quebrar a parede da informação e analisar mais a fundo o programa completo do candidato republicano. 

Descobrimos sete opções básicas que ele defende, e que os principais meios de comunicação rotineiramente omitem.
  1. Em primeiro lugar, os jornalistas não perdoam os seus ataques frontais contra o poder dos média. Eles acusam-no de incentivar as audiências a vaiarem os meios de comunicação "desonestos". Trump muitas vezes diz: "Eu não estou a competir com Hillary Clinton, mas com os meios de comunicação corruptos". Recentemente, Trump twittou: "Se os meios de comunicação, repugnantes e corruptos, fizessem uma cobertura honesta da minha campanha, sem erros de interpretação, eu já estaria à frente de Hillary em 20%". Ele não hesitou em proibir o acesso de vários grandes órgãos de informação às suas reuniões de campanha. Foi caso do The Washington Post, do Politico, do Huffington Post e do BuzzFeed. Ele até se atreveu a atacar a Fox News, a grande cadeia da direita panfletária, que o apoia. 
  2. Outra causa de ataques dos média contra Trump: a denúncia da globalização económica, responsável pela destruição da classe média. Segundo ele, a economia globalizada é uma calamidade, e o número de vítimas continua a crescer. Ele lembrou que mais de 60.000 fábricas fecharam nos últimos quinze anos, nos Estados Unidos, e cerca de cinco milhões de empregos na indústria foram destruídos.
  3. Trump é um forte proteccionista. Propõe-se a aumentar os impostos sobre todos os produtos importados. E está disposto, se chegar ao poder, a estabelecer direitos aduaneiros de 40% sobre produtos chineses. "Vamos recuperar o controlo do país e vamos garantir que os Estados Unidos voltem a ser um grande país", diz ele muitas vezes repetindo o seu slogan de campanha. Apoiante do Brexit, ele disse que, se eleito, os Estados Unidos abandonarão o Acordo de Livre Comércio da América do Norte (NAFTA). Ele também atacou o Tratado Trans-Pacífico (TPP), e confirmou que, uma vez eleito, retirará os Estados Unidos do acordo: "O TPP seria um golpe mortal para as indústrias dos Estados Unidos". Obviamente, se eleito, ele também interromperá as negociações em curso com a União Europeia. E vai ainda mais longe: "Vamos renegociar ou sair da Organização Mundial do Comércio (OMC). Estes acordos de comércio são um desastre", repetiu. Em regiões como o Rust Belt, o "cinturão de ferrugem" do Nordeste, onde as deslocalizações e encerramentos de fábricas fizeram explodir o desemprego e a pobreza generalizada, estas observações são recebidos com entusiasmo e fazem renascer toda a esperança.
  4. Outra opção de que os meios de comunicação falam pouco: a sua rejeição dos cortes neoliberais na Segurança Social. Muitos eleitores republicanos atingidos pela crise económica, e os cidadãos com mais de 65 anos, exigem Segurança Social (pensões) e Medicare (seguro de saúde), criados pelo presidente Barack Obama, que outros líderes republicanos querem excluir. Trump prometeu não cancelar esses avanços sociais. E também prometeu reduzir os preços dos medicamentos, combater a fuga ao fisco, reformar a tributação dos pequenos contribuintes, e remover um imposto federal que afecta 73 milhões de famílias de baixos rendimentos.
  5. Denunciando a arrogância da Wall Street, Trump também propõe aumentar significativamente os impostos para os comerciantes especializados em "hedge funds" (fundos especulativos), que ganham fortunas. Ele promete restaurar a lei Glass-Steagall (aprovada em 1933 durante a Depressão e revogada em 1999 por Clinton), que separava a banca tradicional da banca de investimentos, para evitar que a última possa comprometer as poupanças das pessoas comuns pelos investidores de alto risco. Obviamente que todo o sector financeiro está contra a Trump e se opõe a reforma da presente lei.
  6. Em matéria de política internacional, Trump tem-se empenhado para encontrar entendimentos tanto com a Rússia como com a China. Trump quer nomeadamente assinar uma aliança com Vladimir Putin da Rússia para combater eficazmente o Estado Islâmico (Daesh), mesmo se para tal Washington tenha que aceitar a anexação da Crimeia por Moscovo.
  7. Por último, Trump acredita que, com a sua enorme dívida soberana, a América não tem recursos para uma política externa intervencionista em todas as direcções. O país já deixou de ter vocação para garantir a paz a qualquer preço. Ao contrário de muitos líderes do seu partido, e aprendendo com o fim da Guerra Fria, ele quer mudar a NATO: "Já não haverá - diz ele - uma garantia automática de protecção dos Estados membros da NATO por parte dos Estados Unidos".
Estas sete propostas não apagam certas declarações odiosas e inaceitáveis do candidato republicano, difundidas com alarido pelos principais meios de comunicação, mas provavelmente explicam um pouco melhor as razões para o seu sucesso entre os grandes sectores do eleitorado americano. 

Será que o ajudarão a ganhar? Não podemos afirmar, mas é certo que os três duelos televisionados que terá com Hillary Clinton, vão ser formidáveis para o candidato democrata. Os estrategas militares sabem isso muito bem: num confronto entre o forte e o louco, pela sua imprevisibilidade e irracionalidade, o louco muitas vezes prevalece. 

Em 1980, a inesperada vitória de Ronald Reagan na eleição para a presidência dos Estados Unidos fez entrar o mundo num ciclo de quarenta anos de neoliberalismo e globalização da economia. Uma possível vitória de Donald Trump a 8 de Novembro poderá desta vez fazer entrar o mundo num novo ciclo de geopolítica, cuja principal característica ideológica, que vamos vendo surgir em toda a parte e especialmente em França, será o autoritarismo identitário. 


- Por Ignacio Ramonet via EUROPE-ISRAEL


Pequeno comentário nosso: se bem que a nossa opinião de nada interesse, assinalamos que o nosso candidato preferido sempre foi Ted Cruz; no entanto, vemos em Donald Trump, a última esperança para o Mundo Livre, pela posição que pode vir a ocupar, e pela catástrofe que seria ter a senhora Clinton no poder (financiada como é, por terroristas islâmicos, e fiel seguidora das políticas do terrorista Obama). 

Também não concordamos com certas considerações do autor deste texto, por exemplo quando ele diz que, para Trump, todos os imigrantes são criminosos. Não só não é isso que ele diz, como os Estados Unidos têm o direito de deixar entrar quem considerem bem-vindo, e vetar a entrada a quem considerem indesejável. Os ataques terroristas diários cometidos por muçulmanos em nome do Islão*, ou a percentagem avassaladora de criminalidade vinda do México demonstram que ele tem toda a razão. 


- No debate de ontem, Trump atacou (e bem!) o "acordo nuclear", que, na prática, deu a bomba atómica ao Irão (que diariamente avisa que a vai usar para destruir Israel e o Ocidente). Hillary ficará para sempre ligada a esse "acordo", como o seu marido ficou ao que permitiu que a Coreia do Norte se tornasse potência nuclear. Um entre muitos episódios lamentáveis do governo de Obama.

4 comentários:

Anónimo disse...

A Hillary vai levar o mundo à terceira guerra mundial.

FireHead disse...

Primeiro é preciso que ela ganhe, o que é altamente provável. E depois logo se verá.

CENSURADO AGAIN disse...

FALSO ELA TEM CARA DE PAU ELE É ABERTAMENTE ANTI LESTE E ANTI OSO ELA NÃO É AQUELA FALSA QUE DESTROI O LESTE COM NATO JOGANDO RAPEFUGIADO NA UE E AINDA LOJINHA DO SOROS NO OSO

FireHead disse...

Tu acreditas que é o Trump que vai ganhar, ó CENSURADO AGAIN? Mas olha que para ti ele é cuck. XD