quarta-feira, 6 de julho de 2016

A Escola de Frankfurt, o marxismo cultural e o politicamente correcto como ferramenta de controlo


A liberdade de ideias e a liberdade de expressá-las sem sofrer censura moral sempre foram ideias correlacionadas e entrelaçadas. Mas ambas já morreram. Mas não morreram agora. A sua morte começou entre os anos 1930 e 1968, quando um grupo de intelectuais e filósofos se uniu para criar uma escola de pensamento que tinha como foco essencial a destruição da civilização ocidental e tudo o que ela representa (inclusive o seu sistema económico baseado no capitalismo) por meio da 'emancipação'.
Max Horkheimer, um filósofo marxista, foi um dos pais fundadores da Escola de Frankfurt, a qual incorporava toda a moderna Teoria Crítica da Sociedade e que, em grande escala, se caracterizava como neomarxista. 
Horkheimer, junto com Jürgen Habermas, Theodor W. Adorno, Herbert Marcuse e Erich Fromm, para citar apenas alguns, criaram a Escola de Frankfurt e o seu Instituto para Pesquisa Social, uma instituição que moldou o pensamento cultural do Ocidente como um todo e da Alemanha em particular. 
De acordo com Horkheimer, a Teoria Crítica tinha o objectivo de "libertar os seres humanos das circunstâncias que os escravizam". Assim sendo, o seu principal objectivo era criar uma plataforma teórica e ideológica para uma revolução cultural. 
Acto contínuo, esse grupo de "filósofos" centrou os seus esforços especificamente na cultura. É a cultura o que forma os fundamentos que modelam a mentalidade e a visão política das pessoas. Alterando-se a cultura, altera-se a mentalidade e a visão política das pessoas. Para alterar a cultura, é imprescindível controlar a linguagem e as ideias. E, para se fazer essa revolução cultural, era imprescindível infiltrar-se nos canais institucionais, particularmente a educação. 
Em suma, a Teoria Crítica é a politização da lógica. Horkheimer, ao declarar que "a lógica não é independente de conteúdo", quis dizer que um argumento é lógico se ele tem o objectivo de destruir as bases culturais tradicionais da civilização ocidental, e é ilógico se ele tem o objectivo de defendê-las. 
Este, obviamente, é o pilar do "politicamente correcto", e explica por que o debate aberto e sem censura é vituperado como sendo algo subversivo e inflamatório. O politicamente correcto despreza o debate aberto porque o vê como um gerador de discórdias e dúvidas, algo que estimula a análise crítica e impede uma uniformidade (e uma hegemonia) intelectual. Em suma, o debate aberto e sem censura evita a predominância do chamado "pensamento de manada", que é o cerne da revolução cultural. 

A Teoria Crítica da Sociedade, a guerra à religião e a descriminalização do crime 

A Escola de Frankfurt alegava que a sua Teoria Crítica da Sociedade era a teoria da verdade. A filosofia ocidental, de São Tomás de Aquino a Kant, passando por Hegel, Fichte, Schellin e Goethe, deveria ser sumariamente descartada e substituída pelas regras próprias e dogmáticas da Escola de Frankfurt, a qual continha todas as directrizes do "pensamento correcto". 
Nas áreas da sociologia e da filosofia política, a Teoria Crítica foi além da interpretação e da compreensão da sociedade; ela esforçou-se para sobrepujar e destruir todas as barreiras que, na sua visão, mantinham a sociedade presa em sistemas de dominação, opressão e dependência. 
Uma das principais e mais controversas discussões diz respeito à animosidade da Escola de Frankfurt em relação à religião e à espiritualidade. Para os frankfurtianos, o Cristianismo representa o ressurgimento institucional da filosofia pagã, e Deus seria uma mera ficção. A religião leva as pessoas a projectarem o seu sofrimento numa entidade divina; ela serve como distracção da miséria causada pelo capitalismo; no seu núcleo, não há nada mais do que a pura imaginação. 
À medida que as teorias darwinistas e freudianas foram desafiando a religião, o marxismo e o neomarxismo ganharam força para contestar a imagem mítica e obscurantista da milenar divindade institucionalizada. Não é Deus, mas sim o homem a entidade mais alta a ser reverenciada. 
A Escola de Frankfurt professa que o homem, na condição de mamífero e sendo um mero produto da natureza, destituído de qualquer espiritualidade, é totalmente limitado na sua existência, sendo conduzido pelos seus mais básicos e primitivos instintos e guiado pelas suas necessidades básicas. Não há espaço para o livre arbítrio, não há capacidade de julgamento crítico e nem há a habilidade de distinguir o certo do errado. Não há presciência e não há racionalização. 
Essa posição tem as suas raízes nas bases marxistas da Escola, uma vez que o marxismo afirma que o homem é um produto da sociedade: a sua mente e o seu espírito são determinados e moldados pelo mundo material. Por causa dessa vulnerabilidade aos factores externos, a mente humana é vista como frágil e manipulável, de modo que, assim sendo, o homem não pode ser responsabilizado pelas suas próprias decisões. 
Essa ideia serviu como base para a "descriminalização do crime", que é uma das teses da Escola de Frankfurt. Segundo Habermas, dado que o homem é um produto da sociedade, é inevitável que ele ceda aos seus impulsos primitivos e às suas tendências criminosas, uma vez que ele foi criado sob o jugo da violência estrutural de um sistema capitalista criminoso. 
A Escola de Frankfurt acreditava que, ao extirpar a humanidade da espiritualidade, e ao destruir os bens materiais — criados pelo capitalismo — que rodeiam os seres humanos, o homem viverá livremente, sem o sentimento de responsabilidade e sem o fardo da sua própria consciência. Os frankfurtianos prometiam liberdade sem o livre arbítrio; preconizavam a emancipação por meio da assimilação intelectual; e garantiam que seria possível haver igualdade sem justiça. 

A importância estratégica da educação controlada pelo Estado 

De acordo com a Escola de Frankfurt, todos os defeitos da humanidade começam com a família. A família é a primeira e primordial entidade moral que encontramos. Essa entidade cria os seus filhos de uma maneira autoritária, a qual gera adultos submissos, obedientes e dependentes. 
Por outras palavras, é a família o que nos prepara e nos programa para aceitar o fascismo. Sendo assim, ao desacreditar-se e destruir o conceito de família, torna-se possível destruir o capitalismo e o fascismo na sua raiz. 
Por causa dessa atitude antagonista em relação à família, combinada com a sua cruzada ideológica contra a espiritualidade, os filósofos de Frankfurt tinham de apresentar uma alternativa para substituir essa instituição antiquada e, com isso, garantir um caminho seguro para o futuro. Acto contínuo, a solução estava em reprogramar a sociedade por meio de uma engenharia social revolucionária, de modo a que todos passassem a comportar-se da maneira esperada pela teoria social da Escola. Todo o comportamento humano deveria tornar-se um mero e previsível acto de reciprocidade. 
Este, por si só, seria o código universal de ética que governaria a utopia frankfurtiana. Para impor e impingir esse código sobre a sociedade, eles propuseram a infiltração seguida da manipulação das instituições, dentre elas, e principalmente, a educação e os média. 
Deter o controlo desses canais institucionais seria a maneira mais eficiente de impor e de promover a sua ética. A educação controlada pela sua ideologia forneceria a chave para a obediência garantida, extirpando toda e qualquer discordância, bem como todo e qualquer potencial de pensamento independente feito pelo indivíduo. 
As repercussões dessa estratégia são óbvias hoje. A educação controlada pelo Estado condicionou as crianças e os adolescentes a, desde cedo, jamais questionar as políticas colectivistas do governo. Aliás, quando estudantes decidem fazer algum acto de rebeldia contra o governo, é justamente para pedir a imposição de ainda mais políticas colectivistas. Trata-se de uma estratégia que obteve um sucesso quase que absoluto. 
Como disse Lew Rockwell, "se toda a propaganda governamental inculcada nas salas de aula conseguir criar raízes dentro das crianças à medida que elas crescem e se tornam adultas, estas crianças não serão nenhuma ameaça ao aparato estatal. Elas mesmas irão prender os grilhões aos seus próprios tornozelos." 

A ascensão do marxismo cultural 

A Escola da Frankfurt criou o dogma de que "liberdade e justiça" são termos dialécticos, o que significa que eles estão em completa oposição um ao outro, num jogo de soma zero, em que "mais liberdade significa menos justiça" e "mais justiça é igual a menos liberdade". Baseado nessa dialéctica, a liberdade era a tese e a justiça era a antítese. 
Essa interessante abordagem dialéctica foi adoptada das ideias e obras de Friedrich Hegel. A Escola de Frankfurt, no entanto, distorceu o núcleo deste conceito e desnaturou a sua lógica consequencial. Em suma, a principal diferença entre as abordagens dialécticas de Hegel e Horkheimer está nas suas respectivas conclusões: Hegel, um idealista, acreditava, assim como Kant, que o espírito cria a matéria, ao passo que, para Horkheimer, um discípulo de Marx e da sua teoria do materialismo, é a matéria o que cria o espírito. 
Marx afirmava que o mundo, a realidade objectiva, podia ser explicado pela sua existência material e pelo seu desenvolvimento, e não pela concretização de uma ideia divina absoluta ou como resultado do pensamento humano racional, que é a postura adoptada pelo idealismo. 
Consequentemente, para a Escola de Frankfurt, colocar limites sobre o mundo material, colocar regras externas e directrizes sobre o ambiente no qual os indivíduos vivem, pensam e operam, seria uma medida que, na visão deles, seria suficiente para moldar a experiência cognitiva dos indivíduos e, com isso, confinar os seus espíritos aos parâmetros "desejados". 
Esse é o ponto-chave que liga a Escola de Frankfurt àquilo que hoje conhecemos como o "politicamente correcto". No cerne do politicamente correcto está a crença de que menos liberdade garante mais justiça e, consequentemente, mais segurança. Este mantra é regurgitado por meio de instituições académicas e discursos políticos, inserido em valores sociais e plantado nas mentes das gerações mais jovens (futuros eleitores) por meio das escolas e faculdades, exactamente como era intenção da Escola de Frankfurt. 
Em vez de criar uma plataforma que estimule o desenvolvimento do indivíduo por meio do raciocínio lógico, do questionamento e dos diálogos estimulantes, o sistema institucional funciona como uma linha de montagem mecanizada, que tem o objectivo de padronizar e homogeneizar os indivíduos, condicionando-os a submeter-se ao status quo, sempre dizendo 'sim' e jamais questionando. Esta é a lógica da Teoria Crítica da Sociedade e o elemento central do "politicamente correcto". 
Trata-se de uma tentativa de controlar a inerente entropia das ideias humanas e todo o tipo de pensamento independente; de controlar o fluxo das ideias humanas e de conformar as experiências humanas a um imobilismo anti-natural. Em última instância, trata-se do objectivo de quebrar o espírito do indivíduo e deixar a sua mente de joelhos perante os ditames dos filósofos. 
Daí vem o termo "marxismo cultural": os marxistas praticamente abandonaram a velha retórica da "luta de classes", que envolvia as classes capitalistas e proletárias, e a substituíram pelas classes opressoras e oprimidas. As classes oprimidas incluem as mulheres, as minorias, os grupos LGBT, e várias outras categorias mascotes. Já a classe opressora é formada por homens brancos heterossexuais que não sejam ideologicamente marxistas, como os próprios fundadores da Escola de Frankfurt. 
O marxismo cultural nada tem a ver com a liberdade, com o progresso social ou com um suposto esclarecimento cultural. Ao contrário, e como o próprio Horkheimer deixou claro, tem a ver com a criação de indivíduos idênticos que não se confrontem entre si e que não troquem ideias, operando como máquinas automáticas e sem emoção. 

Conclusão 

No cerne da Escola de Frankfurt está a ideia de que o pensamento pode ser controlado por meio da imposição da doutrina do "politicamente correcto". A base desta ideia é o polilogismo marxista, o qual dizia que diferentes grupos de pessoas possuem diferentes modos de pensamento e seguem diferentes tipos de lógica. 
Os marxistas tinham um álibi para não debater com pessoas das quais discordavam: eles simplesmente rotulavam os seus oponentes como "burgueses apologistas da classe exploradora", cujos argumentos utilizavam uma lógica que não era aplicável à classe proletária. Essa linha de raciocínio, em última instância, implica a negação de que a lógica sequer exista. A "verdade" passa a ser simplesmente aquilo que os marxistas decretaram ser. 
A Escola de Frankfurt segue esta mesmo lógica. Por isso, ela e os seus seguidores estão hoje entre os maiores inimigos da liberdade e da mente humana livre e consciente.



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