sábado, 9 de abril de 2016

Actualidade: o que os outros dizem

Nota prévia: esta nova rubrica substitui a rubrica Opiniões DN. Todos os textos serão, como tem sido até agora neste blogue, corrigidos do (des)acordo ortográfico.


Aliás, nesta evidente superioridade natural da mulher em relação ao homem, até o diabo está de acordo com Deus. Por isso, quando o demónio quis perder o género humano, tentou primeiro a mulher, Eva, porque sabia que ela depois se encarregaria de fazer pecar o homem, como de facto aconteceu. Porque não tentou primeiro Adão? Porque, sendo a mulher superior, muito dificilmente se deixaria enganar pelo homem, mas este, sendo inferior, não poderia deixar de lhe obedecer. Quando Deus veio ao mundo para nos redimir, poderia ter corrigido esta flagrante injustiça, mas a verdade é que a agravou ainda mais. Escolheu uma mulher para ser a imaculada, sem que a nenhuma criatura masculina tenha sido dado, que se saiba, esse privilégio. Essa mulher, Maria, foi mãe de Jesus, enquanto José só foi seu pai em sentido figurado: a sua paternidade não é genética, apenas adoptiva (Pe. Gonçalo Portocarrero de Almada, Observador).

Os Panama papers revelam muito sobre o mundo em que estamos: das fortunas dos oligarcas à circulação do dinheiro no mundo do crime. Revelam também como a fuga à voracidade fiscal dos estados é praticada com afinco por alguns dos que muito folcloricamente como é o caso de Almodovar defendem o papel do Estado enquanto grande redistribuidor. Mas não só. Os Panama papers acontecem num mundo em que os paraísos fiscais se tornaram na nova heresia. Na encarnação do mal para aquele que, tendo deixado cair o velho propósito revolucionário de criminalizar a propriedade, viram na máquina fiscal um mecanismo superior de controlo dessa mesma propriedade e dos cidadãos. Não dos que levam ou levaram dinheiro para o Panamá mas tão só da sua conta bancária para o seu bolso. Na verdade, haverá sempre um Panamá para os muito ricos. Por isso convém que nos acautelemos. Caso contrário a perseguição àquilo que de ilícito fazem os muito ricos acabará tão só a tornar ainda mais difícil a vida dos demais (Helena Matos, Observador).

Se há uma certeza que os portugueses podem ter, é a de que vivemos hoje num País com "dois pesos e duas medidas" para os partidos políticos. Os militantes dos partidos de esquerda, têm liberdade para fazer e dizer praticamente tudo o que quiserem, incluindo apelar publicamente à violência, que ninguém os vai chatear por isso. Mas se for a direita a fazer o mesmo, então passa a haver queixas-crime, processos em tribunal, multas e toda a espécie de ameaças e intimidações feitas pela própria esquerda e pelas quais essa mesma esquerda nunca responde. Ainda há poucos dias uma simpatizante do Partido Comunista Português (PCP), uma tal criatura que dá pelo nome de Alice Caetano, insinuou a uma cronista de direita que escreve no Jornal i, que gostaria de lhe enfiar "um taco de basebol pelo cu acima, com toda a força". Ouviram alguém fazer escândalo com isto? Estamos num País em que um comentador acabou de ser alvo de um processo porque chamou "esganiçadas" a umas certas "meninas", mas quando uma militante de esquerda diz publicamente que gostaria de enfiar "um taco de basebol pelo cu acima" de uma cronista de direita, então aí já não há qualquer problema, no passa nada. Agora o Bloco de Esquerda já não se escandaliza, nem protesta. A inútil Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género também já não lhe apetece protestar ou apresentar queixas, algo que diz muito sobre o seu verdadeiro conceito de "Cidadania"... (João José Horta Nobre, História Maximus)

O sr. presidente da república aderiu à iniciativa propagandística "e se fosses tu?", de acordo com a imprensa. Segundo a mesma, na hipotética mochila, o sr. presidente levaria, entre outros objectos, uma Bíblia. Convém então dizer ao sr. presidente que não será conveniente refugiar-se no norte de África ou em outra região muçulmana, onde existe o enraizado hábito de queimar Bíblias e, frequentemente, massacrar os seus portadores. É verdade que na Europa, a posse e leitura de Bíblias já conheceu melhores dias, mas por enquanto ainda não se apreendem aquelas, embora haja quem tenha vontade. De maneira que, a fugir, que seja para aí. Entretanto, após esta belíssima iniciativa que é capaz de ter levado muitos alunos a perder mais um dia de aulas - mas quem quer saber disso quando está em causa a solidariedade humana? -, esperemos pelo próximo capítulo. Talvez uma corrente humana em solidariedade com os cristãos diariamente assassinados às mãos dos adeptos da religião da paz? É melhor não. Afinal, não queremos ser acusados de islamofobia, verdade? (Sr. Hamsun, O Século das Nuvens)

Tudo começou com uma das iniciativas a tresandar de politicamente correcto de que a actual gerência do Ministério da Educação tanto gosta, só que mais benigna do que o fim dos exames e de tudo o que possa soar a avaliação do conhecimento. Pediram aos alunos que imaginassem o que colocariam numa mochila se fossem refugiados. Nota-se o esforço de entender "o outro" - obsessão de pelo menos um dos partidos que deixam existir este Governo -, mas seria melhor preparar a geração do futuro para desafios mais prováveis do que a guerra civil. Nomeadamente, a sobrevivência com o salário mínimo após 15 ou 17 anos de estudo ou a capacidade de ter uma vida social (e sexual) satisfatória vivendo em casa dos pais por altura do 30.º aniversário. Pior consequência teve, no entanto, a ideia de lançar o desafio da mochila a figuras públicas. Enquanto alguns ‘suspeitos do costume’ surpreenderam pela positiva, a artista plástica Joana Vasconcelos, com as suas jóias portuguesas, novelos de lã e gadgets da Apple, não andou muito longe de repetir o "brincar aos pobrezinhos" que uma compatriota da família Espírito Santo associou à Herdade da Comporta (Leonardo Ralha, Correio da Manhã).

4 comentários:

João José Horta Nobre disse...

Obrigado.

A esquerda não tem mesmo emenda...

FireHead disse...

Se tivesse emenda deixaria de ser esquerda, pura e simplesmente.

João José Horta Nobre disse...

Pois...

De facto, tem lógica...

FireHead disse...

Vale a pena dissertar sobre o facto dos únicos países do mundo (República Popular da China, Coreia do Norte, Laos, Vietname, Cuba) onde não existe democracia (são, portanto, ditaduras) são países esquerdistas. E depois há países pseudo-democráticos também controlados pela esquerda (Angola, Venezuela, etc.).