sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

Do temor que nos assola

A época de Natal foi mais um sinal do clima de medo e insegurança em que vivemos. Situação agravada na passagem de ano, que os media usam e escondem conforme a conveniência das suas causas – “Coisas que nunca mudam: as não notícias”(Observador). 

Texto onde Helena Matos dá conta de que, em França, na passagem de ano, foram incendiados 804 veículos. Números apresentados como positivos pelas autoridades francesas porque nos festejos de 2014/2015 arderam mais 136 carros. Ou seja 940. Fica a pergunta: como é possível que se pegue fogo a oito centenas de veículos com mais de 100 mil agentes policiais e militares nas ruas? É um mistério. 

Mistério escondido por um enviesamento mediático que Helena revela ao comparar casos que são (ou não) notícia de acordo com o politicamente correcto. O que dá ainda mais razão ao espanto sobre “as não notícias sobre a França”: como é possível que não tenhamos informação sobre estes incidentes? Ou, para não sairmos ainda da temática dos carros incendiados, por que não se soube das 700 viaturas que arderam no 14 de Julho de 2015? Dia em que a França comemora a sua festa nacional e que contou também com escolas incendiadas, sem que tal merecesse destaque noticioso maior. 

Um enigma que adensa os horrores que assolam o Ocidente. Notórios no receio dos pais de que os filhos não desfrutem dos seus padrões de vida ou na desconfiança em relação a minorias muçulmanas, mas também na crença no Apocalipse iminente proclamado pelos clérigos do ambientalismo. Temores que dão crédito a quase tudo: desde o apoio a populismos e extremismos (de direita e de esquerda) à insistência de Juncker, presidente da CE, de que a solução, face à intranquilidade reinante e aos desafios que a UE enfrenta, é “mais Europa” e “mais solidariedade”. Ou seja, mais intervenção de cima para baixo e mais políticas irresponsáveis e burocráticas. 

Um medo que é acompanhado pelo aviltamento da nossa cultura, mesmo no âmbito do ensino. Com esforços contínuos de desocidentalização de programas escolares como aconteceu com a tentativa (falhada) de Najat Vallaud-Belkacem, ministra socialista da Educação em França, de desencorajar os estudantes do secundário de aprender latim, grego antigo ou alemão, para os forçar a estudar história islâmica. 

Ora, um tal desprezo pela herança cultural – assumido pelos seus beneficiários directos – pede causas. Uma delas é a perda de fé no Cristianismo: religião a que a maioria dos ocidentais diz aderir. Mal que afecta dirigentes políticos e até religiosos, unidos na equivalência moral entre culturas e nas dúvidas sobre se a sua fé é verdadeira. O que ajuda a perceber como um mundo tão próspero deu azo a sociedades tão à deriva: repletas de pessoas inseguras do seu valor e envergonhadas do seu património cultural. Talvez o historiador Arnold Toynbee tenha razão ao dizer que as mais sérias ameaças vêm de dentro: “As civilizações morrrem por suicídio, não por assassinato”. Bem fez o Brunei ao proibir o Natal para não colocar em risco a fé dos muçulmanos! É o que há muito se faz e recomenda na UE.


José Manuel Moreira

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