quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

Comunidade de luso-descendentes asiáticos?

A CPLP só inclui os países lusófonos
Esta notícia já tem uns dias: luso-descendentes asiáticos estão a organizar a primeira Cimeira da Comunidade dos Portugueses Asiáticos como forma de protesto contra a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) que eles acusam de estar a esquecer-se deles. Joseph Santa Maria, representante das minorias junto da administração de Malaca, na Malásia, e autor do livro "Pessoas Proeminentes na Comunidade Portuguesa em Malaca", disse que a cimeira terá lugar este ano em Malaca, onde reside uma das maiores comunidades luso-descendentes da Ásia, e contará com representantes malaqueiros, como é óbvio, luso-descendentes da antiga Índia Portuguesa (Goa, Damão e Diu), do Sri Lanka, de Singapura, de Macau (a única instituição macaense de matriz portuguesa que tem assento como órgão consultivo na CPLP é o Instituto Internacional de Macau [IIM] presidido pelo antigo secretário-adjunto da Educação da administração portuguesa de Macau, Jorge Rangel), da Tailândia, da Indonésia (Jacarta, Ambon e Flores), do Myanmar (os bayingyi da antiga Birmânia). Luso-descendentes de Timor-Leste, que faz parte da CPLP, e também de Perth (Austrália) estarão também presentes.
O malaqueiro Joseph Santa Maria
Joseph Santa Maria acredita que o bloco poderá vir a ter muitos mais membros, pois acredita que ainda existem grupos de luso-descendentes por identificar, e criticou a CPLP por só "estar interessada nas nações ricas", como a Guiné-Equatorial, cuja língua oficial é o espanhol apesar de já ter implementado o português também como língua oficial e promovido o seu ensino por força da sua entrada na CPLP. "Eu não sei se eles (a CPLP) sabem que nós existimos", questionou. Estas comunidades luso-descendentes, por serem pequenas, não têm nenhuma força política nos seus países, motivo pelo qual não podem ser incluídas como membros na CPLP. Ainda assim, defende Joseph Santa Maria, estas comunidades, como a comunidade malaqueira, mantêm a cultura portuguesa e o Catolicismo, o que é algo que "não tem preço" porque todos "se sentem orgulhosos por serem chamados de portugueses. Portugal não se sente orgulhoso disto", Portugal que "tem uma responsabilidade moral" para com os seus "filhos" espalhados pelo mundo?

Portugal deixou muitos creoulos na Ásia
Jorge Rangel, presidente do IIM
O projecto da cimeira passa pela criação de "uma aldeia cultural dos portugueses asiáticos" na Ásia caso "Portugal e os seus parceiros da CPLP" estejam interessados, pois seria uma aldeia de "80 a 100 hectares" que poderia ser "um negócio muito lucrativo para a CPLP e para organizações mais ricas no mundo, como as fundações (Calouste) Gulbekian e Oriente". Além disso, o projecto poderia ser útil para disseminar a cultura e língua portuguesas, bem como o Catolicismo, e atrair turistas de todo o mundo.
Pois é, o que é que Portugal já fez por estes seus filhos asiáticos? Como muito bem gosta de dizer o Jorge Rangel, antes do 25 de Abril de 1974 Portugal tinha uma Pátria. Em 1974 o país foi tomado de assalto pelos traidores e hoje já não há nem Pátria, nem Portugalidade. Felizmente para o legado luso as comunidades luso-descendentes asiáticas parecem saber ser mais portugueses, apesar de todas as suas contrariedades, do que muitos dos próprios portugueses nativos. Os luso-descendentes asiáticos sempre têm orgulho das suas raízes e tradições, de serem o que são e do Catolicismo que professam.

2 comentários:

Ivan Baptista disse...


" Joseph Santa Maria acredita que o bloco poderá vir a ter muitos mais membros, pois acredita que ainda existem grupos de luso-descendentes por identificar, e criticou a CPLP por só "estar interessada nas nações ricas", como a Guiné-Equatorial, cuja língua oficial é o espanhol apesar de já ter implementado o português também como língua oficial e promovido o seu ensino por força da sua entrada na CPLP. "Eu não sei se eles (a CPLP) sabem que nós existimos", questionou. Estas comunidades luso-descendentes, por serem pequenas, não têm nenhuma força política nos seus países, motivo pelo qual não podem ser incluídas como membros na CPLP. Ainda assim, defende Joseph Santa Maria, estas comunidades, como a comunidade malaqueira, mantêm a cultura portuguesa e o Catolicismo, o que é algo que "não tem preço" porque todos "se sentem orgulhosos por serem chamados de portugueses. Portugal não se sente orgulhoso disto", Portugal que "tem uma responsabilidade moral" para com os seus "filhos" espalhados pelo mundo? "


Estou de Acordo, para mim, a lusofonia é muito maior do que se possa imaginar .
Parece que infelizmente temos que nos limitar, aos interesses das comunidades mais ricas .

E só por curiosidade, gostei da tua posta sobre este tópico ( discurso-do-Salazar-sobre-o-comunismo ) .
Posso não concordar com tudo, mas gostei da tua forma de analisar a coisa .
Escreveste e bem " O que é que acontece quando as pessoas olham para o seu umbigo e pensarem no EU em vez de pensarem no NÓS, ou seja, na pátria, na nação? Os resultados estão à vista. " , se calhar é isto, parece que, os valores já não são mais os mesmos .

FireHead disse...

Pois, tu e eu neste aspecto valorizamos algo que transcende Portugal enquanto país e mesmo enquanto nação. Infelizmente não falta gente que acha que isso da Portugalidade não tem piada nenhuma quando ela está fora de Portugal, como que querendo passar com uma esponja na História dos portugueses.

Cheguei a falar aqui no blogue sobre os luso-descendentes do Cambodja que foram todos exterminados pelo tirano comunista Pol-Pot. E disso os comunistas portugueses assobiam para o lado, isso é se tiverem conhecimento do genocídio que houve...

Apesar dos defeitos que tinha, Salazar foi um patriota e verdadeiramente nacionalista. Ele apenas quis manter a grandeza de Portugal derivado aos grandes feitos dos portugueses. Muitos dos nacionalistas, ou melhor, "nazionalistas", portugueses que por aí andam são tão abrilescos como os próprios abrilescos traidores da Pátria, pois também cagam no passado do povo português.