terça-feira, 19 de janeiro de 2016

A ciência é arma contra o ateísmo e não contra Deus

No ano de 1966, a revista Time teve uma capa onde se lia, “Será que Deus Está Morto?” Muitos aceitaram a narrativa cultural de que Ele é Obsoleto, e que à medida que a ciência avança, há cada vez menos necessidade de um “Deus” para explicar o universo. No entanto, parece que os rumores da morte de Deus foram largamente prematuros. Ainda mais espantoso é que o relativamente recente argumento em favor da Sua existência chega-nos duma fonte surpreendente: da própria ciência. 

Eis a história: no mesmo ano em que a Time exibiu a famosa capa de revista, o astrónomo Carl Sagan anunciou que existiam dois critérios importantes para que um planeta tenha a capacidade de suportar vida: o tipo de estrela certo, e um planeta à distância certa dessa estrela. Dados os (mais ou menos) octilhões de planetas no universo – 1 seguido de 27 zeros – deveriam existir septilhões – 1 seguido de 24 zeros – de planetas capazes de conter a vida. 

Com probabilidades tão espectaculares, a “Search for Extraterrestrial Intelligence” (SETI), uma enorme e dispendiosa colecção de projectos (financiada com dinheiros públicos e privados) iniciada nos anos 60, estava segura de que rapidamente encontraria algo. Usando uma vasta rede rádio-telescópica, os cientistas escutaram por sinais com a aparência de inteligência codificada, e não aqueles que eram puramente aleatórios. 

Mas à medida que os anos foram passando, o silêncio do universo era ensurdecedor. O Congresso Americano deixou de financiar a SETI em 1993, mas a busca prosseguiu, mas desta vez com verbas privadas. Até 2014, os pesquisadores descobriram precisamente nada – 0 seguido dum vazio. 

O que foi que aconteceu? À medida que o nosso conhecimento foi aumentando, tornou-se cada vez mais claro que existiam muitos mais factores necessários para a vida do que aqueles que Sagan havia suposto. Os seus dois parâmetros aumentaram para 10, e depois para 20, e depois para 50, o que causou a que o número de planetas com a capacidade de suportar a vida tenha diminuido; o número foi reduzido para alguns milhares de planetas e o número tem caído desde então. 

Até mesmo os defensores do projecto SETI reconhecem o problema. Em 2006 Peter Schenkel escreveu um artigo para a revista “Skeptical Inquirer” onde dizia: 

“À luz dos mais recentes achados e à luz dos novos pontos de vista, parece apropriado colocar de parte a euforia excessiva... Se calhar o melhor é admitir calmamente que as estimativas iniciais... podem já não ser sustentáveis...”

À medida que os factores continuaram a ser descobertos, o número de planetas possíveis baixou para zero, e continuou a avançar. Dito por outras palavras, as probabilidades voltaram-se contra a ideia de algum planeta do universo vir a poder ter vida, incluindo o planeta Terra. As probabilidades indicam que nós não deveríamos estar aqui. 

Actualmente, existem mais de 200 parâmetros conhecidos necessários para que haja vida num planeta – cada um destes parâmetros tem que ser satisfeito ou então tudo entra em descalabro. Sem um planeta gigantesco como Júpiter por perto, cuja gravidade irá atrair os asteróides, o número destes asteróides a atingir a Terra seria mil vezes superior. 

As probabilidades de vida no universo são pura e simplesmente assombrosas, no entanto, aqui estamos nós, não só a existir, mas também a falar dessa mesma existência. O que pode explicar tal facto? Será que cada um destes parâmetros foi satisfeito por acidente? A que ponto é justo admitir que a ciência sugere que nós não podemos ser o efeito de forças aleatórias? 

Será que assumir que Uma Inteligência criou estas condições perfeitas não requer menos fé do que acreditar que esta Terra, com a capacidade de suster a vida, pura e simplesmente conseguiu superar as probabilidades inconcebíveis para poder começar a existir? 

E há mais. 

A afinação perfeita necessária para que a vida exista não se compara em nada com a afinação perfeita necessária para que o universo venha a existir. Por exemplo, os astrofísicos sabem hoje que os valores das quatro forças fundamentais – força da gravidade, força electromagnética, força nuclear “forte”, e força nuclear “fraca” – foram determinadas menos de um milionésimo de segundo depois do big bang [sic]. Se um destes valores fosse alterado, o universo nunca poderia existir. 

Por exemplo, se por acaso o rácio entre a força nuclear forte e a força electromagnética estivessem minimamente mal ajustadas – por exemplo, uma parte em 100,000,000,000,000,000 – então nenhuma estrela se formaria. (Fiquem à vontade para engolir em seco). 

Multipliquem só esse parâmetro por todas as outras condições necessárias, e as probabilidades contra a existência do universo são tão astronomicamente gigantescas que qualquer noção em favor da tese de que “aconteceu por acaso” está contra o senso comum. Seria como lançar uma moeda e ela dar caras 10 quintilhões de vezes seguidas. Alguém acredita nisto?

Fred Hoyle, o astrónomo que cunhou o termo “big bang”, disse que o seu ateísmo foi “gravemente perturbado” com estes desenvolvimentos. Mais tarde, ele escreveu que “uma interpretação dos factos com base no senso comum sugere que Um Super Intelecto andou a brincar com a Física, tal como com a Química e com a Biologia... Os números que calculamos a partir dos factos parecem tão sobrepujantes que parecem estabelecer esta conclusão para além de qualquer dúvida.” 

O físico Paul Davies afirmou que “a aparência de design é sobrepujante”, e John Lennox, professor de Oxford, disse que “quanto mais nos conhecemos o nosso universo, mais a hipótese de que existe Um Criador ganha credibilidade como a melhor explicação do porquê nós estarmos aqui.” 

O maior milagre de todos os tempos, sem nada que esteja remotamente perto, é o universo. Este é o milagre dos milagres, e um que, com o brilho combinado de todas as estrelas, inelutavelmente aponta para algo – ou para Alguém – que está para além do universo.


Eric Metaxas

Sem comentários: