sábado, 5 de dezembro de 2015

A macaense Daniela Norte

A edição deste mês da revista macaense A Voz, o auto-intitulado boletim da comunidade macaense por pertencer à Associação dos Macaenses (ADM), tem uma entrevista feita à Daniela Norte, uma jovem macaense de 25 anos que é jornalista dos noticiários em inglês da TDM (Teledifusão de Macau). 


Daniela nasceu e viveu sempre em Macau, excepto durante dois anos em que esteve a estudar Animação na Austrália, assume-se como "tímida" e uma "mulher de família". Luso-descendente mestiça, Daniela define isso de ser macaense, coisa que eu também sou, como algo "especial" por ser "mix", deixando assim bem claro que ela também é daquelas pessoas que partilham daquela opinião sobre o macaense alimentada por muitos e que não corresponde à realidade, chegando mesmo ao ponto de confundir nacionalidade e a naturalidade ao dizer que não é portuguesa, apesar de ter nacionalidade portuguesa, mas sim macaense. Além disso, acrescenta que raramente a associam a Portugal ou à China, mas antes à Índia "ou coisa semelhante", devido aos seus genes paquistaneses herdados da parte da mãe. "Do lado do meu pai, a mistura é entre o português e o chinês. Por isso, sou metade portuguesa, um quarto chinesa e outro quarto paquistanesa. Não é interessante esta mistura? Claro que é..."


Infelizmente para a rapariga e não só, Macau está a "perder a sua personalidade" devido à excessiva dependência do jogo, coisa que torna as pessoas "mais agressivas com o tempo" e faz desaparecer a "harmonia" que havia antigamente. Os novos casinos que estão no Cotai, uma espécie de cópia de Las Vegas, fazem desaparecer a identidade de Macau. "Veja só o ridículo de meter aqui uma Torre Eiffel" (uma alusão ao novo casino de Sheldon Adelson, o patrão da Sands, o Parisian), lamentou Daniela, que acrescentou que Macau perdeu a "felicidade", o que a leva a ter saudades do antigo Macau, o nosso Macau, o Macau português, a "Cidade do Nome de Deus de Macau, não há outra mais leal" como classificou D. João IV uma vez que Macau nunca reconheceu a soberania espanhola durante a dinastia castelhana filipina. E é por isso que Daniela não se vê a viver aqui em Macau por muito mais tempo e tem planos para emigrar, seja para a Austrália ou, por questões pessoais (amorosos?), para a Malásia. "As decisões são de médio prazo. Para já estou contente em poder estar na TDM e vou ficar", finalizou.

4 comentários:

RICARDO DA SILVA LIMA disse...

E a guria é bonita, com certeza. :)

FireHead disse...

Existem as boas misturas. :)

Ivan Baptista disse...

Ia jurar que na 1 foto, a rapariga parecia uma não mestiça !
Disfarça bem :O

FireHead disse...

Há mestiços que não parecem mestiços. É por isso que os racialistas que por aqui costumavam aparecer chamavam à atenção para as diferenças entre o fenótipo e o genótipo. É também por isso que eles são capazes de afirmar que gente que fisicamente é branca não é na verdade branca. Enfim, são uns alucinados que vivem obcecados com a raça, como se eles fossem superiores aos outros. Aliás, eu nem sei se eles são mesmo brancos, preciso da árvore genealógica deles e mesmo assim duvido que todos os antepassados deles tivessem sido brancos...