quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Sim, a idade do porque sim!

O Luís Crespo, o famoso blogueiro Leocardo, dirigiu-me já há mais de meio ano atrás, mais precisamente em Abril passado, nesta posta lá do seu blogue palavras que se querem bem intencionadas e que, como tal, me levaram a escrever esta entrada. Peço imensa desculpa por só agora passado todo este tempo (precisamente sete meses depois) colocar aqui a minha resposta em jeito de testamento, eu que geralmente até sou muito rápido a responder, mas sempre vale mais tarde que nunca.

Assim como um espinheiro está na mão de um bêbedo,
assim está a parábola na boca do ignorante (Provérbios 26:7)
Antes de mais, deixem-me só dizer que eu, longe de ter demónios que me "azucrinam a mente de cristão" ou de "ter a cruz como um Messias" como o Luís erradamente afirma, faço imensa questão de responder, sempre e com muito gosto, às coisas que ele escreve e que me são dirigidas. Sei lá, faz-me sentir que o que eu escrevo aqui no blogue afinal não é indiferente. Tal como, aliás, a Igreja Católica, que tanto tempo faz perder aos não-católicos como o Luís (que diz que nada tem contra o Cristianismo e que se está nas tintas para a Igreja Católica) e que constitui sempre um excelente pretexto para artigos ou crónicas no blogue ou num jornal aqui de Macau com o qual ele colabora (já imaginaram então se o Luís tivesse mesmo algo contra o Cristianismo e não estivesse nas tintas para a Igreja Católica?). E depois ainda por cima ele colocou essa sua posta, como tantas outras, lá no Facebook que é para conferir ainda maior visibilidade a este meu blogue sacana. Só por causa disso eu só tenho é de lhe agradecer e não é pouco.

O Luís deve achar que os católicos não pensam por causa da sua fé
Indo ao que interessa, e agradecendo desde já o facto do Luís ter sido "uma luz que me guiou pelos caminhos da minha tormenta sem fim" (apesar de eu ser, como ele disse, "um rapaz culto" mas "confuso"), não quis de forma alguma ofendê-lo com aquela coisa da "celeuma". Já reparei que ele não capta muito bem as ironias, o que também ficou demonstrado em relação às obras do Miguel Ângelo Bonarotus (ou Buonarroti). O mesmo Miguel Ângelo que decorou a Capela Sistina que fica no Vaticano, recordemos.

Não sei se entendi bem, mas onde é que está o problema no facto do Miguel Ângelo ter feito esculturas de homens nus, ou seja, com a pilinha à mostra, e ao mesmo tempo ter feito obras de cariz religioso (as suas obras mais importantes por acaso até foram feitas por encomenda da Igreja)?. Ele não estava tão exposto à "radiação inquisitorial", como insinuou o Luís que a tal senhora Maria Guiomar Lima estivesse (em pleno século XXI e com toda esta apostasia, mas tudo bem...), pois tem também muitas obras típicas do classicismo que simbolizam a humanidade pagã (Renascimento, certo?).

Vale também a pena salientar, isso para quem não sabe, que por exemplo no Juízo Final, no Noé Embriagado, no Dilúvio Universal ou na famosa Criação de Adão (tudo obras de Miguel Ângelo) que estão lá na Capela Sistina têm imagens de homens com a pilinha à mostra. Portanto, isso de mostrar a pilinha pelo visto incomoda pouco. Não a mim nem aos católicos com dois dedos de testa. Ao Luís talvez, mas isso é lá com ele.

Como é que a Igreja não se lembrou de desenhar uma folha para tapar a pilinha do Adão?
A famosa Pietà serviu de tampa do túmulo do cardeal francês que encomendou a obra a Miguel Ângelo, na altura com 23 anos, e que depois foi removida para a basílica de S. Pedro, o que constitui, sempre segundo o Luís, uma "profanação". Acontece que essa informação é contrariada por outras fontes. Esse cardeal francês, que, já agora, chamava-se Jean Bilhères de Lagraulas, encomendou a imagem da Virgem Maria para a capela dos Reis de França, a antiga e primeira basílica de S. Pedro, não constando, nessas outras fontes, que tenha sido para o seu túmulo. Há depois uma versão que diz que a Pietà foi para adornar o monumento em memória do rei Carlos VII.

Em que é que ficamos então? Na via de dúvidas, não vou falar de "honestidade" nem afirmar peremptoriamente em relação a isso como se fosse o dono da razão. Até porque eu não era vivo na altura em que o Miguel Ângelo esculpiu a Pietà e profanações de cemitérios é o que mais há, basta vermos, por exemplo, o que fazem os divertidos satânicos que sacrificam galinhas ou outros seres vivos sob as campas dos mortos. E a Idade das Trevas já lá vai, penso eu de quê!

Profanações de cemitérios em pleno século XXI como parte dos crimes 
iniciáticos associados ao satanismo (Helloween, solstícios, equinócios, etc.).
É verdade sim senhora que a Igreja Católica não paga impostos pelo menos em Portugal e isso pelo visto bastou para que o Luís extrapolasse e chegasse à precipitada conclusão que a Igreja não paga impostos em lado nenhum. Ele investigou o caso português e investigou muito bem: em Portugal é graças à Concordata com a Santa Sé que a Igreja Católica goza do mesmo estatuto que... os partidos políticos (será uma conquista do 25 de Abril de 1974?)! Disse muito bem o Salazar que "Portugal nasceu à sombra da Igreja Católica", pois foi graças aos cavaleiros cristãos que Portugal surgiu num movimento conhecido por Reconquista Cristã contra uns simpáticos mouros muçulmanos, pelo que se não fossem os malandros dos cristãos não haveria Portugal, logo não haveria portugueses e nós não estaríamos aqui. Não é, por conseguinte, por acaso que os besantes das quinas da bandeira nacional significam a fidelidade à Cruz de Cristo ou a traição apóstata mesquinha, ou seja, os portugueses ou seriam cristãos, ou então uma cambada de traidores como o Judas, conforme profecia lendária de D. Afonso Henriques, coisa que podemos mesmo constatar nos dias de hoje: de um lado os portugueses cristãos e de outro os portugueses traidores apóstatas da nação. O Salazar, democraticamente considerado o maior português de sempre naquele tal antigo programa da RTP, dizia até "português, logo católico" - que grande ofensa a todos os não-católicos que se afirmam portugueses!

E é verdade também sim senhor que os ateístas há muito que exigem que Portugal, que é um Estado laico, essa vitória do progressismo de esquerda, acabe duma vez por todas com essa simpatia pela Igreja Católica apesar da maioria da população portuguesa ainda ser católica (ou mais ou menos), bem como a própria História e tradição portuguesas, o que penso eu que faz toda a diferença. Mas tudo bem, já que o Luís quer ir por aí, e mesmo que não se assuma como um ateu (é um agnóstico, o que é apenas teoricamente diferente de um ateu), eu compreendo perfeitamente o facto dele não concordar que "o dinheiro dos impostos de agnósticos, ateus e outros não-católicos vá servir para financiar obras públicas que mais tarde terão acesso elementos do clero católico". A sério que eu compreendo. É como eu como benfiquista sentir-me ultrajado por o dinheiro dos impostos dos benfiquistas, que ou eu me engano ou ainda são a maioria dos portugueses, ter servido para oferecer um centro de estágio ao FC Porto, sim, aquele do Olival, em Vila Nova de Gaia.

Já agora, que tal falarmos também que é graças ao acordo com o Vaticano que em Portugal existem feriados católicos? Sim, um Estado laico com feriados católicos! Porque será que nunca ouvi ninguém barafustar contra a existência do feriado da Sexta-Feira Santa ou da Imaculada Conceição da Virgem Maria, feriados esses que, irónica e curiosamente, também persistem aqui em Macau onde apenas uma ínfima parte da população professa a fé católica (já agora, em Macau, como a Páscoa calha sempre num domingo, o feriado dá-se no dia útil imediatamente a seguir)? Ah e tal, os feriados dão jeito e são sempre bons, não interessa a origem deles e coiso... Quantos serão já agora os chineses que sabem em Macau o porquê do dia 8 de Dezembro ser feriado? E em Portugal, quantos não serão os não-católicos que usufruem destes benditos feriados religiosos num Estado que supostamente é laico? Bom, eu sei que pelo menos em 2011 chegaram à conclusão que cada feriado custava a Portugal 37 milhões de euros, portanto agora é só fazer as contas. E, just for the record, no Brasil, por exemplo, não é só a Igreja Católica que está isenta de impostos, mas também todas as outras "igrejas", ao abrigo do artigo 150 da Constituição Federal. Já na Itália, no México e em alguns outros países (certamente de origem e tradição não-católicas) a Igreja paga sim impostos. Portanto isso não tem nada a ver com a Igreja Católica como um todo, mas sim com os Estados em si e a sua relação com a Santa Sé, capisce o no capisce? 

Vamos ser coerentes: a Igreja começa a pagar impostos e não há mais feriados católicos, vale?
Agora de repente lembrei-me da pergunta que certa vez um blogueiro amigo fez aqui no meu blogue sobre o facto da Igreja ser a maior instituição de caridade do mundo (uma afirmação que não dá para ser desmistificada, né?): "Se a Igreja não fosse rica, como é que poderia ajudar os outros?"

E se deixássemos os não-católicos, como os ateus e os agnósticos que devem ter uns princípios e valores herdados sabe-se lá do quê, ajudarem quem mais necessita, o que é que seria deste mundo? Quantas são as instituições de caridade de base ateia ou agnóstica que existem no mundo? Gostava sinceramente de saber, independentemente de pagarem ou não impostos. É que o mundo dos dias de hoje continua na mesma carente de afecto e de ajuda apesar do "triunfo" e da "afirmação plena" do ateísmo e também do agnostiscismo ("afirmação plena"? Mas o número de ateus e agnósticos do mundo nem sequer chega a poder ser verdadeiramente equiparado ao número de crentes, e parece que segundo os últimos dados o mundo está até cada vez menos descrente...) que finalmente conseguiram fazer, ao fim de tantos séculos, com que este mundo se tornasse "perfeito" após a libertação das correntes "das Trevas". O hippie assassinado do John Lennon, na sua famosíssima canção Imagine, imaginou um mundo sem religiões, acreditando que o mundo seria melhor sem elas, que são uma coisa "ridícula", mas quem acredita que assim é deve ser ainda melhor que o Rousseau, que acreditava que o ser humano é bom por natureza, ou seja, que o homem selvagem é naturalmente bom. Sem leis, a moral e a ética, em cuja formação a Igreja Católica desempenhou um papel importante, o que é que limitaria e guiaria então a vida do homem? Mas voltando ao "triunfo" e à "afirmação plena" da descrença, a República Popular da China é oficialmente um Estado ateu, serve? A União Soviética era ateia, serve? E, já agora, a Albânia institucionalmente "ateízada" de Enver Hoxha, o responsável pelo primeiro Estado ateu do mundo? Os ateus que adoram atirar as culpas ao comunismo pelos milhões de crimes cometidos pelo ateísmo assobiam para o lado quando falamos do menino Enver, mas isso é só se por acaso já chegaram a ouvir falar dele...

A Igreja Católica farta-se de ajudar muita gente que nem sequer é católica, como ateus e agnósticos, muitas vezes em países que nem sequer são de maioria cristã, sendo irónica e curiosamente o principal porto de abrigo dessa gente. Aliás, se não existisse a Igreja Católica nem haveria sequer a palavra "caridade" (a palavra vem do latim caritas que também é o nome duma das mais importantes organizações de caridade de todo o mundo e que é da Igreja), portanto será que é lógico pensarmos que essa palavra surgiria na mesma, com certeza e naturalmente, entre os agnósticos e ateus? O que é que seria, já imaginaram, se houvesse neste mundo uma civilização agnóstica ou ateia, sabendo que o agnosticismo ou o ateísmo não contribuíram em nada para o que quer que seja da civilização humana (a não ser com a destruição e matanças) por motivos mais que óbvios? Como escreveu o filósofo germano-americano Eric Voegelin, na sua obra A Nova Ciência da Política, o assassinato de Deus por parte de Nietsche foi um assassinato gnóstico que tem a morte do espírito como o preço do progresso e que os homens constantemente sacrificam Deus em nome da civilização: "uma vez que a vida do espírito é a fonte da ordem no homem e na sociedade, o próprio êxito da civilização agnóstica é a causa do seu declínio".

Um pouco do "património enorme e incalculável" da Igreja Católica
E qual é o problema da Igreja Católica ter um "património enorme e incalculável" (ah, e porque é que não haveria de querer ir por aí?)? Seria preferível a Igreja não ter património nenhum e ser pobre? Faz-me lembrar a piada de que o Papa deveria era andar descalço e a comer couratos nas roulotes por solidariedade para com os pobrezinhos... E isso por acaso invalida o facto da Igreja fazer caridade? A questão da caridade é contornada para dar lugar ao ataque contra as propriedades da Igreja porquê? O património da Igreja não pode ser desfeito por ela, pois são também património dos países onde a Igreja está presente. Além disso, existe o Tratado de Latrão, que impede a Igreja de se desfazer da riqueza que há no Vaticano, que é também por acaso um país. Trata-se antes de mais de património da humanidade, um património que por sinal também é muito caro. Ou acha o Luís que a manutenção de todas as obras de arte da Igreja é de graça? Talvez o melhor seria destruí-las, não? E, outra coisa, nos outros tempos a Igreja era a autoridade, pois a civilização ocidental à Igreja se deve.

Hoje, depois da separação do Estado e da Igreja, é o Estado que se apropria das coisas. Se nós por exemplo formos ricos e não tivermos nenhum descendente legal para herdar tudo o que é nosso, é o Estado que em princípio fica com a nossa riqueza caso não deixemos nenhum testamento em que especificamos quem queremos que fique com a nossa guita. Foi isso que eu aprendi nas aulas de Direito quando andava na universidade. Sabiam ou não sabiam disso, caros leitores? Separou-se a Igreja do Estado, logo passou a ser o Estado a "roubar". Em nome do laicismo, calculo. Ah, e em nome da caridade também, deduzo.

O Papa proibia o preservativo durante a epidemia do HIV? E as pessoas que contraíram e
vão continuar a contrair o HIV usando o preservativo, o que é que se diz sobre elas?
Em relação à posição da Igreja quanto ao preservativo, eu já cheguei por exemplo a falar sobre isso aqui, mas não me importo de bater de novo na mesma tecla porque há mitos que precisam urgentemente de ser derrubados. A Igreja não impede o combate à Sida pelo simples facto de não concordar com o uso do preservativo. Quem afirma o contrário é que propaga uma inverdade insidiosa que muitos aceitam passivamente sem posteriores verificações.

A influência da Igreja Católica é de menos de 20% da população total africana. Alguém se atreveria a afirmar que a Sida prejudica em maior medida os católicos do que por exemplo os muçulmanos ou os pagãos? Não seria possível fazer isto, já que diversas estatísticas demonstram que a comunidade católica sofre em medida bem menor o flagelo da Sida, pois é lógico que o ensino em favor da monogamia e da castidade tenham os seus efeitos positivos em ambiente de promiscuidade generalizada, como se pode ver no caso do Uganda, que viu a taxa de infectados baixar de 20% para 6% entre 1991 e 2002 graças a uma política sanitária baseada nestes dois valores que a Igreja defende - a fidelidade e a abstinência -, factos esses que são escamoteados em favor da promoção assassina de que o preservativo salva mesmo vidas quando nem sequer é 100% eficaz. Vai na volta os Luíses da vida airada não se importariam de ter "sexo protegido" com alguém que eles sabem que tem Sida e correrem mesmo assim o risco real de contraírem o vírus do HIV, risco esse que é de 10% segundo a Organização Mundial da Saúde.

O especialista na matéria Ernesto Aquilez, um mexicano que não é nenhum moralista, escreveu o seguinte num artigo elucidativo na revista cultural ISTMO de 2003: "Então entre que grupos humanos a atitude da Igreja poderia contribuir para disseminar a Sida? Entre os católicos sem prática religiosa, nem vivência dos seus princípios morais? Seria sensato supor que quem é infiel à sua esposa virá a respeitar a orientação da Igreja que desaconselha o uso do preservativo? Nestas condições correria, por acaso, o risco de contaminar-se para ser fiel às orientações de uma religião que não pratica? Seria um absurdo. Evidentemente que quem não tem escrúpulos de ter relações com uma mulher fácil ou uma prostituta, nem se apresentará a questão da licitude moral do preservativo. Portanto, acusar a Igreja Católica na difusão da Sida por esse motivo é, mais do que um absurdo, uma manobra para negar-se a reconhecer a realidade contrária: sem a moral católica a sociedade seria mais promíscua e, em consequência, a Sida estaria muito mais estendida".

Também o médico português Fernando Gomes da Costa, no seu artigo Os beatos do látex, de 2009, reconhece que os caminhos eficazes da Igreja Católica para combater a Sida são "tecnicamente correctos", embora, é claro, como todos nós sabemos, "fortemente irrealistas na prática". Além disso, não hesita em classificar de "voluntariamente criminoso" todos os que incutem "a ideia de que o uso do preservativo é eficaz a 100%, quando, na verdade, pode falhar demasiadas vezes".

Muitos doentes com Sida são tratados pelas freiras, pois parece que
muita gente tem medo de estar em contacto com os infectados com o HIV
A propósito das freiras, consta que o Luís até goza com a
Madre Teresa de Calcutá. Pudera, ele não é um "pobre" dela...
Uma visão norte-americana sobre a Igreja Católica
Quanto ao dinheiro sujo que a Igreja recebeu e que porventura continua a receber como donativos, não entendo onde está o problema para o Luís. Se a Igreja não sabe que o dinheiro é sujo, tem culpa de estar a receber os donativos que crê serem oferecidos de boa fé? E se a Igreja tem a noção de que o dinheiro é sujo, aceitá-lo significa o fim do mundo porque o dinheiro sujo não pode nem deve jamais ser usado para o que quer que seja, nem sequer em forma de donativo como maneira de redenção? Querem ver agora que o dinheiro sujo não pode ser usado para ajudar os pobres? Faz-me lembrar aquela associação de defesa dos direitos dos animais que é contra a tourada e que, como tal, recusou uma generosa oferta em géneros alimentares para os seus cães e gatos provenientes da Prótoiro só porque eram precisamente da Prótoiro, como se os animais que estão a seu cargo tivessem alguma coisa a ver com as desavenças dos que supostamente os defendem. 

Em 2008, o bispo mexicano Carlos Aguiar Retes de Texcoco afirmou que o dinheiro que a Igreja recebeu e que era proveniente do narcotráfico serviu para ver que os traficantes se converteram em "generosos colaboradores", financiando obras de serviço público em regiões empobrecidas (não pode ser, a Igreja Católica também realiza obras públicas?) ou tentando expiar as suas culpas com "obras piedosas". 

Se calhar para o Luís o dinheiro sujo não pode servir para nada, pois deve ser lixo e tem que ser destruído... Ou será que é preciso ser lavado antes para poder ser usado? Eu aprendi, desde pequeno, que o dinheiro é sujo porque passa de mão em mão. E até parece que o dinheiro que o governo da RAEM disponibiliza para pagar os nossos salários ou para nos oferecer os benditos cheques pecuniários anuais não provêm da indústria do jogo... Para bom entendedor...

Isto é que é a verdadeira obra do demo: pessoas que não duvidam dos mitos que lhes
são impostos e que depois repetem-nos até se tornarem verdades, mesmo à Göbbels
O mito de que a Igreja é contra a ciência, ou que a atrasou durante a Idade Média, só consome quem não tiver paciência para investigar. É que o que não falta na Internet e mesmo em manuais históricos minimamente decentes e fiáveis, isto é, não enviesados ou escritos conforme o revisionismo histórico e propagandístico da esquerdalha, são provas mais que provadas do facto de, longe de ter atrapalhado o que quer que seja, foi a própria Igreja que possibilitou o desenvolvimento da ciência através do desenvolvimento do método científico, algo que ainda hoje em dia é usado, e da dessacralização da Natureza, tendo até criado o sistema de ensino e fundado a instituição Universidade. E disto, curiosamente, também já cheguei a falar no meu blogue algumas vezes, como por exemplo aqui ou aqui (mas, lá está, há-de haver sempre quem não faça o trabalho de casa antes de fazer afirmações que toma como sendo indubitáveis, o que é incrível para alguém que permite e encoraja que se questione!). A ciência não está do lado dos irreligiosos, embora estes gostem de pensar que está e eles usam precisamente o argumento de serem pró-ciência para infantilmente se distinguirem dos crentes, como se não existissem crentes no mundo da ciência! Quem não acredita nessa última parte então só pode mesmo sofrer de graves perturbações.

A Igreja Católica é, e os leitores se quiserem podem já começar a investigar (permitindo, claro, e sempre, que se questionem devidamente!) a instituição com o maior número de prémios Nobel do mundo, ou seja, a Pontifícia Academia de Ciências - a mais velha do mundo - conta com o maior número de membros laureados com o prémio Nobel. Nada mau para uma instituição que "estrangulou o progresso científico e que tem a ciência como um dos inimigos recorrentes", né? E significa isso que os crentes não pensam, certo? Mas, já agora também, qual é a evidência que foi o estrangulamento do progresso científico por parte da Igreja Católica afinal, pá? Se isto é uma afirmação, pois então ela que seja sustentada com provas que isso de andar a atirar postas de pescada para o ar não vale. E o mais engraçado é o Luís achar graça que eu negue tal evidência! Se não existe sequer evidência alguma, como é que ela pode ser negada? Isso só pode mesmo ser mais um tentáculo do saboroso mito da Igreja ser contra a ciência...

Se a Igreja fosse mesmo contra a ciência ou contra o conhecimento, isto é, contra as perguntas porque as coisas são como são só porque sim, por capricho divino e não sei quê, então para quê foram os padres e os religiosos inventar coisas como o telescópio, o relógio, os óculos, o microscópio, as notas musicais, a álgebra, os hospitais, enfim, ferramentas úteis para investigar e estudar? Sim, tem que se ir investigar isto tudo muito bem, não vá eu querer estar a enganar gente por ser religioso...

Historiadores da ciência como A.C. Crombie, David Lindberg, Edward
Grant, Stanley Jackie, Thomas Goldstein, J.L. Heibron, etc. concluíram
que a revolução científica se deve à Igreja Católica, porque será?
Há que agradecer aos monges beneditinos pelo progresso científico.
Não é por acaso que o São Bento é o padroeiro da Europa.
Há muitos mitos constantemente alimentados que precisam de ser derrubados
Perseguição aos judeus de facto houve como parte das contingências históricas, sendo, no entanto, necessário frisar que não foram os cristãos que começaram por perseguir os judeus mas sim o contrário. Os cristãos primitivos foram perseguidos pelos judeus e pelos romanos. Seguiram-se depois outros perseguidores, como os protestantes (que são pseudo-cristãos gnósticos), os comunistas e, com mais frequência e ferocidade nos de dias de hoje, os ateus militantes, os tendenciosos agnósticos e os muçulmanos que adoram a divindade lunar do paganismo árabe pré-islâmico (principalmente estes últimos). Todos eles simplesmente fazem cumprir a profecia do Anticristianismo, pelo que, vendo bem as coisas, o Cristianismo até só tem de lhes agradecer por estar certo.

Os cristãos começaram por ser perseguidos, tanto pelos judeus, como pelos pagãos.
A esmagadora maioria dos apóstolos foi martirizada. Isto é História, basta só estudar.
Eles são pagãos, muçulmanos, comunas, ateus, até eventualmente agnósticos...
Os cristãos são actualmente o grupo mais perseguido no mundo?
Não pode ser, é um engano! A Igreja é que persegue os outros, até os pinguins!
Para quê falar das mútuas perseguições históricas quando tem mais graça falar só da perseguição cristã?
É certo que se a Igreja fosse uma farsa não faria sentido a existência dos seus detractores. É tipo o Benfica: se não existissem os antibenfiquistas, que piada é que haveria, sabendo que os antibenfiquistas não vivem sem o Benfica como nós benfiquistas? Da mesma forma que os antibenfiquistas precisam tanto ou ainda mais do Benfica que os próprios benfiquistas para terem algum colorido na sua vida, o mesmo se passa com os detractores da Igreja, que lhes dá sentido à vida. O conhecido ateu português Carlos Esperança, por exemplo, que o diga, pois antes de ser um ateu confesso é primeiramente um anticristão primário. Quem desdenha quer comprar, lá diz o ditado.

Há entendidos que afirmam que a perseguição dos judeus aos cristãos começou
logo após a crucificação de Jesus. Estima-se que a perseguição dos judeus aos
cristãos resultou em cerca de 2000 mortos. Ainda assim, não foi nada comparado
com a perseguição pagã e ateísta, coisa que ainda perdura (fonte: Wikipédia).
O próprio São Paulo, que era judeu, confessou que perseguiu muitos cristãos.
Em relação à figura do tão caluniado Papa Pio XII, que salvou mais judeus que heróis fabricados pelo politicamente correcto como o Oskar Schindler ou o Aristides de Sousa Mendes, eu já falei três vezes neste blogue sobre isso: aquiaqui e aqui. A posição do Papa Pio XII foi a posição da Igreja Católica durante a II Grande Guerra.

Curiosa afirmação do génio judeu Albert Einstein (in The Tablet de Londres)
E o facto de Jesus, e já agora os Seus discípulos, terem sido judeus quer dizer o quê? Que deveriam continuar a ser amigos dos judeus, aqueles mesmos cujos sacerdotes quiseram ver Jesus morto por não O terem aceitado como Messias? Se existe o Cristianismo por alguma coisa é, caso contrário ter-se-ia mantido aquela Aliança que nós dizemos que é a Antiga. Mas isto vindo de alguém que diz que o Deus da Bíblia é "o Deus com O qual a Igreja acena" como que a dizer de forma irónica que o Deus de amor pregado pelos cristãos é O mesmo que permitiu matanças e a destruição, sem saber enquadrar-se no seu devido contexto e baseado nas suas interpretações literárias subjectivas, vale tanto como um cão chamar-se Rambo ou Rocky. 

Quem nunca estudou assuntos relacionados com a Bíblia costuma criar polémicas estéreis repisando argumentos que já foram por demais rebatidos ao longo do tempo. O quê, quem lê a Bíblia fica com medo de Deus? Pois, agora percebo porque é que há gente que diz ser temente a Deus! Ora, quem é que, em sã consciência, não teria medo de Deus depois de ler a Bíblia? Se não queremos que um dilúvio nos mate ou que viremos um monte de sal, o melhor que temos de fazer é não ofendermos a Deus! É claro que os cépticos e os incréus preferem a segunda e a terceira vias, ambas mais fáceis: acreditar que Deus não é assim como relata a Bíblia ou que simplesmente Ele não existe.

Os autores dos livros da Bíblia, há milhares de anos atrás, empregaram formas ou géneros literários contemporâneos e conterrâneos e não a mesma forma de escrever dos dias de hoje. A Bíblia não é um ditado feito por Deus e, como é claro, nem tudo o que é relatado na Bíblia pode ter mesmo acontecido de facto. O que não falta na Bíblia é simbolismo e o importante a reter é a mensagem que ela transmite com o auxílio da Tradição. É óbvio que sem o necessário entendimento do contexto e a capacidade de entender os diferentes pensamentos dos antigos tempos do Oriente, e baseado apenas na ideia de que a humanidade sempre pensou e interpretou as coisas da mesma maneira desde sempre, o que a própria História confirma que está errado, é que se pode fazer interpretações alegres e sem nexo, sejam elas conforme a visão actual, simples e literal, versão light, harcore ou nem por isso. Assim, é claro que qualquer leigo com apenas a 4.ª classe pode perfeitamente ler a Bíblia como se estivesse a ler uma banda desenhada do Tio Patinhas ou do Ásterix e questionar porque é que Deus, esse "tipo invisível", lembrou-se de ser interventivo no mundo durante uma certa altura e decidiu depois assim como quem não quer a coisa enviar o Seu próprio filho para nos salvar e corrigir um qualquer erro de casting - Ele que lidou com uma personagem "imaginária" como Satanás ou o demónio (como é que se pode não saber se Deus existe mas simultaneamente afirmar categoricamente que o demónio, esse, não existe, sendo o demónio supostamente também da esfera sobrenatural?) - sofrendo uma morte horrível por nossa culpa que é para todos nós Lhe ficarmos eternamente muito agradecidos só porque assim tem que ser (então e a ressurreição que possivelmente não aconteceu, como acreditam os muçulmanos?), com todo o sadismo, antes dEle partir definitivamente de "férias" e não nos dar mais sinais da Sua existência, deixando-nos assim neste estado angustioso de dúvida permanente e entregues ao livre arbítrio tão nosso e que nos distingue dos restantes animais...

Já agora, por alguma coisa existe o Antigo Testamento, o livro sagrado dos judeus, e o Novo Testamento, em que se apoia o Cristianismo. Os judeus têm uma concepção diferente de Deus que os cristãos, tendo Jesus Cristo, rechaçado pelos judeus, vindo ao mundo trazer uma ideia radical de Deus que até então as pessoas não tinham. As leis não eram para ser revogadas, mas sim para serem levadas à perfeição. São Paulo disse que se a Antiga Aliança fosse perfeita, não seria necessária uma nova para a malta, e permaneceríamos todos judeus sem podermos, por exemplo, comer carne de porco, porque é um "animal impuro", e todos os meninos teriam que ser circuncidados.


Há quem não seja crente e diga, fruto da sua análise estática da Bíblia, que Deus pelo visto mudou de opinião com o tempo e tornou-se "bom, misericordioso, etc., tudo isso" (se bem que ser "bom" ou "misericordioso" não implica pactuar com o que está mal). Porque não pensar que foi antes o Homem que passou a entender melhor Deus ao longo dos milénios? Sim, é que se um homem da Idade do Bronze não pensava da mesma maneira que um homem da actualidade, como é que se pode partir do princípio errado que um homem da actualidade pensa da mesma maneira que um homem da Idade do Bronze? A Bíblia não foi escrita em três semanas ou em três meses. Tampouco foi escrita por uma ou três pessoas. Mas não deixa de ser curioso os não-crentes mostrarem tanto interesse na Bíblia, o livro mais vendido e lido em todo o mundo, como que querendo mostrar que conseguem fazer uso dela para atacar os crentes, procurar ridicularizá-los, escarrapachar-lhes nas fuças passagens bíblicas comprometedoras ou menos bonitas sobre isto ou aquilo, espetar-lhes com supostas incoerências, dar a entender aos outros que a sua abordagem unilateral da Bíblia é que é a correcta e válida, fazendo-a prevalecer sobre uma interpretação derivada da Tradição quase bimilenar, etc. e tal. Ele há com cada coisa...

É engraçado o Luís comparar as práticas e rituais adoradores dos pagãos com as práticas de cumprimento de promessas católicas. Há aqui uma clara confusão no que diz respeito à matéria e à forma. Já dizia muito bem o filósofo brasileiro Olavo de Carvalho que o empastelamento é uma operação fundamental da ignorância. 

O cumprimento das promessas é uma coisa pessoal: cada qual promete o que quiser e cumpre a promessa como e se puder. É o mesmo que eu dizer ao Luís que se perder uma aposta que fizer com ele dou 50 voltas ao campo do Colégio D. Bosco a correr ou então pago-lhe um jantar (prefiro a segunda opção). Já os pagãos fazem o que fazem como parte inerente aos seus cultos, pois é isto que estes lhes exigem e eles assim correspondem. De forma inversa, a Igreja Católica não pede aos católicos que vão a Fátima, ou outro local qualquer, para rastejarem e se esfarraparem todos, pois isso é da vontade deles (será que todos os que vão a Fátima rastejam? Eu por exemplo nunca rastejei por lá!). Se faz-lhe confusão ver gente a recorrer "ao uso dos joelhos" num "local ironicamente chamado de 'joelhódromo'", pois então faça como eu: não veja nada disso. No caso dos filipinos e também dos mexicanos que se crucificam a si próprios na altura da Páscoa, a Igreja Católica condena veemente tal acto e tem repetido constantemente que o desaprova. Se o Luís afirma que é mentira que a Igreja não pede nada disso então está simplesmente a ser desonesto e a fazer com que a sua opinião prevaleça sobre a posição oficial da Igreja sobre o mesmo. Eu posso dizer à vontade que não concordo minimamente com o facto de as pessoas fazerem do sofrimento gratuito um negócio com Deus porque entendo que Deus não quer que nos molestemos para O agradarmos. Até associo esse tipo de actos a uma baixa cultura religiosa. Já o Luís aqui cometeu mais um erro, ou melhor, o mesmo erro que já tinha cometido anteriormente, que é a generalização. Uma vez mais está a tomar o todo pela parte (ei, nem todos os refugiados que fogem para a Europa são terroristas, né?). Um católico não precisa, nem sequer lhe é pedido, automutilar-se em nome da sua fé, ao contrário de um pagão que se quer ser mesmo um pagão verdadeiro tem de cumprir com as premissas do seu paganismo.

Em relação à Alexandrina Maria da Costa (Maria das Dolores??), achei piada àquilo que o Luís escreveu demonstrando um misto de ignorância e de sarcasmo. Mas querem ver agora que o homem está disposto a falar-nos de experiências místicas, logo ele que é todo dado a essas coisas da metafísica? Se acredita que se trata de uma "lenda", então para quê tanto forobodó? Ele que tente antes mas é desmontar com provas, de preferência científicas, as curas que até hoje intrigam os médicos (João Rafael Garcia, João Manuel Leite Ramalho, Carolina Lobo de Almeida Garrett, etc.) em torno dessa "lenda" (entre elas a cura de uma emigrante em França que sofria de Parkinson acamada durante 12 anos), isso sim, é que seria de valor, que é para que os crentes mudem, graças a ele, de opinião acerca dessa mesma "lenda" que afirma que uma mulher frágil e paralítica aguentou-se viva durante longos 13 anos apenas alimentando-se diariamente da Hóstia. Aí a melhor saída seria adoptar a postura dos incréus e dizer algo como "ah e tal, mas isso é porque hoje em dia a ciência ainda não consegue explicar o porquê disso, coiso e tal... mas vais ver que um dia a ciência vai conseguir desmistificar isso tudo, pá!"...

Pois é, em pleno século XXI há quem continue "amordaçado e de joelhos, à volta do Santuário de Fátima", pois Fátima resistiu a tudo e impôs-se, mobilizando anualmente milhões de pessoas, e isso é coisa que incomoda deveras os camónes do contra erradamente convictos de que sem religião, e quando digo religião refiro-me obviamente a católica, o mundo andaria para a frente, o que a História teimosamente parece insistir em não confirmar (pelo contrário, e não querendo estar novamente a repetir-me, basta só lembrarmo-nos do que é que o ateísmo travestido em filosofia comunista fez em poucas décadas do século XX, o suposto "Século da Razão"). Dizer que nada tem contra o que fazem ou deixam de fazer os católicos e depois insinuar directa ou indirectamente que quem vai a Fátima ou que crê nas aparições marianas tem um baixo QI não abona nada em seu favor. De facto, antes estar amordaçado a uma crença quase bimilenar do que estar amordaçado a uma espécie de revolta contra a natureza humana devido a uma mente opaca impenetrável à luz da verdadeira intelectualidade. E essa de achar que isso da excomunhão, quando não é automática (latae sententiae), se dá assim às três pancadas também é boa. Há quem entenda tanto de excomunhão como eu percebo de botânica...

E por falar em Fátima, esse "mito" como também é entendido por certas mentes que acreditam tratar-se de uma "grande mentira" ou um "grande negócio" (é sempre necessário haver opiniões concordantes para alimentar o ego dos incréus, mas nos sítios certos porque senão sabem bem que não conseguem enfrentar a parada), apresentarem provas que confirmem que não há motivos nenhuns para a malta acreditar que Nossa Senhora apareceu por lá, provas essas que dão saúde e fazem crescer, isso agora, estão mas é quietos, que mandar boquinhas desconstrutivas sempre é mais fácil e tem mais estilo. É claro que o Luís sabe, e admite, que ele só goza com estas coisas dos crentes porque "não consegue resistir", comparando a "devoção incondicional e inquestionável" que "cai mais ou menos no ridículo dos amores platónicos e outros não correspondidos" (como se uma coisa tivesse realmente algo a ver com outra), mas isso é simplesmente a opinião dele e ela vale o que vale, do mesmo modo que, assim como há quem gosta de ridicularizar a fé dos outros, os outros também ridicularizam os que não crêem ou pelo menos fazem o correcto que é responder-lhes de volta e defender o que crêem. Mas aí, é claro, já todos sabemos, já entramos no campo do "fanatismo", do "fundamentalismo", com gente a apontar o "dedo inquisitorial" (coisas que curiosamente só existem sempre de um lado). Sim, que do outro lado nunca há fanáticos nem fundamentalistas (que se assemelham a vítimas de lavagens cerebrais) porque esses adjectivos só se aplicam aos religiosos. Já conhecemos a história toda de gingeira, pelo que, no caso da Igreja, o melhor é aplicarmos o seguinte ditado: os cães ladram e a caravana passa...

Mas continuando em Fátima, que fica no concelho de Leiria, sim, é isso mesmo, refiro-me a provas que fundamentem que por lá não se passou mesmo nada, pois quem parece ter mais interesse em provar o que quer que seja são precisamente os que não crêem. Digo isto porque é precisamente esta ideia que o Luís tem de mim e que a expressou na sua posta do dia 14 de Junho e que comenta o que eu escrevi sobre a posição da astróloga Maya perante o alucinado do ex-padreco Mário de Oliveira (ex-padreco, ou seja, já não é mais padre, ainda por cima já foi excomungado, ó comunicação social!) que não acredita que Nossa Senhora apareceu em Fátima. Sinceramente, pouco me importa os que não crêem no fenómeno de Fátima e não preciso, repito: não preciso, de provar o que quer que seja para fazer com que eles passem a acreditar porque, outra vez, pouco me importa os que não crêem no fenómeno de Fátima. A questão é que mais parece que os que não crêem é que estão sempre mais interessados em fazer de tudo para provar que não houve nada em Fátima.

O facto da Maya ter defendido que Nossa Senhora apareceu
em Fátima não significa que eu concorde com as palermices
que ela diz ou faz, pois não passa duma grande charlatã
A probabilidade de um crente ser gozado pelos não crentes é maior do que o contrário ("ah e tal, são supersticiosos, não evoluíram, ainda estão na Idade Média", etc.) e com os mesmos argumentos que usam os que não crêem pode-se sempre fazer exactamente o mesmo de forma inversa. Atacar os "imbecis" que, por não acreditarem que Nossa Senhora apareceu em Fátima, gozam com os que acreditam não é o mesmo que atacar todos os que não acreditam que Nossa Senhora apareceu em Fátima, como erradamente diz o Luís que eu faço, pois nem todos os que não acreditam gozam com os que acreditam e estes, como é óbvio, não têm nada que levar por tabela. Eu tenho amigos que não são católicos, alguns até dizem que não acreditam em Deus, e no entanto eles não deixam de ser meus amigos porque amigos, amigos, negócios à parte. É preciso que as pessoas metam na cabeça que uma coisa é não acreditar e respeitar quem acredita e outra coisa é não acreditar e faltar ao respeito a quem acredita. Ora, quem goza com a crença ou com o crente automaticamente está a faltar ao respeito tanto à crença como ao crente. E, agora é para deixar algumas pessoas surpreendidas, existem até católicos que não acreditam que Nossa Senhora apareceu em Fátima, tal como há católicos que não acreditam que Nossa Senhora apareceu em Medjugorje, na Bósnia, ou em Donglu, na China! Epá, até a barraca abana! Isto no fundo é como os gostos: não se discute. Adiante...

Dixit Hugo Gaspar? Hã?
Ah, mas é claro que o que aconteceu em Fátima não passou obviamente duma enorme encenação, uma combinada histeria ou alucinação colectiva envolvendo algumas dezenas de milhares de pessoas, todas elas com fraca ou nenhuma escolaridade e passíveis de acreditar que o Elvis Presley ainda hoje é vivo, e com um fenómeno cósmico visível a uns bons quilómetros de distância, tendo até o jornal que fez a cobertura do caso, o já extinto O Século, sido comprado precisamente por aqueles que acreditavam no que diziam os pastorinhos, que parece que sabiam misteriosamente que algo ia acontecer onde e quando (teriam eles visto o boletim meteorológico na véspera do acontecimento e enviado cartas por correio azul às pessoas para convocarem uma manifestação já que naquela altura ainda não havia Internet nem telemóveis?), e que eram precisamente, deixem-me cá ver, hmmmmm... nenhum - uma farsa para dar alegrias aos vendilhões lá do sítio, que ainda nem sequer era uma cidade (só se tornou cidade graças a isso), e à indústria das velas de cera, ou algo assim do género, só mesmo naquela de contrariar o provérbio que diz que a mentira tem perna curta -, claro, claro, só pode mesmo ser isso! Como disse o Luís, até o Estado Novo corroborou com essa palhaçada, e se o Luís disse, dito está!

Que chatos que são esses alucinados que crêem em realidades alternativas porque não aconteceu mesmo nada em Fátima e isto é um facto indesmintível! Se as pessoas acreditam nisso sem terem estado naquele local a assistir ao que aconteceu em 1917 então é porque os que não estiveram lá para assistir ao que aconteceu têm razão quando dizem que por lá não aconteceu nada, pá! Então não são afinal os que crêem que não conseguem provar que aconteceu lá algo e que, como tal, tudo não passa duma farsa que consegue a proeza de enganar milhões de pessoas (e não estamos a falar apenas dos portugueses), muitas delas até com altas formações, mobilizando-as todos os anos para aquele recinto, porque há um ditado que diz que mais depressa se apanha um mentiroso que um coxo? Essa gente não pensa, pá! Os que não acreditam em Fátima, e muitos deles até têm poucos estudos mas percebem das coisas do óbvio, é que têm razão! Seus mentecaptos do caraças que só nos aborrecem!

O artigo em questão pode ser lido aqui
Ei, é preciso provar que aconteceu mesmo algo nesse dia e não o contrário!
70 mil pessoas histéricas! Entraram todas em catarse ao mesmo tempo! Que complô!
Coitado do pai do senhor, pois ele na verdade não assistiu a nada porque não houve nada...
O caro Luís dar importância a isso de Fátima, com o qual não deveria sequer perder o seu tempo mas mesmo assim faz questão de o perder porque isso dá-lhe a oportunidade de escrever e falar, é como ele assistir à Missa transmitida na TDM aos domingos de manhã só por ouvir a homilia mesmo naquela do dar cá aquela palha, isso porque como diz deixa a TV ligada, e depois ficar "revoltado" ou com "pena" dos que assistem à Missa do Pe. Stilwell, o reitor da Universidade de S. José (Universidade de quê? Nome de santo? Eu pensava que a Igreja era contra o conhecimento!), que bem deve considerar ele estarem todos a ser tratados como criancinhas, ignorantes ou ovelhas, que, coitados, tratam-se de seres incapazes de discernir o certo do errado e que continuam a ir à Missa desse padreco se calhar só porque sim ou então porque gostam de ser tratados como totós quando na verdade deveriam era clamar pela "sabedoria" do Luís, que está mais que visto que não grama o Pe. Stilwell por ter afastado o "amigo" Eric Sautedé da sua universidade por este afirmar coisas politicamente incómodas para o Governo Central (esta parte é pura ficção) ao fim de sete anos a dar aulas nessa instituição de cariz católica (é o regresso da Idade das Trevas, "caredo"!). É melhor vermos mas é se o Luís não está a desdenhar tanto que até já está a querer comprar apesar de garantir, quiçá jurando a pés juntos, que é sempre mais possível colocar uma bomba na igreja de S. Lourenço do que se converter... Ah, e será que ele tem a certeza que aquilo ali na "idolatria hindu extrema" aqui no meu blogue é mesmo uma tipa? Eu pelo menos tenho muitas dúvidas, mas muitas mesmo...

Esperemos que o Luís não venha nunca a colocar uma
bomba na igreja de S. Lourenço. Não há avó que resista a isso!
Para nos brindar ainda um pouco mais com a sua boa disposição, o Luís provou que não sabe distinguir monoteísmo, a crença num só Deus, de politeísmo, a crença em mais do que um Deus. Agora aqui, curto e grosso: os cristãos só adoram um Deus e os santos não são deuses. Se calhar é o Luís que não sabe que o Cristianismo é abraâmico, ou seja, monoteísta. Para quem não entende nada da matéria, santos e deuses são a mesma coisa, né? Coisas como a latria (adoração) e a dulia (veneração) realmente podem ser conceitos muitos estranhos. Só assim é que nós podemos entender como é que o Luís consegue dizer que, em vésperas do 13 de Maio deste ano, existe uma coisa que para ele se trata de "adoração de Nossa Senhora de Fátima" e que a mesma Nossa Senhora é uma "divindade", pois isso do culto mariano é uma "idolatria" ou um "mito" (de contradição em contradição...). Mais: ele conseguiu dizer-me lá no Facebook que um "bom católico" sabe que o culto mariano é "uma idolatria" (sim, é verdade, ele disse-me mesmo isso!), como que afirmando mesmo isso com a maior das convicções e pondo a mão no fogo quando na verdade é justamente o contrário: um bom católico sabe precisamente que isso não é idolatria coisa nenhuma (mas então os pastorinhos não disseram que Nossa Senhora lhes perguntou se eles queriam consagrar-se a Deus... e não a ela própria?) e que essa acusação é coisa dos protestantes cuja palavra rima com ignorantes.



Parecer não é, pelo menos ainda, o mesmo que ser, e com isto confirma-se que é um perigo deixarmos não-cristãos falarem coisas sobre o Cristianismo, pois falam e afirmam simplesmente o que não sabem com a clara intenção de enganar papalvos (os tais "apoiantes" que o Luís diz ter e que apenas lhes basta ler o que ele escreve para ter o "conhecimento" - que vem do grego gnosis - que ele, um agnóstico - de agnosis, ou seja, sem conhecimento ou ignorância -, tem!) que, devido ao seu alto grau de falta de conhecimento, deixam-se ir na cantiga como a dos mórmones ou a dos testemunhas de Jeová na rua ou à entrada de casa. É que nem original ele foi sequer, pois baseou-se nos argumentos deprimentes dos protestantes e também dos pagãos contra a Igreja. Só quem é burro e que não pensa é cai nessas balelas. É como haver gente supostamente culta e inteligente com pinta de comunista frustrado que faz questão de confundir o Natal com o solstício de Inverno e desejar, no lugar de Feliz Natal, um "feliz solstício" quando na verdade uma e outra coisa por acaso para começar até são em datas diferentes. Ou então afirmar convictamente, porque certamente é isso que andou a ouvir dizer por aí, que a Igreja diz que os animais não vão para o céu porque não têm alma.

Adão: "Minha querida esposa, tu por acaso estás a ver animais aqui?"
Eva: "Eu sou loira mas não sou burra! Não há animais no Éden, pá!"
Sim, porque se alguém disse ao Luís que os animais não têm alma é porque o enganou bem. Os animais não possuem é alma intelectiva, mas sim sensitiva, pelo que não faz sentido dizer que os animais não vão para o céu porque eles não têm a consciência do pecado, logo não estão sujeitos à redenção como os seres racionais que são os homens, caso contrário seria um absurdo! São Paulo até escreveu, na sua carta aos romanos, que "as criaturas esperam ansiosamente a revelação dos filhos de Deus" (mas então e os animais não estavam também no Éden depois de Deus os ter criado e ainda antes de criar o Adão?) e São Francisco de Assis, o padroeiro dos animais, afirmou sim senhor que os animais possuem alma, mas uma alma que não é nem racional nem imortal, o que é diferente da alma humana porque senão não existiria diferença metafísica entre os homens e os animais! Na verdade a Igreja não tem uma posição oficial acerca da vida após a morte para os animais.

Não consigo deixar, contudo, de achar piada ao que o Luís escreveu na primeira parte dessa sua posta do dia 14 de Junho, em que ele comenta o que eu escrevi aqui nesta minha entrada demonstrando que uma vez mais me entendeu errado e o pior é que depois arrasta consigo atrás da sua má interpretação gente que não se identifica e que me acusa de ser "anedótico" ou "tolinho". Eu deixei bem claro que sou contra os energúmenos que caçam animais em vias de extinção por puro divertimento, coisa que curiosamente até é condenada pela Igreja no seu Catecismo, o que não é o mesmo que matar animais por necessidade, e ele desenvolveu todo um paleio surreal que mais se conforma com o ponto de vista vegetariano (ou, pior, vegano) quando na verdade uma coisa nada tem a ver com a outra. E a propósito do vegetarianismo, é incrível como também aí ele consegue meter a religião e a Bíblia para se referir à "mania chata" do "Deus abraâmico" de querer "cordeirinhos" sacrificados, como refere o livro do Levítico, nessa entrada (ele aproveitou até para meter lá o meu nome nesse assunto e escolher a foto, no meio de tantas outras, do cordeiro oferecido em holocausto no Facebook para despertar a atenção de sabe-se lá quem!) porque aparentemente não sabe que, biblicamente, claro está, é o sangue que lembra a repugnância do pecado (existem sempre muitos Obamas dispostos a poupar a vida aos perús nos Dias de Acção de Graças!) porque, ora bolas, Deus, que supostamente criou tudo e deu a vida, isso para quem crê é claro, não pode usar, abusar e mesmo dispensar as coisas que Ele bem entender - não compete a Deus decidir ou pedir o que quer que seja, pelo visto! Se uma pessoa não acredita em Deus devia ficar mesmo por aí, mas não, não acreditar em Deus, ou não saber se Ele existe, não só impede que se busque a Deus como antes pelo contrário!

É verdade sim senhor que nada do que eu diga sobre a Bíblia "no fim não prova que isto não está na Bíblia". É claro que está, isso e muito mais, como o insensato dizer no seu coração que Deus não existe (Salmos 53), que de Deus ninguém zomba (Gálatas 6:7) e que quem não crer (no Evangelho) será condenado (Marcos 16:16). Com ou sem dilúvios (e, já agora, as pragas do Egipto também...), a verdade é que a importância só existe se a derem e, de novo, quando são os não-crentes que o fazem só demonstra que devem ter algum interesse bem secreto na coisa. E não, não é verdade que eu tenha sugerido a morte "a dobrar" aos anormais que caçam os animais em vias de extinção, repito: animais em vias de extinção, como o Luís afirmou tanto no Facebook como novamente na sua posta de Junho: quanto muito exijo reciprocidade. Se, como eu defendo, esses gajos são seres desprezíveis que não fazem falta nenhuma neste mundo, e uma vez que já nasceram para cometer atrocidades, a solução passa por não os ter neste mundo mesmo. Naturalmente que a reacção do meu amigo seria diferente se eu desejasse, como eu desejo, o mesmo aos jihadistas do Estado Islâmico ou demais terroristas, né? Deve ser mesmo tudo uma questão de perspectiva...


E não é verdade que eu acho que os gays "estavam bem a fazer de combustível à fornalha das locomotivas". Apesar de ser contra o "casamento gay", e isso porque a instituição casamento, de origem religiosa, não foi feita para eles, e de não achar certo aquilo que para mim e muitos não passa de um desvio que se chama homossexualidade, eu não desejo, nunca desejei, nem tampouco exortei à morte dos gays, e desafio o Luís a procurar aqui no meu blogue, no Facebook ou noutro lado qualquer algo que prove aquilo que ele diz de mim (ser contra a homossexualidade não é necessariamente o mesmo que ser contra os gays enquanto seres humanos). Bem sei que o Luís é contra todo o tipo de violência, e acredito que ele nunca terá sequer alguma vez levantado a mão ao seu filho, mas ele precisa de entender que a justiça não se compadece perante os seus caprichos estilo hippie do make love, not war. Com certeza que ele saberá melhor que ninguém perdoar alguém que faz mal ou mata algum ente querido seu com uma misericórdia ainda mais cristã que aquela que eu alguma vez serei capaz de mostrar. Eu, pecador, me confesso, até porque, enquanto ser humano, sou regido por leis fisiológicas limitadas no espaço e no tempo...

Saudável harmonia entre o Luís e o seu filho que é macaense como eu. E viva Portugal!
A sorte mesmo é que, do mesmo modo que há gente que fala muito e ataca a Igreja, também há sempre gente que, como eu, adora cascar nas (des)crenças dos não-católicos, tipo o acne nas caras borbulhentas. Ao menos eu não caio na falácia hipócrita de dizer que respeito "todas as religiões", e aqui incluo também o ateísmo e o agnosticismo que não passam no fundo de duas formas de "religião" porque também possuem "dogmas", contradizendo-me depois com piadinhas, insinuações e ataques às mesmas (ou simplesmente à Igreja Católica). Pior mesmo são os confusos até ao tutano que dizem respeitar "todas as religiões" e depois, volta e meia, conseguem a proeza de dizer que querem mais é que "todas as religiões" se fecundem.

Eu admito que, precisamente por acreditar na Igreja Católica, não tenho problemas nenhuns em criticar e atacar as crendices dos outros (como diz o líder do Partido da Liberdade da Holanda, Geert Wilders, o meu problema não é com os muçulmanos mas sim com o islão, pois com os "muçulmanos não-praticantes" posso eu bem!), pois não sou relativista nem quero cá caixas de Pandora. Se achasse que tanto faz ter uma religião qualquer, mais valia não ter religião sequer. Um bom católico é assim mesmo: sabe que acredita no que está certo e que os que não acreditam no mesmo estão errados. Os mais sensíveis e relativistas dizem que isso é tudo "fanatismo" ou "fundamentalismo", mas olhem, que chatice, que se lixe, pois próprio Deus também não agradou a todos e isso é coisa que até o improvável Cristiano Ronaldo sabe. Há quem diga que eu sou "crente, tão mas tão crente". Isso é normal. Por outro lado, para contrastar, há sempre pessoas que são descrentes, tão mas tão descrentes... E é por isso que eu, que não sou relativista, é que posso dizer com grande à vontade que quero que todas as outras "religiões" que não o Cristianismo, entre elas o ateísmo e o agnosticismo, se fecundem todas.


O meu caro amigo Luís que me desculpe, mas só demonstra, por aquilo que escreve, que está só a querer acreditar no que afirma: eu sou a prova provada do contrário daquilo que ele julga. Refiro-me a isso de achar que, quanto mais se sabe, mais tendência tem para se afastar da Igreja, coisa que não procede. Isso acontece é quando aquilo que se sabe está errado, pois muitos se converteram precisamente depois de saberem mais e o que não falta por aí são casos de protestantes, ateus, agnósticos e até mesmo muçulmanos convertidos. Eu próprio passei de agnóstico a pagão ecuménico adepto da New Age até voltar, com muito estudo e investigação, à casa do Pai como filho pródigo. A partir do pressuposto que ele afirma que se permite e encoraja questionar-se, tudo o que afirma não passa de um resultado das suas próprias dúvidas e das referentes "conclusões" a que chegou e passou a chamar a isso "verdade" (ele próprio admite isso no último parágrafo dessa sua posta de Abril). É, portanto, a verdade que aceitou como sua, e o pior é que está a querer impô-la, como se nós é que fôssemos uns coitadinhos de uns ignorantes ou aleijados mentais que "não sabem questionar por causa da sua fé" e que precisam desesperadamente dessa "luz esclarecedora e libertadora da razão" que parte de gente como ele (qualquer analogia com o apelo ateísta à libertação do homem das malhas da religião castradora é pura coincidência - e não é que por acaso o Luís até chegou a dizer que eu faço julgamentos turvos pelo "veneno da religião"? Ah, pois, afinal...). O facto de dizer que sabe que eu fiquei "impressionado" já demonstra que toma a visão dele como sendo absolutamente verdadeira, qual dogma poderoso, pelo que lamento imenso desiludi-lo. Não só não fiquei impressionado como até fiquei farto, pois tantos são os protestantes e demais inimigos da Igreja que vêm sempre com a mesma converseta da treta. Existe certamente aí uma conspiração qualquer.

Aconselho-o, como já fiz aqui neste texto que já vai longo, a procurar manuais ou fontes minimamente credíveis que lhe possam elucidar sobre a Igreja, já nem falo dos que são clara e tendenciosamente cristãos que é para não o deixar horrorizado. Mesmo que à partida ache que não vale a pena consultar escritos de católicos, pelo menos que o faça numa de cruzar posteriormente os dados que é para poder pelo menos comparar, raciocinar e quiçá chegar a conclusões que não as que fontes de sentido contrário conduzem. Não falo apenas da relação entre a Igreja e a ciência, que não é nada daquilo que lhe incutiram na cabeça, mas sim de tudo. Muitos anticristãos fazem uma caricatura da Igreja através das imensas aldrabices e imposturas anticristãs fabricadas e historicamente perpetuadas, rejeitando-a sem saberem realmente como ela verdadeiramente é.

Foram mais as pessoas que morreram em
nome do não-Deus. Que triunfo e pêras!
Uma interessante análise sobre a duplicidade de critérios de acontecimentos históricos
E ainda bem que os "erros" da Igreja já foram perdoados (sem argumentos para contrariar as faltas da Igreja? Oi?), pois um certo Papa do século XX se lembrou de pedir perdão por eles. Só falta agora todos os outros que também pecaram fazerem o mesmo. Já agora, será que deveríamos sentir-nos eternamente mal por sermos descendentes de escravizadores? Ou será que só a Igreja é que andou a "errar"?

Ah, e o Luís não precisa de se preocupar tanto com a Igreja, a sério, procure antes deixá-la mais assim de lado que ela não vai abaixo por muito que sejam os ataques mais ou menos rasteiros contra ela, embora seja mesmo verdade que quando o assunto é a Igreja geralmente se consegue sempre feedbacks consideráveis... Afinal de contas ela já dura há quase 2000 anos e nós haveremos de ir com os porcos primeiro antes dela, por muito que isso custe a imensa gente que deseja e desespera até ao tutano vê-la já extinta.

Não ser católico e fazer questão de afirmar que não é anticatólico, mas depois falar tantas vezes da Igreja, criticá-la, gozar com ela, etc. é obra - talvez do demo? - e não deixa de ser curioso, só para não dizer elucidativo e sintomático. Mas o que é que importa, por exemplo, para um não-católico o que fazem os peregrinos em Fátima? Isso incomoda-o? Talvez esteja é bastante impressionado por hoje em dia ainda haver gente que defende a Igreja, coisa que parece que lhe faz imensa confusão, o que é normal, pois há sempre gente que não está disposta a papar grupos. E eu posso garantir a todos os leitores que ainda existem muitos assim, sendo muitos deles convertidos já em fase adulta por iniciativa pessoal depois de terem experimentado coisas como o agnosticismo ou o ateísmo e não católicos só porque a mamã ou o papá assim fizeram deles por uma questão de herança/tradição familiar. E não me refiro a pessoas que só dizem o que dizem porque lhes obrigaram a dizer o que dizem sem se questionarem à base do "medo e da superstição" (superstição não é uma palavra que se encaixa na Igreja porque é coisa dos pagãos), mas sim pessoas que argumentam, com provas e factos, o porquê de crerem no que crêem. Na verdade, aprender a pensar é até um desafio católico, como afirmou o escritor inglês G.K. Chesterton, que se converteu do protestantismo anglicano ao Catolicismo, e o verdadeiro céptico não é aquele que não crê em nada mas sim aquele que crê em tudo devido à fé irracional na razão, bastando para isso que tudo esteja chancelado com o aval da comunidade científica. O que não falta são grandes vultos em várias áreas do conhecimento que são católicos e não consta que eles se sintam como carneiros "ignorantes ou temorosos". Muitos deles historicamente contribuíram com muito para este mundo e para a humanidade, como fez a própria Igreja, coisa que talvez, digo eu, muitos agnósticos e ateus não devem ter feito...

Igreja da Sé, em Macau, com muitos "enganados" que não se questionam "por causa da sua fé"
Deixem-me no entanto questionar aquilo que ele afirma no seu último parágrafo dessa sua antiga posta como se fosse de facto o dono da razão: conhece ele todas as pessoas que vão à Missa aqui em Macau (já nem falo à escala global)? Tem a certeza ao ponto de poder afirmar convictamente que todas as pessoas que vão à Missa em Macau são assim como insinua? Acredita mesmo lá no fundo dos limites da sua compreensão que as pessoas só vão à Missa porque têm medo de "um Deus que castiga se se portarem mal", algo que foi "imposto às pessoas durante séculos", como se fossem todos uns reféns voluntários? Sabe se elas não rezam e vão à Missa porque efectivamente querem ou sentem a necessidade de o fazerem e não porque caso contrário a avó fica chateada com elas? É verdade que, tal como afirmou o Pe. António Vieira, antigamente baptizava-se os convertidos e hoje em dia é preciso converter os baptizados, mas acredita mesmo ele que as pessoas vão à Missa só porque sim, como se fosse por frete? Bem sabemos que a maioria dos que se dizem "católicos" é "não-praticante", ou seja, é gente que diz que é "católica" mas só de boca para fora, mas isso não quer dizer que devemos considerar que os que pelo menos vão à Missa são um bocadinho mais "católicos" que os "não-praticantes"?

Cá para mim não é de todo normal um não-católico assistir à Missa mesmo que seja na TV (e é agora que entra o argumento "mas é que nos outros canais não dá nada de jeito àquela hora"...), seja lá por que motivo for, até mesmo para gozar. Afinal a minha fé não me impede de fazer questões e neste aspecto pelos vistos muitas são as interrogações que possivelmente não passam de retóricas. E parece que consta que o número de católicos no mundo, e não apenas em Macau (basta vermos o número de baptizados que há anualmente), tem vindo a aumentar (excepto na Europa cuja civilização do qual herdamos os seus valores e princípios foi irónica e curiosamente construída pelos cristãos, como o Luís muito bem sabe e já chegou a admitir numa outra posta sua, devido à apostasia e à ditadura do relativismo, portanto admite que herda princípios de algo que insiste em atacar, qual cão que morde a mão de quem lhe dá de comer). Sinal de que o ateísmo e mesmo o agnosticismo triunfaram mesmo claramente? Ou será que as pessoas gostam é de ser "enganadas, coagidas, intimidadas e ameaçadas"? Quão fértil é a ilimitada imaginação do camarada! Mesmo no século XXI ainda há sim pessoas que se agarram à fé, à Igreja e que, imaginem!!, fiam-se na Virgem... de Fátima, ou de Lourdes, ou de Guadalupe! Os incréus não conseguem encaixar isso e depois ficam assim, como que completamente atrofiados...


E pronto, é basicamente isto: apesar de eu já ter passado da fase infanto-juvenil/adolescente dos porquês, por mais contraditório que pareça, tenho sempre muitas perguntas às quais ainda não tenho respostas, não apenas a nível religioso (e aí abre-se um parênteses porque não me refiro aos dogmas, que são poucos) como também em tudo, e é por isso mesmo que vou sempre aprendendo nesta enorme viagem de aprendizagem que é a vida; já o camarada Luís... também! É que ele próprio afirma que chegou a "conclusões" depois de as ter procurado sozinho, tal como eu! O que nos difere é que no caso dele as "conclusões" são as mesmas dos protestantes, pagãos ou ateus, "conclusões" essas às quais eu também já cheguei no passado e que me levaram a experimentar o agnosticismo até que em boa hora aprendi a rebatê-las. A persistência voluntária no erro quando existem hoje em dia tantas informações e ferramentas que ajudam a sair dele poderá conduzir a casos com contornos verdadeiramente problemáticos, como se fosse alguma espécie de birra ou algo muito mal resolvido que atormenta a alma e que a leva a rejeitar as coisas tal como elas são. Talvez o "sim" do Luís seja na verdade assim menos para o dogmático e mais para o flexível, com a possibilidade de alterações, não sei, talvez qualquer coisa que tenha a ver com uns tais "poderes hipnóticos" que ele diz não reconhecer nele.

Já todos sabemos que hoje em dia existe a liberdade de fazer imensa coisa, como por exemplo roubar, matar ou falar mal da Igreja (o hóbi favorito de muita gente), mas por outro lado todas as causas têm os seus efeitos porque nada acontece por acaso (ou será que, à luz da "deusa ciência", as coisas podem surgir do nada sem nenhum motivo aparente?). Diz ele que os crentes enfrentam um "dilema que infelizmente ninguém lhes pode valer" e que tem a ver com o "medo de estarem a acreditar na maior mentira de toda a História". Não vejo o porquê dessa sua afirmação. Ora, haverá quem consiga realmente provar que é de facto uma mentira? E, sabendo que pode ser uma mentira, a solução passa então por não acreditarmos porque se perde tempo e limita-nos de alguma forma? Eu prefiro achar que os que crêem é que não têm absolutamente nada a perder. E lembrei-me, assim de repente, da Aposta de Pascal. Prefiro, pois, mesmo acreditar, e depois? Ora, se for realmente uma mentira, ainda por cima das mais cabeludas, mas daquelas que já estão mesmo a durar tanto tempo que até já chateia, logo veremos. Existem mentiras capazes de construir civilizações, culturas, fontes de Direito, moral, etc? Ah, "cagandas" mentiras!

De já termos andado a trocar "galhardetes" algumas vezes, creio que o Luís já tem uma ideia de como eu sou. Se ele sabe e afirma que o pescoço dele é "inquebrável", pois agora de certeza que já reparou que o meu também é tão duro quanto o dele. Sem rancores nem ressentimentos, porque no fundo cada um de nós defende apenas a sua dama, ainda que muitas das vezes com alguns excessos, concluo assim esta minha longa posta enviando-lhe um sincero grande abraço porque eu continuo a ter para mim que ele é um tipo porreiro, embora com alguma pancada que faz sempre falta a qualquer um de nós (porque é que haveríamos de ser sempre assim tão sérios?). Ele chegou mesmo a dizer lá no blogue dele que me adora (e ninguém vai levar isso para o lado perverso ou para um contexto religioso - não vá ele estar a cometer "Hugolatria"!) e eu a ele também lhe devo respeito até porque para começar somos amigos e, afinal de contas, somos humanos e ninguém é perfeito. Isso, a perfeição, deixemos com Deus.

18 comentários:

VSM disse...

Os investigadores Joaquim Fernandes e Fina D'Armada dizem que Fátima está relacionada com o fenómeno OVNI. Já li o livro, está muito bem documentado e aborda o tema de uma forma respeitosa.

FireHead disse...

Bom, segundo o fenómeno da panspermia, também os seres humanos têm origem extraterrestre. Partido do princípio que Deus não é terrestre, então podemos concluir que Deus é um ET? Acho que faz sentido. Se Deus se fez Homem na pessoa de Jesus e veio ao mundo então é porque veio de fora do mundo, logo é ET. Quanto a Fátima, é possível que esteja relacionado com o fenómeno OVNI. Trata-se da visita de uma humana ao seu próprio planeta depois de ter saído fisicamente dele. :)

Afonso de Portugal disse...

Credo, Fire! Não dava para teres publicado isto às prestações?

Anónimo disse...

Nem li.

Anónimo disse...

Como se não bastasse franceses matando-se as dezenas , não se para as picuinhas entre cristãos .
Precisamos de união , chega de divisões e ódio!

Anónimo disse...

Fiquei até com pena do coitado.

FireHead disse...

Anónimo das 05:37,

Quando tiveres tempo podes ler. Acho que é bastante útil. :)

FireHead disse...

Anónimo das 05:44,

E isso tem alguma coisa a ver directamente com esta entrada? :O

FireHead disse...

Anónimo das 06:02,

Não fiques com pena dele, pois ele é um tipo muito firme nas suas convicções. E se ele é feliz assim, o que é que podemos fazer? Cada qual tem a sua vida e faz dela o que melhor entender. Se ele é assim e é assim que ele quer continuar a ser, o que é que se há-de fazer?

FireHead disse...

Afonso de Portugal,

Eu ainda cheguei a pensar nisso, mas depois achei melhor lançar logo a bomba toda inteira. Na verdade eu já tinha começado há mais de meio ano a escrever este artigo e depois fui aos poucos acrescentando coisas, só que entretanto acabou por ficar "na gaveta" até que me lembrei dele! E lembrei-me porque recentemente estive a conversar com ele lá no Facebook sobre a questão dos refugiados e dos terroristas.

Hoje ele lá voltou a falar de Nossa Senhora de Fátima baseado num artigo do sítio católico Aleteia. É como eu disse aqui, o homem não larga a Igreja... precisa mesmo dela! Como disse o outro, "falam mal de mim, mas falem de mim"... Ah e bateu na tecla errada de que a Igreja está a perder crentes. Está errada por duas razões: o número de crentes efectivamente aumenta porque há cada vez mais gente católica a nascer e também muitas conversões a acontecer (ele com certeza que se refere é apenas ao Ocidente, que é a excepção). E é errada também porque os verdadeiros crentes não deixam a Igreja; os que deixam são os crentes da treta ou então os que nunca foram crentes, portanto não deixa de ser uma vitória para a Igreja.

Anónimo disse...

Aqui está um pouco de leitura obrigatória sobre a forma como americanos (judeus) neoconservadores planejado, organizado e realizado a desestabilização de certos países do Oriente Médio em nome de Israel que conduz ao desdobramento que está afetando a Europa está agora .........

http://www.scribd.com/doc/289489837/Syria-The-Crime-of-the-Century#scribd

FireHead disse...

Anónimo das 10:44,

Adepto do Plano Kalergi?

Anónimo disse...

Esse tipo é um palerma. No fb anda sempre a fazer publicidade do que escreve no blog, parece que tem necessidade de aparecer.

Viste a última dele? Fátima pede respeito mas não se dá ao respeito... fdx, mas QUE MERDA É ESTA?!??!? É como vc diz, o gajo não larga a Igreja, não larga Fátima, é um cachorro que não larga o osso!!! Mas qual respeito? eLe arranja sarna para se coçar, fala do que não sabe, inventa, ofende e depois ainda se arma em dono da verdade. Só pode ser algum trauma.....

Anónimo disse...

O filho dele é rafeiro?? Q cara! kkkk

FireHead disse...

Anónimo das 19:48,

LOL, ele qualquer dia ainda se converte mesmo. Só espero é que antes disso acontecer ele não ponha uma bomba na igreja de São Lourenço, pois foi lá que eu fiz a catequese. :P

Deixa-o lá falar, ele precisa disso. É tão agnóstico que a Igreja o incomoda muito, ao ponto de escrever coisas sobre isso tanto no blogue como no Hoje Macau. E o mais incrível é como lá no jornal haver gente que também vai na cantiga. De certeza que, se houver católicos a trabalhar nesse jornal, devem ser católicos da treta. :P

Como eu escrevi, ele é um tipo porreiro e não deixa de ser meu amigo apesar desses ataques anticristãos. Então eu aqui não faço o mesmo? Também farto-me de cascar no ateísmo, no agnosticismo, nas seitas, etc...

FireHead disse...

Anónimo das 20:16,

Um mestiço para sermos mais delicados. A mulher do Leocardo é chinesa. Sei que ele andou uns tempos separado da mulher e parece que andou envolvido com outra mulher, mas entretanto lá parecem ter acertado as coisas. :)

O filho dele é como muitos macaios luso-descendentes de primeira geração, que não são nem carne nem peixe. Aqui em Macau os chineses dizem que ele é "cuai jai", mas lá em Portugal já passa perfeitamente por chinoca. É uma questão de perspectiva e um "fardo" que muitos mestiços de primeira geração têm de carregar. :P

Por acaso eu também sou mestiço, mas de segunda geração, e tanto em Portugal como aqui em Macau ou na China eu sou e sempre fui "cuai lou". :)

19 de novembro de 2015 às 21:16 Eliminar

Lura do Grilo disse...

Não vale a pena discutir com broncos

FireHead disse...

Lura do Grilo,

Os trolls só existem se os alimentarmos. O problema é que os trolls fazem de tudo para serem alimentados. :)