sábado, 28 de novembro de 2015

A única coisa que a França deve a Benzema é a expulsão


O jogador de futebol Karim Benzema protagonizou um dos episódios mais lamentáveis da semana. Antes do início do jogo entre o Barcelona e o Real Madrid, os organizadores executaram A Marselhesa, em homenagear as vítimas do atentado em Paris. Ao final do hino francês, Karim Benzema deu uma cusparada como protesto. Karim Mostafa Benzema é francês filho de argelinos. Segundo ele, a letra do hino nacional de seu país é xenófoba. A atitude desrespeitosa com as vítimas do atentado fez com que a deputada e ex-ministra Nadine Morano sugerisse que o jogador seja expulso do país. Justo. 

A alegação imbecil de Benzema se baseia no trecho em que "Às armas, cidadãos / formai os vossos batalhões / marchemos, marchemos! / Que um sangue impuro / banhe o nosso solo." Benzema estudou história quando criança, e deve ter aprendido que a letra do hino é de 1792. Na época, a França estava ocupada por exércitos estrangeiros que apoiavam o Antigo Regime. Sangue impuro também se refere aos antagonistas da Revolução. Se é verdade que a Revolução Francesa foi exemplo de autoritarismo, também é verdade que não havia a tal xenofobia descrita por Benzema e outros tantos cidadãos franceses de origem árabe. 

Ainda que fosse verdade, talvez a saída para o impasse é que os ofendidos retornassem a seus países de origem. Se um indivíduo escolhe viver em um país que considera xenófobo, deve ser por sua conta e risco. A família do orgulhoso franco-argelino Benzema não estava na França quando a letra foi concebida. Ela optou migrar para lá por considerar que ali teria melhores condições para criar o seu filho ingrato. Eles só tem o dever de agradecer à França pela oportunidade de uma vida melhor do que aquela que fatalmente teriam em África. 

Benzema se coloca como moralista, mas há um episódio recente muito mal explicado, que também envolve o seu colega na selecção francesa Mathieu Valbuena. Valbuena passou a ser chantageado por ligações anónimas, que pediam dinheiro para que não divulgassem uma fita de vídeo contendo cenas de sexo do desportista com a sua namorada. Valbuena procurou a polícia, que o orientou a observar a reacção das pessoas do seu círculo de amizade. Foram detidos todos os que tentaram persuadir o jogador a pagar o valor cobrado pelos chantagistas. Um deles, Djibril Cissé (também da selecção francesa) foi logo libertado. Para a Polícia, não havia ligação entre Cissé e os chantagistas. Porém com Benzema foi diferente: depois de 24 horas sob custódia, Benzema confessou ter conversado com Valbuena a pedido de um amigo de infância. Ainda segundo ele, o amigo teria sido contactado por três extorsionários que estavam de posse do vídeo íntimo. Tudo muito estranho. Como se vê, Benzema é tão moralista quanto um dos mentores dos ataques em Paris, um francês muçulmano radical que tinha o computador repleto de pornografia gay. É esse o sujeito arrogante que se ofende com alguns versos do hino francês. 

Pior do que a falta de carácter de Benzema e a sua ingratidão com o seu país é a sua falta de respeito com as vítimas do atentado. No momento em que os os organizadores do jogo tentavam homenagear as vítimas, o moralista de bordel só queria chamar a atenção para si e para a sua causa particular. 129 mortos por radicais islâmicos que entraram no país como refugiados não importam, o que importa é a xenofobia de uma letra. 

Diante da repercussão negativa, o jogador tentou defender-se taxando as acusações como "escandalosas", que o seu gesto é natural dentro de campo. Covarde que é, Benzema afirmou por meio do seu advogado que "embora não tenha por que se justificar", ele havia inclusive manifestado solidariedade aos mortos no atentado. Mentira. Caso houvesse sido aplaudido, teria reafirmado o seu gesto porco de menosprezo às vítimas dos seus irmãos de fé. 

Ainda bem que gente como Nadine Morano passa a ter voz na política francesa, tão marcada por socialistas inconsequentes e direitistas covardes. Segundo ela, as vaias ao hino por parte de torcedores de origem árabe tem que acabar, principalmente depois dos atentados. Como Benzema é uma figura de destaque, deve servir de exemplo. Morano salientou que a cusparada foi feita justamente no final do hino, o que "se enquadra em desprezo e insulto às vítimas, suas famílias e toda a nação". "Todo o mundo sabe o fascínio da juventude por jogadores de futebol. Os jogadores precisam mostrar o seu melhor comportamento. Ele não é digno de vestir as cores da selecção francesa", completou. 

Benzema é tão cínico que chega a colocar a sua participação na selecção francesa como um favor que ele faz ao país, como se isso não trouxesse um imenso retorno profissional e financeiro para ele. Não, é ele quem deve tudo o que tem à França. Se fosse jogador da selecção da Argélia actuando no futebol local, não ganharia nem um quarto do salário milionário que recebe, não teria os gordos patrocínios ou o prestígio internacional. Se não fosse jogador então seria um cidadão pobre como a maioria. Enquanto um cidadão francês tem uma renda per capita de U$ 45.383, na Argélia ela é de US$ 5.886. Não há nenhuma justificativa para esse comportamento bárbaro. O caso de Benzema deve servir de exemplo para a sociedade francesa, que deve ficar mais atenta para não acolher quem se comporta como o cão que morde a mão que o alimenta. A única coisa que a França deve à Benzema é a expulsão.


4 comentários:

RICARDO DA SILVA LIMA disse...

Eu só digo uma coisa: vai tomar @$ %$, Benzema.

Se não está satisfeito, "vaza" da França, seu imbecil.

FireHead disse...

Ele, vazar? Isso é que era bom!

Será que quando a Marine Le Pen for presidente as coisas mudarão? Vamos esperar que sim.

Ivan Baptista disse...

Ainda me lembro quando a frança venceu o mundial 98, fiquei muito contente por não ter sido o arrogante Bráziu :)
A selecção Francesa é muito multicultural, dai secalhal o seu sucesso ?

Independentemente da resposta, eu já estou como o RICARDO DA SILVA LIMA, vai tomar @$ %$, Benzema, Se não está satisfeito, "vaza" da França, seu imbecil. :-D

FireHead disse...

Não. O sucesso deveu-se à qualidade futebolística dos seus jogadores. A Alemanha, a Itália ou a Inglaterra já foram campeões do mundo com jogadores exclusivamente brancos.

Não tenho nada contra o facto de selecções europeias terem pretos, amarelos, vermelhos ou até mesmo verdes, mas só na condição sine qua non de representarem fielmente a população dos países. Se a maioria da população europeia é branca, é óbvio, normal e natural que a maioria dos jogadores que compõem as selecções europeus têm mais é de ser branca. Na África do Sul os tipos decidiram criar quotas para a selecção de râguebi, visando limitar o número de brancos em favor dos pretos. A decisão está certa, a meu ver, porque a África do Sul é de maioria negra. Mas se o mesmo acontecesse na Europa, cairiam logo o Carmo e a Trindade porque seria um verdadeiro acto de racismo vergonhoso.