domingo, 19 de julho de 2015

Nação e Igreja são equivalentes


Esta notícia já é de 2008, ainda por cima é do jornal Público, mas não deixa de ter de certa forma alguma graça: de acordo com o projecto International Social Survey Programme (ISSP), 68,5% dos portugueses identificam a religião católica como parte da identidade nacional, equivalendo a Igreja à Nação, um "retrato consistente" que talvez surpreenda e contrarie a imagem que os portugueses têm de si próprios. Na União Europeia, apenas a Polónia e a Bulgária dão mais importância à religião que Portugal e no resto do mundo as católicas Filipinas ocupam o primeiro lugar, à frente da pátria judaica que é Israel, da África do Sul e da Venezuela. Para explicar tal ligação entre a Igreja e Portugal, o historiador José Sobral, um dos coordenadores do estudo, falou do óbvio, ou seja, do passado de Portugal, como é o caso da própria origem da Nação, completamente ligada de forma íntima ao Cristianismo e que só os mongas é que negam. Na época medieval, os portugueses viam-se e eram apontados, "nas narrativas nacionalistas", como tendo uma "relação especial com Deus", sendo "uma espécie de povo escolhido a quem fora dada a missão de espalhar a fé pelo mundo", um sentimento que foi reforçado de modo a legitimar a expansão imperial. O mesmo artigo indica também que um outro bloco do inquérito do ISSP colocou Portugal entre os cinco países que mais orgulho manifestam na sua História.
O grande António de Oliveira Salazar já dizia muito bem que "Portugal nasceu à sombra da Igreja e a religião católica foi desde o começo elemento formativo da alma da Nação e traço dominante do carácter do povo português. Nas suas andanças pelo Mundo - a descobrir, a mercadejar, a propagar a fé - impôs-se sem hesitações a conclusão: português, logo católico". Para quem não sabe, as cinco quinas da nossa bandeira representam os cinco reis mouros derrotados por D. Afonso Henriques, o primeiro rei de Portugal que era também um valoroso cavaleiro cristão, e os besantes das quinas significam as cinco chagas de Cristo associadas ao "Milagre de Ourique". Reza a lenda que com as quinas e os besantes, D. Afonso Henriques profetizou que os portugueses, ou seriam fiéis à cruz de Cristo, ou seriam uma cambada de traidores apóstatas, tilintando no fundo das suas algibeiras as 30 moedas de prata da traição do Judas (a soma dos besantes, sendo que as do centro se contam duas vezes, dá 30). Ele não podia estar mais certo: de um lado os portugueses verdadeiros e de outro lado os falsos, coisa que se verifica muito bem nos dias de hoje!

2 comentários:

Lura do Grilo disse...

Tenho pena que a Igreja não seja mais activa a propagar o seus valores nem que fosse do púlpito.

Ontem na missa da noite uma menina de, talvez quatro anos e uma carinha linda de morrer, subiu para o altar, sentou-se ao lado do organista e ali ficou tentando tocar as teclas.

Que custava o Padre, que se calhar não a viu, pegar-lhe ao colo, mostrá-la aos fiéis e dizer:
- Vejam, esta é também a nossa igreja viva. Agora ide, mostrai indignação pelo aborto e protestai onde puderdes

FireHead disse...

Infelizmente, meu caro, a Igreja actual, conciliar, está moribunda. Só se mostra activa, muitas das vezes, para fazer o que não está certo. E para piorar ainda mais as coisas temos um Papa como este que faz as delícias dos não-cristãos e dos cristãos da treta. Por um lado eu fico triste porque custa ver a Igreja a perder fiéis (no Ocidente, atenção!), mas por outro lado fico contente porque pelos vistos as profecias estão-se mesmo a cumprir.