segunda-feira, 26 de setembro de 2016

O futebol e a Fé (II)

O Euro 2016 já lá vai, mas trago-vos hoje aqui um tema interessante suscitado pelo sítio conservador dreuz.info: o futebol voltou a ser cristão.

Stéphane Beaud
O grande número de conversões à seita islâmica permitiu a dada altura pressagiar uma vitória islâmica no futebol francês. Em 2011, o sociólogo Stéphane Beaud escreveu que "Num contexto em que aumenta em certos bairros o número de filhos de argelinos ou marroquinos, que se tornaram no grupo maioritário em termos de morfologia social, estes conseguem impor mais eficazmente as suas normas religiosas e sociais, especialmente nesse momento de hesitação na definição da identidade que é a adolescência. Em bairros com alta (e crescente) representação de norte-africanos, é manifesta a maior visibilidade do Islão (mesquitas, açougueiros halal, etc.), a prática dominante desta religião, o controlo social ampliado do cumprimento das proibições e a conversão de grupos minoritários (pessoas originárias das Antilhas, os chamados 'gauleses', etc.)".

Em 2013, Daniel Riolo disse, aquando do lançamento do seu livro Racaille Football Club, que "O Islão é a primeira religião na Primeira Liga (Francesa)", descrevendo que a seita islâmica vai invadindo as equipas de futebol, com os jogadores muçulmanos a exigirem comida halal, "oração" nos vestiários, banhos em calções, etc. Em 2010, esta realidade islâmica foi imposta a toda a selecção francesa, como o episódio Knysna demonstrou: imposição de comida halal a todos os jogadores da selecção francesa, ritos muçulmanos e leis religiosas islâmicas. O antigo guarda-redes Fabien Barthez chegou mesmo a declarar: "Quando entramos no vestiário da selecção da França, é como se entrássemos numa mesquita".

Aliado à afirmação identitária islâmica está o proselitismo, fazendo com que haja uma islamização na Ligue 1, denunciada em 2015 no documento intitulado Le sport amateur vecteur de communautarisme et de radicalité ("O desporto amador enquanto vector de engajamento e radicalização"). Nos últimos anos, todavia, tem-se assistido a uma nova tendência: a de jogadores franceses afirmarem-se ostensivamente cristãos. As equipas de França são historicamente compostas de católicos, pois a Igreja Católica é a religião maioritária de França. Não é por acaso que a França era conhecida como a Filha Predilecta da Igreja.

Yoann Gourcuff
Aparece agora o fenómeno oposto. "Hoje, os jogadores católicos franceses interessam-se mais por Deus, e não se escondem. Eles seguem o exemplo dos muçulmanos e dos jogadores da América do Sul", confirmou um dirigente de um clube que deseja permanecer anónimo. A ostentação da religião pelos muçulmanos, provavelmente, "desinibiu" os outros e a religião tornou-se num assunto frequente, mais do que a política. "Os jogadores de futebol passam muito tempo em viagem, e conversam sobre religião e sobre as suas respectivas culturas. Eles são curiosos e abertos. Há muitas troca de ideias entre eles", disse o mesmo dirigente. "Trata-se de uma forma de reacção de identidade: se os outros jogadores se dizem muçulmanos, então o que somos nós? Não podemos dizer: 'Nada'. Então dizemos que somos cristãos". Esta identificação é em parte o resultado dos excessos do islão comunitário com o Mundial de 2010, na África do Sul, a conhecer o seu auge: o grupo dos convertidos à seita islâmica tornou-se cada vez mais reivindicativo: Franck Ribéry, Nicholas Anelka, Éric Abidal. O então jogador da equipa nacional Yoann Gourcuff, actualmente no Rennes, foi desprezado por motivos étnico-religiosos e condenado ao ostracismo. Sendo já uma minoria, o branco deve ser assimilado e converter-se à invenção do falso profeta Maomé (como fez Ribéry), caso contrário permanecerá isolado. Ou então, pode identificar-se com outra comunidade de fé e reencontrar a sua cultura original. Este último desenvolvimento tem sido ajudado pelo testemunho de jogadores estrangeiros

Raymond Kopaszewski, mais conhecido por Kopa, é um antigo futebolista francês de ascendência polaca. Já com 84 anos de idade, ele que foi um dos melhores jogadores franceses de sempre, disse que "Nós no norte, éramos de segunda-feira a sexta-feira contra os franceses. Mas sabem o que nos reaproximou? É que todos os domingos encontrávamo-nos na igreja. Polacos, franceses e outros. Foi um factor unificador, uma medida de reconciliação geral".

A mãe de outro grande craque francês de todos os tempos, Michel Platini, de ascendência italiana, dava catequese em sua casa, atraindo sempre muitos miúdos.

O também antigo jogador e treinador francês Guy Roux, hoje com 77 anos, lembra que "Quando tínhamos aprendido bem o Catecismo, íamos ver um jogo de futebol". Já como treinador, "Lembro-me de que, no meu clube, o AJ Auxerre, eu tinha jogadores polacos vindos da mesma região que o Papa João Paulo II. Quando estávamos em estágio, não havia maneira de os levar a fazer o treino nas manhãs de domingo, porque iam todos à Missa!" O próprio AJ Auxerre é um clube de origem católica, pois foi fundado pelo abade Deschamps, agraciado com a Cruz de Malta, e ainda está sob a orientação espiritual de um sacerdote que é o Pe. Joel Rignault.

O antigo guarda-redes Lionel Charbonnier, de 49 anos e campeão mundial em 1998, disse que "No meu tempo, o centro de treino ficava ao pé da catedral e o Pe. Bonnefoyera era o seu director. Muitas vezes comíamos com ele. Fazíamos parte da paróquia de Saint-Joseph".

O franco-costamarfinense Djibril Cissé, de 34 anos, é um apóstata da seita muçulmana, pois converteu-se à Igreja Católica depois de ter ido para o Nimes quando tinha 14/15 anos. "O clube punha os jogadores a estudar em colégios católicos. Estudei o Catecismo, gostei e decidi escolher a religião católica, embora eu seja de uma família muçulmana".

Outro afro-francês, Bafétimbi Gomis, de origem senegalesa e de 30 anos, alimentou a sua fé com o ex-futebolista francês Bernard Lacombe, de 63 anos. "Muitas vezes eu ia rezar com ele à igreja. Foi ele que me levou pela primeira vez ao santuário de Nossa Senhora de Fouvière. Ele sempre teve essa fé bela e grande", disse Gomis.

O treinador Pascal Dupraz, do Toulouse, disse, no início do mês de Abril, que "Eu tenho fé. Sou católico, estou contente e tenho orgulho disso. Eu vou à igreja e respeito os locais de culto".

Fernando Santos
Também entre nós portugueses o seleccionador nacional Fernando Santos, o engenheiro do penta pelo FC Porto mas benfiquista assumido, nunca escondeu de ninguém que é um fervoroso católico. Foi, aliás, a sua fé uma das grandes responsáveis pela vitória portuguesa no Euro 2016, pois ele acreditou mais do que qualquer outro na equipa de todos nós. Após a vitória em Saint-Dennis, o técnico luso disse: "O meu desejo pessoal é ir para casa, dar um beijo do tamanho do mundo à minha mãe, mulher, filhos, ao meu neto, ao meu genro e minha nora e ao meu pai, que, junto de Deus, está seguramente a celebrar. A todos os amigos, um abraço muito apertado de obrigado pelo apoio, mas principalmente pela amizade. Por último, mas em primeiro, quero ir falar com o meu maior Amigo e Sua mãe, dedicar-Lhe esta conquista e agradecer por me ter convocado e agradecer por me ter concedido o dom da sabedoria, da perseverança e humildade para guiar esta equipa, com Ele a ter-me iluminado e guiado. Por tudo o que espero e desejo seja para glória de Seu nome".

Em 6 de Junho do ano passado, o jovem brasileiro e "evangélico" (i.e., protestante, ou seja, pseudo-cristão) Neymar ganhou a Liga dos Campeões pelo Barcelona e usou uma faixa na cabeça com a inscrição "100% JESUS" para celebrar a vitória. A inscrição foi depois censurada, sabe-se lá bem porquê, pela FIFA no vídeo para a cerimónia da Bola de Ouro. O mesmo aconteceu este ano com ele após a vitória do Brasil nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro.

A França é cada vez mais um país desgraçadamente secular, logo o Cristianismo é agora, pode dizer-se, uma pequena tendência. Tal torna a profissão de fé dos jogadores de futebol uma coisa muito inesperada. 

Mathieu Debuchy, futebolista francês de 30 anos que actua no Bordéus, disse: "Eu sou católico e praticante, mesmo não indo à igreja regularmente. Mas oro todas as noites pelos meus. Acredito profundamente em Deus e no que Ele pode trazer para a minha família. Isto é o que eu peço nas minhas orações".

Yohan Cabaye
Outro jogador francês, Yohan Cabaye, de 30 anos e actualmente nos ingleses do Crystal Palace, disse que "A minha fé é uma parte muito grande da minha vida. Tenho a sorte de viver uma vida bela, desportiva, humana e da família também. Eu tenho tudo o que quero, mas sei que, durante a noite, tudo pode parar. Agradeço a Deus pela vida que Ele me deu e peço-Lhe para continuar fiel e ser poupado do Mal. Sempre fui mais ou menos crente, mas cresço cada vez mais com a minha fé. Hoje eu não posso viver sem ela. A minha avó era crente. Em casa, sempre vi cruzes, imagens de Maria, Bíblias, mas ela nunca nos obrigou a professar a sua fé". E acrescentou, ele que costuma ler a Bíblia durante as viagens da equipa nacional de França: "Eu oro sozinho de manhã, à tarde e à noite. E também leio livros para desenvolver a minha fé". 

Olivier Giroud, de 29 anos e jogador do Arsenal de Londres, afirma-se "muito crente. A minha mãe apresentou-me à religião e escolhi ser baptizado católico. Aos 21 anos, fiz uma tatuagem no braço direito com um Salmo tirado da Bíblia Latina, que significa: 'O Eterno é o meu pastor, nada me faltará'".

Florian Thauvin, de 23 anos e médio dos ingleses do Newcastle United, disse que começou a orar depois de ter sentido dores antes de um jogo quando tinha apenas 13 anos. "Orei e no dia seguinte já não sentia nada e pude jogar normalmente. Desde esse momento, oro. Tento ir mais vezes à igreja, pelo menos nas principais datas. A religião é assunto pessoal, não costumo falar com os meus colegas de equipa sobre o tema".

O perigoso avançado francês Antoine Griezmann, jogador do Atlético de Madrid com raízes alemães da Alsácia mas também portuguesas (o apelido Lopes que ele tem não engana – é de um avô seu que jogou no Paços de Ferreira antes de emigrar para a França), tem tatuagens cristãs. "Eu uso-as porque na minha família somos todos muito religiosos. Eu sou religioso".

Internacionalmente, o Cristianismo é a religião dominante no futebol. Os dois monstros da bola, Cristiano Ronaldo e Lionel Messi, são católicos (apesar de o serem apenas nominalmente), e os sul-americanos costumam ser muito religiosos. A tendência parece reforçar-se de uma geração para a seguinte e hoje podemos observar o regresso da religiosidade mesmo nas selecções de países seculares respeitáveis, tais como Inglaterra, Holanda ou Alemanha. Este interesse na fé (cristã) por parte dos atletas revela uma necessidade universal de sentido e de pontos de referência no mundo pouco sadio de futebol.


Nota: informações retiradas do blogue Amigo de Israel

Sem comentários: