terça-feira, 9 de agosto de 2016

Pequim quer alcançar entendimento com o Vaticano


Quem o diz é o cardeal John Tong, de Hong Kong, de acordo com o jornal South China Morning Post. Segundo a autoridade máxima católica da região administrativa especial chinesa vizinha de Macau, estão a ser feitos progressos entre o Vaticano e o governo comunista chinês, procurando um plano aceitável para ambas as partes apesar de algumas reservas, tendo já os dois Estados chegado a um princípio de acordo. O cardeal de Hong Kong citou o exemplo do Vietname, que também é um país comunista mas com uma considerável população católica devido a Portugal e à França (é o segundo país asiático com mais católicos do mundo [mais de 5 milhões de crentes], atrás das Filipinas) em que a ordenação de sacerdotes e a nomeação de bispos são feitas de acordo com o consentimento do governo vietnamita e do Vaticano. A relação entre a República Popular da China e o Vaticano têm vindo a conhecer altos e baixos desde o rompimento oficial de relações diplomáticas em 1951, dois anos depois da implantação da república comunista.
Estima-se que existam na República Popular da China cerca de 12 milhões de católicos (o número peca por defeito; há fontes que dizem que o número de católicos na China supera os 23 milhões) apesar de existir também uma seita chamada Associação Católica Patriótica Chinesa que é controlada pelo Partido Comunista, partido que tem como base teórica marxista o ateísmo, e que é independente do Vaticano, nomeando ela própria os seus "sacerdotes" sem o consentimento da Santa Sé. Ainda assim, existem no país mais populoso do mundo imensas "igrejas clandestinas" leais ao Vaticano.
Em Hong Kong e também em Macau, como regiões administrativas especiais chinesas regidas pelo tal segundo sistema que não é o comunismo, existe a liberdade de culto e os católicos podem praticar livremente a sua fé. Isso pelo menos até 2047, no caso de Hong Kong, e 2049 no caso de Macau se as coisas não melhorarem na China. Não é por acaso que lá em Hong Kong há quem queira a independência da região, tendo na sexta-feira passada havido uma manifestação que reuniu cerca de 1000 pessoas pró-independência devido ao reforço da autoridade de Pequim. De acordo com os manifestantes, a população de Hong Kong está descontente com a crescente influência da República Popular da China, o que significa ter cada vez menos direitos.

2 comentários:

Afonso de Portugal disse...

Mas a população de Honguecongue julgava o quê? Que o terroritório em que vivem ia passar para as mãos do chineses sem sofrer a chinesificação? LOL! Quanta inocência! Fazem lembrar os totós que querem importar milhões de muçulmanos para a Europa sem que ocorra islamização!

Enfim, as pessoas não entendem que juntar sal à água doce resulta inevitavelmente em água salgada. Só depois de provaram a água "enriquecida" é que percebem! Mas aí, já é tarde demais...

FireHead disse...

É verdade. Há gente aqui em Macau que supostamente devia ter um bocadinho de inteligência mas que acredita mesmo de forma bastante ingénua que é a grande República Popular da China que tem lições a aprender com os exemplos de Hong Kong e Macau quando a porcaria da realidade nos teimam em impingir o contrário.

E depois o que não falta aqyu é gente que passa a vida a falar mal da China, dos chineses e até mesmo da situação em que Macau se encontra agora mas que mesmo assim de cá não quer bazar, tipo voltar para a terra de onde veio, porque, enfim, já criou raízes por cá, já está habituado a isso e tal... Pois, todos nós precisamos de desabafar...

Em relação aos independentistas de Hong Kong, é deixá-los bufar à vontade que não conseguem a independência de maneira nenhuma, pois Pequim nunca a concederá. Afinal de contas quantos não foram os que, depois da entrega de Hong Kong à China, vibraram com o regresso à "mãe pátria" por quererem ver os ingleses pelas costas? Em Macau a mesma coisa. Quantos é que não festejaram a entrega de Macau à China? E agora ainda têm a lata de se queixar do quê? Estavam à espera de quê? Que Hong Kong e Macau continuassem a seguir os modelos ocidentais como nos tempos de colónia? Enfim, cada qual só tem o que merece e, por muito que me custe dizer isso enquanto macaense, acho que a China está a fazer muito bem, pois tem que zelar pelos seus interesses.

Quantos aos muçulmanos, olha, se há algo em que os comunas chineses são mesmo muito bons é na forma como lidam com eles...