sábado, 6 de agosto de 2016

Diz o Padre Gonçalo Portocarrero de Almada: “Casa roubada? Porta escancarada!”

Sai a notícia nos jornais segundo a qual uma dúzia de portugueses foram apanhados a roubar bicicletas em Amesterdão. Será que todos os portugueses na Holanda são ladrões de bicicletas? Claro que não! O bom-senso diz-nos que não devemos generalizar. Mas, se eu fosse holandês, e se me visse perante um português na rua, eu colocaria um cadeado na minha bicicleta; chama-se a isso “prudência”, que também faz parte do “bom-senso”. 

Mas o Padre Gonçalo Portocarrero de Almada diz que eu não tenho razão

Sendo eu holandês, e perante um português qualquer identificado por mim na rua, diz o Padre Portocarrero de Almada que eu devo sempre confiar que esse português (que eu não conhecia) não é um ladrão de bicicletas; e por isso, perante a sua presença, eu não devo colocar o cadeado na minha bicicleta. E se eu não confiar a segurança da minha bicicleta na presença do tal português, sou um holandês xenófobo (diz o Gonçalo Portocarrero de Almada). 


O povo diz que “casa roubada, trancas à porta!”; o Padre Portocarrero de Almada diz que o povo (e eu também) é burro: o ditado deve ser alterado: “casa roubada, porta escancarada” — porque ele (o Padre) é que o licenciado em direito e filosofia; ele tem dois alvarás de inteligência. G. K. Chesterton tinha razão quando escreveu que “sem a educação e o ensino para todos, somos colocados numa situação horrível e de perigo mortífero de termos que levar a sério as pessoas cultas” (que são as tais que têm alvarás de inteligência). 

Ou seja, o bom-senso é reaccionário, xenófobo, “fassista”, homofóbico, sexista, racista, etc.. E o senso comum deve ser contrário ao bom-senso; o princípio natural da auto-conservação deve ser abolido.


Eu não vou aqui entrar na análise das comparações que o Padre Portocarrero de Almada fez entre a Jihad, por um lado, e Hitler e Mao Tsé Tung, por outro lado — porque são absurdas. Poderei fazê-lo noutro verbete, porque, como escreveu Olavo de Carvalho, “a mente humana é constituída de tal forma que o erro e a mentira podem sempre ser expressos de maneira mais sucinta do que a sua refutação. Uma única palavra falsa requer muitas para ser desmentida.”


Fonte: perspectivas

4 comentários:

Adilson disse...

Eis aí algo merecedor de nossa atençãO: “a mente humana é constituída de tal forma que o erro e a mentira podem sempre ser expressos de maneira mais sucinta do que a sua refutação". De fato. Creio mesmo que estamos num momento muito tenebroso de nossa era, e a realidade não me deixa duvidar.

Anónimo disse...

Portugueses: agora em versão "ladrão de bicicletas", ou "não ladrão de bicicletas" - encomende já o seu!

FireHead disse...

Adilson,

O blogueiro Orlando Braga costuma escrever umas coisas acertadas. :)

FireHead disse...

Anónimo,

Aproveita para estabelecer um paralelo com os refugiados. Tenho quase a certeza que as mulheres violadas pelos refugiados que aceitaram em sua casa ou que ajudaram de certa maneira, como já cheguei a denunciar alguns casos aqui neste blogue, também acreditavam que esses mesmos refugiados não eram da versão "refugiados violadores", mas sim "refugiados coitadinhos que merecem ser ajudados".