quarta-feira, 10 de agosto de 2016

Chineses falsos portugueses e portugueses falsos chineses

Lá no grupo macaense do Facebook de nome "Conversa entre a Malta" (CEAM), alguns camaradas que habitam aqui em Macau ficaram indignados com o facto de uma chinesa étnica de Macau chamada Wendy Cheng e possuidora de nacionalidade portuguesa ter ficado chateada com qualquer coisa que lhe aconteceu no consulado-geral de Portugal em Macau. Ela, a Wendy Cheng, desabafou depois no Facebook, dizendo que só tolera o pessoal do consulado por causa da nacionalidade portuguesa que tem e que lhe permite viver em qualquer país da Europa comunitária. 


O passaporte português é o sexto melhor passaporte do mundo, daí muitos chineses de Macau que têm a nacionalidade portuguesa (devido ao facto de Macau ter sido uma colónia portuguesa) fazerem de tudo para nunca deixarem de a ter, transmitindo-a aos seus descendentes para se dar continuidade à existência de falsos portugueses de raça amarela (nota: quando eu me refiro aos falsos portugueses de raça amarela não estou com isso a dizer que não aceito a existência de portugueses de raça amarela. Refiro-me é aos amarelos que não têm nem querem nada com a Portugalidade; muitos deles nunca estiveram sequer em Portugal e muito menos sabem indicar Portugal no mapa!).


Pelo meio a Wendy Cheng, que trabalha no casino Venetian do magnata judeu americano Sheldon Adelson, disse que está satisfeita por Macau ter voltado para a China (em 1999) porque os portugueses aproveitaram-se do pequeno território chinês (ah pois, claro, e Macau lá seria o que hoje é se não fossem os portugueses??). E como Portugal colonizou Macau, é justo, como já ouvi gente defender, que haja chineses que tenham a nacionalidade portuguesa, como se uma coisa tivesse algo a ver com a outra (vede lá se os ingleses fizeram o mesmo em Hong Kong! Claro que não...)
Bom, se a Wendy Cheng está satisfeita com o facto de Macau ter voltado para a China então porque é que não se comporta como uma verdadeira chinesa (juridicamente falando) e abdica da nacionalidade portuguesa? O ressentimento é assim tão grande que faz com que seja necessário ser uma hipocritazinha? Com certeza que seria muito chato se ela em vez da nacionalidade portuguesa tivesse a nacionalidade da sua querida China...


Mas pronto, confesso que estas coisas já me incomodaram mais no passado. Agora já estou a cagar-me um pouco para isso. Se os camaradas da CEAM acham que vale a pena sentirem-se indignados com isso, é lá com eles (o usuário Rui Marcelo acusou a Wendy Cheng de racismo e xenofobia, dizendo também que "quem não está satisfeito com o passaporte português que o devolva. Cuspir no prato da sopa, após o ter saboreado, é simplesmente inadmissível"). Possivelmente muitos deles até são como eu, ou seja, portugueses de Macau possuidores do salvo-conduto chinês ("documento de regresso à terra"), documento esse que nos permite ir todas as vezes que quisermos à China gratuitamente e ficar lá o tempo que nós quisermos (os estrangeiros precisam de pagar visto e têm um tempo de estadia), simplesmente por também serem naturais de Macau e terem nomes chineses como eu também tenho nome chinês. E não me parece que isso afecte a nossa identidade. Eu, pelo menos, falo por mim: se existem imensos chineses que são falsos portugueses (mais de 100 mil) então também é justo que haja portugueses que são falsos chineses. Se os chineses que têm nacionalidade portuguesa aproveitam-se das vantagens da nossa nacionalidade, como faz muito bem a Wendy Cheng, então também nós, macaenses de ascendência portuguesa, temos todo o direito de usufruir de todas as vantagens dos "nacionais chineses" na China! E eu tanto tenho este direito que uso e abuso dele, usufruindo de todas as suas vantagens!
Certa vez uma amiga minha chinesa que tem passaporte português perguntou-me como é que eu, um "cuai lou" (nome pejorativo que os chineses dão aos caucasianos), tenho o salvo-conduto chinês. E eu, agastado que estou com este tipo de perguntas, respondi-lhe com uma outra pergunta: "Então e tu, porque é que tens nacionalidade portuguesa?"


Mas voltando à Wendy Cheng... porque é que ela não adquire a nacionalidade grega, já que namora com um grego de nome Αχιλλέας Αναστασίου (Achilléas Anastasíou)? Como eu acho que só para conseguir pronunciar o nome do homem ela já se vê grega, pode ser que o seu processo de naturalização seja fácil...

12 comentários:

Anónimo disse...

Outra apreciadora de pila europeia que tem complexos de ter nascido chinesa e graças ao passaporte que detém não é tratada como gado nos países que visita, e depois, qual é a novidade? Não entendo é o porquê disto servir de razão para se fazerem segundas e terceiras leituras da opinião de terceiros.

FireHead disse...

De facto conheço muitas chinesas que não gostam de ser chinesas, não gostam de chineses, não gostam dos olhos em bico e que, se pudessem, arranjariam homens ocidentais ou pelo menos mestiços a roçarem os brancos! Mas não são chinesas que olham apenas para a parte documental (é claro que também há destas, mas agora já não é tão fácil adquirir a nacionalidade portuguesa, pois é preciso ter conhecimentos mínimos da língua, cultura, etc.), mas porque desejam mesmo deixar descendência "mais bonita", com uma educação ocidental e, claro, almejando também possivelmente a emigração.

O irónico é que na China há imensos homens porque a esmagadora maioria dos casais querem sempre ter apenas filhos, ou prioritariamente filhos. Penso que é de certa forma uma justiça poética: os chineses querem filhos e as chinesas querem estrangeiros. Pode ser que no futuro surjam ainda mais gays na China ou então eles que vão procurar gajas lá fora, o problema é que muitas estrangeiras também não querem nada com os chineses (acontece quase geralmente o inverso; os homens ocidentais é que apreciam muito as asiáticas). Pode ser que assim de "maneira forçada" a população chinesa reduza...

Os chineses sempre foram um povo muito prático. Que importa o amor à pátria se se pode ter nacionalidades estrangeiras que lhes permitem viajar ou emigrar? Porque é que tantos falsos portugueses de Macau não abdicam da nacionalidade portuguesa se não têm nada que os identifiquem com Portugal? Claro, por causa das vantagens que o passaporte lhes dá (os famosos "jack so"). Com nacionalidade portuguesa os filhos deles também podem ir estudar para fora, nas escolas ou universidades de Inglaterra ou Portugal, não têm que se preocupar com o visto e estas coisas. Conheço gente em Portugal que ajuda esses falsos portugueses a tratar através de procuração os seus documentos, que tratar deles no consulado demora muito tempo. Isso é um excelente negócio.

Quanto a isso de não ser tratados como gado, é verdade, mas também tenho conhecimento de casos em que esses falsos portugueses não se deram mesmo nada bem. Um amigo meu uma vez disse-me que um grupo de falsos portugueses de Macau foram fortemente gozados na Holanda, no aeroporto, por não saberem falar português e também por terem cara de chineses. Os tipos lá no aeroporto até arranjaram de propósito um funcionário que falava português para conversar com eles quando souberam que eles eram "portugueses", o que ainda fez aumentar o gozo. Disse o meu amigo meio a brincar que os holandeses andavam ainda com a ressaca da derrota holandesa em Macau no ano 1622...

Agora que a obtenção da nacionalidade portuguesa já se tornou mais difícil para essa malta (a não ser que os cônjuges que queiram a nacionalidade portuguesa aprendam mesmo português e estas coisas todas), pode ser que o seu número também fique mais limitado. Os descendentes, estes, ao abrigo do "jus sanguini" (ainda que eles não descendem de portugueses de facto), vão continuar infelizmente a existir.

Anónimo disse...

Os chineses são uma raça do caralho. Reproduzem-se que nem ratos mas depois também querem é ir invadir a terra dos outros, como Portugal, e depois já nem querem ir embora de cá, são como os pretos e os muçulos. Por que e´ que eles mantém os seus hábitos chinocas se depois todos desejam ter passaporte estrangeiro? Que nojo de gente, é escória nefasta.

Anónimo disse...

Agora e' mais dificil conseguir obter a nacionalidade portuguesa. Parece que, alem de ser preciso saber falar portugues pelo menos de forma aceitavel e ter algum conhecimento de Portugal, e' tambem preciso provar que tem uma ligacao a Portugal, coisa que os chineses (e outros) que pretendem ser falsos portugueses nao tem...

FireHead disse...

Anónimo das 15:20,

Pois porque eles ao menos fazem filhos, ao contrário dos europeus que estão mais preocupados em evitar fazê-los. Bem, os europeus até que podem queixar-se de falta de condições para ter filhos, isso e aquilo, mas assim não também não vão lá. Conheço chineses em Portugal que têm pelo menos três ou quatro filhos porque por lá podem ter quantos filhos quiserem desde que também consigam sustentá-los, e como muitos até são bem sucedidos em termos profissionais, "peace of cake", juntam o útil ao agradável.

Na China muitos casais fariam sem pestanejar mais filhos (além de dois que agora já são permitidos nas cidades porque a lei do filho único passou agora a ser lei de dois filhos únicos) e isso independentemente de terem ou não condições reais para os sustentarem. A mentalidade deles é a seguinte: "hoje fazemos os filhos e amanhã logo veremos". Deve ser assim tipo os africanos ou ciganos, penso eu de que. Mas estes dois grupos no Ocidente costumam ser sustentados (principalmente os ciganos) pelo Estado...

E olha, pelo menos em Portugal eu nunca (ou)vi (muitos) crimes relacionados com os chineses. Pelo menos crimes como assaltos ou homicídios (lavagem de dinheiro, fuga aos impostos e estas coisas, talvez). E se não fossem eles com as suas lojinhas que vendem tudo mesmo aos fins-de-semana, possivelmente os tugas (já) não se sentiriam tão bem... E depois ainda falam da concorrência desleal...

Nem todos os chineses mantêm os hábitos deles. Na verdade isso acontece mais é com os mais velhos. Os que já nasceram em Portugal, por exemplo, e que estudam nas escolas de lá, têm uma mentalidade completamente diferente, são ocidentalizados. Também conheço chineses (muitos deles até têm nacionalidade portuguesa) que se consideram mesmo portugueses porque falam português mesmo entre eles, apoiam a selecção nacional, há até os que são católicos, aculturados, comem bacalhau, caracóis cozidos ou caracoletas assadas, bebem Super Bock ou Sagres e não querem nada com a China excepto para passar férias. Portanto é perigoso andarmos com generalizações.

Escória nefasta? Isso para mim é, por exemplo, a classe criminosa...

FireHead disse...

Anónimo das 15:29,

E acho bem que assim seja. Há que dificultar a obtenção da nacionalidade ao máximo. Eu até sou a favor de que as pessoas deviam todas elas merecer a nacionalidade que têm. Do tipo, um filho de um português nascido fora de Portugal tem o direito de ser português mas também tem que mostrar que merece a sua nacionalidade aprendendo português e estabelendo uma ligação efectiva com o país.

Agora para arranjar o salvo-conduto chinês também ficou mais difícil. Agora para além do nome chinês também exigem que a nacionalidade do requerente seja a chinesa. Eu ainda sou do tempo em que qualquer chouriço que nascesse em Macau, fosse ele português ou chinês, podia requisitar o documento, daí tê-lo. E nos tempos do meu avô até os naturais de Portugal, como era o caso dele, podia também ter esse documento através do matrimónio com cidadãos chineses.

Bem, pelo menos uma coisa é certa: os "falsos portugueses" para mim são aqueles que não têm nada que os identifique com a Portugalidade, ou seja, não falam sequer minimamente português (carácter para mim discriminatório), eles podem até nem sequer ter estado em Portugal e até dou de barato o facto de não serem católicos (outra condição supostamente "sine qua non", pois sem a Igreja Católica não existiria Portugal, mas também é naquela, também há muitos portugueses [brancos] que não são católicos por 1001 motivos parolos ou assim). Já muitos macaenses de nacionalidade portuguesa fruto da herança lusa como eu pelo menos merecem mais ser "falsos chineses" porque pelo menos temos sangue chinês (muito ou pouco, conforme os casos) e falamos chinês (pelo menos o cantonês).

Adilson disse...

Muito boa análise, FireHead, desse problema. A falta de rigor em tais questões, facilitam a ascensão dos inimigos da cultura local de um povo.

FireHead disse...

Esse problema existe, não por culpa desses "falsos portugueses", mas sim por culpa de Portugal. Portugal é que não devia ter permitido que eles existissem. Depois do 25 de Abril foi só dar abébias a quem não merece e agora estamos como estamos. Mais de 100 mil dos agora 650 mil pessoas que habitam em Macau são juridicamente portugueses, sendo que portugueses de verdade (e incluo também gente de raça amarela, preta ou mestiça que adoptou a Portugalidade) são na verdade uma comunidade pequena. Nós estamos atrás dos filipinos e dos vietnamitas em número.

Até à data da entrega de Macau à China, 1999, havia passaportes portugueses atribuídos a cidadãos não-portugueses de Macau, um passaporte cinzento. Acho que, mal por mal, Portugal devia ter apenas apostado nisso em vez de permitir que todos os que nascessem em Macau até os anos 80 pudessem optar pela nacionalidade portuguesa independentemente de terem ou não algo a ver com Portugal. O facto de Macau ter sido colónia não justifica que qualquer chouriço que nele tenha nascido tivesse o direito de ser português até porque em Portugal ainda se rege pelo jus sanguinis e não pelo jus solis. Por isso que eu afirmo que a culpa é de Portugal. Mas, pronto, que importa isso para os traidores da Pátria? Ter mais cidadãos nacionais, ainda que falsos, sempre contribuem para os cofres do Estado, e não é à toa que o consulado-geral de Portugal é Macau é dos que mais dinheiro dão a ganhar a Portugal. 100 e tal mil pessoas a renovarem os documentos de 5 em 5 anos, entre registos de novos "cidadãos nacionais" (os filhos), mudanças de estado civil, aquisições de nacionalidade, etc. dão imensa massa.

Em Hong Kong os ingleses estabeleceram categorias, como cidadãos de primeira e cidadãos de segunda (ouvi dizer que também havia cidadãos de terceira e quarta). Mas, pronto, os ingleses de forma geral também não são nenhuns exemplos a seguir, pois também há muitos nepaleses que são ingleses só porque foram ou são gurkas, indianos ou paquistaneses que são ingleses só porque falam inglês e foram "colonizados", etc. etc.

Portuguesinha disse...

Olha, eu sinto pena e desprezo é dela e de pessoas como ela. Que têm essa mentalidade. Portugal é usado com esse desprezo por MUITA gente que vê nesta nação uma simples porta de entrada para um universo diversificado... Se vontade existisse, exterminavam os portugueses da face da terra... Que erroneamente responsabilizam por todos os males do mundo. Ao invés de ver o bem, o contributo, ao invés de RESPEITAREM o sangue que têm nas veias... Um ultraje aos seus antepassados, essa renúncia familiar... Gente assim é que não merecia muita coisa... Mil vezes gente boa, seja homossexual, lésbica, até incesto... do que gente de moral sub-ingrata, que tira proveito e usa tudo à sua volta e depois cospe no prato onde come.


PS: com os brasileiros também se escutam muitos casos assim. Querem por tudo é o oasis europeu...

Portuguesinha disse...

A respeito das regras para a dupla nacionalidade... não me pareciam bem feitas. Era fácil «tombar» com qualquer pessoa nos transportes e escutar conversas entre estrangeiros sobre a facilidade com que obtinham a nacionalidade portuguesa, que só a queriam para entrar na europa. Uma vez escutei uma mulher, casada com português com descendentes italianos, que o seu passaporte tuga foi facílimo de arranjar, levou uns 3 meses, só precisava responder a umas perguntas simples sobre portugal do género qual o dia da independência e era aprovada. Aconselhava as amigas brasileiras a fazer o mesmo pelas imensas vantagens. Logo começaram a estudar as muitas possibilidades das outras também obterem o passaporte português, acho que falaram até em avós... Ou, em todo o caso, casar com algum europeu, de preferência portugues que era a nacionalidade de entrada mais simples de se obter. Notava-se que algo que deve ser motivo de honra era apenas uma conveniência utilitária. Por sua vez, não satisfeita, o marido como tinha raizes italianas além de portuguesas, ela também estava a tratar da nacionalidade italiana, para facilitar a vida por lá, em termos de ter casa e direitos, etc... Só que na Itália era MUITO MAIS Difícil que em Portugal. O pedido arrastava-se por anos. ENfim... ela já ia com 3 nacionalidades. Que colecção!

As regras para obter nacionalidade portuguesa eram e ao que sei ainda são, muito facilitistas, mesmo receptivas aos oportunistas que nada querem ter a ver com este país. E esse facilitismo resultou num êxodo de oportunistas que viraram falso-portugueses.

Essa tipa sendo o exemplo execrável disso.

FireHead disse...

Mas no caso dessa chavala não se coloca a questão de respeito pelo sangue (luso) que tem nas veias, porque ela simplesmente não é portuguesa de facto, mas apenas e só "de jure". É apenas e só uma oportunista.

Sim, infelizmente há muitos brasileiros assim, mas também muitos dos PALOPS e eu conheço alguns casos... gente que se for preciso dizem ter orgulho nos seus países, nas suas terras natais. Mas afinal Portugal não descolonizou já? Então porque é que há filhos das ex-colónias que querem ser portugueses (ou melhor, "portugueses") se os seus antepassados fizeram guerra contra Portugal para se tornarem independentes?

FireHead disse...

Pois, por isso que há países que não reconhecem a dupla-nacionalidade, como a China ou Japão. Nesses países ou és estrangeira ou és cidadã nacional de lá, ponto final. Como é isso de ter duas ou três nacionalidades? Porque o pai tem uma nacionalidade, a mãe tem outra e a pessoa em questão nasceu num país que não os dos pais, logo tem também a nacionalidade desse país devido ao patético "jus solis"? É por isso que todos os anos milhares de chinesas grávidas viajam para os EUA que é para terem lá os filhos e eles serem... "americanos" simplesmente por serem naturais de lá (parece que Trump quer alterar essa lei estúpida e acho isso muitíssimo bem).

Concordo contigo. Ela, e todos esses falsos portugueses de Macau, entre outros, são perfeitos exemplos execráveis. Ainda assim, repito: a culpa não é deles, pois eles fazem muito bem em se aproveitarem das abébias que Portugal lhes concedeu! A culpa é pura e simplesmente dos traidores que conduzem os destinos de Portugal.