terça-feira, 2 de agosto de 2016

Artista performativa diz que fez três abortos porque ter filhos "seria um desastre" para o seu trabalho


A artista performativa Marina Abramović (Марина Абрамовић), de origem sérvia e radicada nos EUA, concedeu uma entrevista ao diário alemão Tagesspiegel em que diz que fez três abortos porque ter filhos "seria um desastre" para o seu trabalho. "Fiz três abortos, porque tinha a certeza de que seria um desastre para o meu trabalho. Temos uma energia limitada no nosso corpo e teria que a dividir", disse a mulher de 69 anos.
Para Marina Abramović acima de tudo está a sua pessoa. Três abortos, três homicídios por puro egoísmo. O verdadeiro aborto é ela e gente como ela.

22 comentários:

wind disse...

Mas se ela sabia isso devia ter tomado medidas. Nestes casos sou contra!

FireHead disse...

Lá sabes se ela não tomou medidas e mesmo assim ficou prenha? É que foram três vezes, não uma ou duas.

Afonso de Portugal disse...

Feia por fora e por dentro! Um autêntico excremento em forma de gente! A mãe dela é que devia ter abortado!

comunista Judeu disse...

Sou a favor da pena de morte para seriais killers como essa dona .

essa dona so é mais uma que nos prova que Esquerdistas sao extremamente egoistas e narcisistas .

FireHead disse...

Afonso de Portugal,

Ela apenas pôs em prática o seu direito de decidir se queria ou não ter filhos, pois no corpo dela manda ela... não é assim?

FireHead disse...

Comunista judeu,

Matá-la não digo, mas enjaulá-la ou interná-la... porque não?

Adilson disse...

Eita, mundão! Essa gente não se toca mesmo! Quanta insanidade!

FireHead disse...

Adilson,

Agora vou ser sarcástico: o lado bom de uma mulher como ela ter abortado é o facto de não deixar descendência.

Portuguesinha disse...

Não condeno, não julgo. Cada qual sabe de si.
Não dizes que tipo de artista ela é. Mas se tiver de trabalhar como bailarina, ginasta... o que for, o que diz é verdade. Agora... sempre podia ter apostado melhor na prevenção!

Abortos não creio que sejam actos que uma mulher faça com a maior leveza do mundo.... São procedimentos terríveis, julgo que perigosos e dolorosos. Quem em sã consciência ia querer sujeitar-se a eles ao invés de prevenir uma gravidez?

FireHead disse...

Portuguesinha,

Eu condeno porque julgo. Porque o que ela fez foi abortar, ainda por cima três vezes.

Ela é uma artista performativa, seja lá o que é que isso for. O que ela fez foi, independentemente de ter ou não apostado na prevenção (e se tivesse e mesmo assim tivesse ficado grávida? Não se pode excluir esta hipótese por muito que as pessoas possam achar que a contracepção é 100% eficaz, e o aborto não é nenhuma forma de contracepção), horrendo. Ela foi uma egoísta.

Aposto que tu terias uma posição completamente contrária se ela tivesse de facto tido os três filhos e os abandonasse devido à sua carreira artística. Sei lá, tipo tendo-lhes parido e jogado-os num contentor do lixo e deixando-os apodrecer (olha que muitas mulheres que não abortam, seja porque não têm condições financeiras ou por outro motivo qualquer, sempre podem recorrer a métodos monstruosos como este). Aí mudar-se-ia o figurino ea esta hora já estarias a condená-la e a julgá-la. E certamente não dirias que cada qual sabe de si.

E olha que não... há abortistas convictas. É claro que também há as que sofrem por terem feito aborto(s), mas também há aquelas que, como este Marina, parecem não ter ficado com um só remorso que seja.

Uma coisa é prevenir uma gravidez, coisa que moralmente sempre é mais aceitável que o aborto, e outra coisa é já se ter dado a concepção e pura e simplesmente privar que uma vida tenha vida, literalmente. Impedir que um ser vivo nasça é o mesmo que matar alguém.

Portuguesinha disse...

Sou liberal ehehe. Embora leve uma postura conservadora, consigo ver e até aceitar os dois lados da moeda. Vejo muitos documentários sobre crimes, sempre vi. Incluindo casos de abandono de recém-nascidos... E por já ter passado por esses espectros, existiram casos em que não condenei. Porque.. percebi que quem pariu procurou facultar uma melhor condição de vida, algo que sabia não poder dar ao bebé. Noutros a pessoa simplesmente vive cercada de miséria, mas mais miserável é a sua mentalidade... Pelo que dar a criança até pode acabar por ser uma bênção para a mesma! É a tal máxima: "Deus escreve certo por linhas tortas" (Por vezes, bastaaante tortas). Cada caso é mesmo um caso.

Ela nunca ia abandonar um recém nascido porque aí o seu propósito estaria estragado. Teria permitido que o seu corpo se alterasse com as mudanças hormonais, seria um "novo corpo" que teria de actuar e não teria sido capaz. O seu "sustento" e prazer/sentido de viver terminavam aí. E se nunca dependeu de ninguém sem ser ela mesma, o pensamento tornou-se prático e afunilado.

Quando disse que não julgo, levei também em consideração o país de onde ela é originária. Nós pensamos com o nosso pensamento muito "preso" na nossa realidade e valores. Não que isso tenha algum mal. Não são maus valores... Mas ela vem da SÉRVIA. Servia é outra realidade totalmente diferente. E já faz alguns aninhos que foi jovem...

Uma vez estava com umas pessoas da Rússia e arredores, numa passagem de ano. A tradição de cá dita que se comam 12 passas e se peçam 12 desejos. Nem eu levo isso muito a sério mas nas circunstâncias (eramos muitos de vários países) uma pessoa gosta de conhecer os costumes e de participar. Ao ver o grupo assim mais entristecido e isolado (deprimido mesmo e até algo irritado com o acto da festa em si), decidi levar-lhes um pouco da nossa tradição. Porque nestes instantes, ainda que nós não conheçamos as tradições dos outros, acabamos por as aceitar e participar nelas. Uma das miúdas acenou-me para ir embora e deu-me como resposta: "Nós não celebramos" ao que respondi: "eu sei, mas experimentem, só para entrar no espírito". Ao que me responde algo do género: "Não conheces o nosso país, não nos conheces. Nós somos diferentes".

E não insisti porque entendi a profundidade das suas palavras. Senti também que os conhecia melhor do que eles poderiam imaginar. É a vantagem de viver num país aberto (cada vez menos) à informação. Imediatamente veio-me à mente o que já tinha visto em documentários diversos e um em particular, que se debruçava sobre a falta de afetividade e comunicação entre entre filhos e pais russos, muito devido ao facto de muitas das mulheres terem sido forçadas a engravidar... Não mandavam nelas mesmas, tinham filhos pela força... Não queriam ser mães. O facto de terem sido "violadas" as fez não criar laços de afeto positivos para com os filhos. Gerações que se estragam. Marcas com consequências duradoiras.

Por isso é que por vezes digo que não julgo ou cada caso é um caso. Todas estas outras realidades de que já ouvi falar, de alguma forma, ficaram cá dentro, como que a relembrar que a vida tem muitas realidades... E é preciso contextualizar.

FireHead disse...

Não concordo. Desde quando é que a morte é a solução para o que quer que seja? Por algum motivo existem organizações que se dedicam a ajudar mulheres que não querem abortar. Tu pensarias da mesma maneira se em vez de ser um bebé fosse tipo uma criança de cinco anos? Achas que uma mulher que não tem condições para sustentar ou proporcionar uma boa vida a um filho de cinco anos pode legitimamente matá-lo? Nós estamos a discutir a forma ou a matéria?

Certo, trata-se de um dilema. Eu próprio também balanço um pouco no caso em que se está confirmado que os bebés estão clinicamente dados como podendo vir a sofrer se nascerem, ou que nascem com doenças, ou Trissomia 21, algo assim do género. Ou então bebés resultado de violações, o que seria algo sempre muito difícil para as mulheres aceitarem, especialmente se um dia os bebés crescerem e forem parecidos com os violadores. Mas, lá está, uma vida é sempre uma vida. Que culpa é que tem um bebé por ser filho de um violador? Que culpa é que tem um bebé que pode nascer doente e sofrer? Se eles não têm culpa, então para quê eliminá-los? Há muitas maneiras de resolver as coisas. Sempre se pode entregar as crianças à adopção. Não falta gente neste mundo que quer adoptar crianças! Mas o importante, ironicamente, é discutir outras palermices, como a fertilização in vitro... Ora, se uma mulher não pode ter filhos, para que contrariar a natureza e proceder-se à eugenia, quando pode perfeitamente adoptar? Não dizem que pai e mãe são quem cria? Triste mundo este em que há mulheres que querem ter filhos e não podem e outros que podem mas não querem...

A Sérvia não é assim culturalmente muito diferente de Portugal. A Sérvia também é de base cristã e o Cristianismo é pró-vida. Aliás, a única excepção que a Igreja abre no que diz respeito ao aborto é quando a vida do bebé coloca em risco a vida da própria mulher, pois uma vida não tem o direito de tirar outra vida. Só neste caso mesmo.

Eu sou a favor de que apenas as mulheres que desejam ser mães é que devem efectivamente ser mães. As mulheres que abortam e que depois ficam com problemas de saúde como por exemplo incapacidade de voltar a engravidar são por mim enquadradas no contexto da justiça poética. Talvez eu seja muito cruel nas minhas considerações, mas fazer o quê? Uma vida é uma vida e uma vida é um valor absoluto, logo não se negoceia.

Portuguesinha disse...

Neste tema acho que teremos sempre perspectivas diferentes. Não que isso seja mau, não que tu ou eu estejamos errados. Depende. O teu exemplo não faz sentido. Não há comparação possível entre um aborto e um assassinato de uma vida com 5 anos.

Para mim são coisas distintas. Entendo que para ti exista igualdade, ou melhor, não haja diferenças entre uma vida embrionária e uma totalmente constituída. Vida é vida. A partir do momento em que existe, é sagrada. Certo?

Mas uma vida embrionária em vista de ser eliminada não pode ser comparada a uma de 5 anos já existente, porque ela mesma pode desaparecer sozinha, espontaneamente, num único corrimento de sangue, sem que essa seja a vontade da mãe. Pode desaparecer com a facilidade de um tropeçar, cair, pode desaparecer com estimulos exteriores emocionais como a ansiedade, a depressão, o stress. É uma vida que não respira, não está fisicamente formada, não tem consciência, não sente. A sua existência não está garantida, pode vir a existir, se tudo correr bem com o processo de gestação e o parto, ou pode vir a falecer. Entendo quem defende a vida como sagrada. Também tendo a achar assim. Mas também entendo o «outro lado».

Tenho uma opinião mais espectral sobre a maternidade. Não negaria a ninguém - nem mesmo a uma abortista, o direito de vir a ter filhos. A vida não é justa. Farta-se de os dar a quem não sabe o que é ser mãe, impede outras que seriam boas educadoras de descobrir a maternidade, dá filhos a sádicos, a pedófilos... Infelizmente não existem milagres que ditam que só as mulheres que desejam ser maes e o merecem ser é que o serão.


PS: Tinha escrito um comentário tão aborrecidamente longo que ultrapassou o limite de caracteres. Sendo assim, deixo-te a primeira parte, que é sucinta no ponto de vista.

Bom fim de semana!

Portuguesinha disse...

Aqui vai a 2ª parte:
Estava a conversar com uma jovem Cabo Verdiana, que nunca sequer viveu com quem lhe tinha feito um filho bebé. Foi um gajo qualquer que lhe achou graça e enfim... divertiram-se e quando a consequência chegou, ele pirou-se. Afinal, a culpa da gravidez é "da mulher". Ela só tem “porque quer”, etc, etc.

Contava-me ela que o miúdo recusava-se sempre a comer e então levava umas chapadas. E porque chorava, levava mais chapadas para ver se se calava. E como ela não tinha paciência nem tempo, forçava-lhe a comida pela garganta abaixo. Ou seja: recorria à violência física, verbal e comportamental. Concluiu a sua narração com o que eu achei ser a cereja em cima do bolo: "ele já devia ser crescido, para me sustentar".

Fiquei com pena e pensei se não teria sido melhor e mais responsável de sua parte, não o ter tido.

Não estou a contar isto para defender o aborto. É mais para exemplificar como se pode sentir pena de uma criança que mal nasceu e já parece ter pouco a seu favor. Riqueza é nascer com pelo menos um dos pais ou um outro criador capacitado para a tarefa que têm pela frente. Sem essa riqueza, vir ao mundo é muito sofrido.

E por isso sou a favor que a ciência ajude a realizar sonhos de maternidade. Incluindo a casais homossexuais com o desejo de constituir uma família maior. Acho lindo poder conceder essa possibilidade de vida, ainda que exista a adopção. Eu própria, anos atrás, desejei muito poder ajudar. Quando em sonhos infantis, imaginava-me adulta com filhos meus e adoptados. Pelo menos três - o número que essa mulher «matou». E estou sem... Por não ter tido condições e a responsabilidade falar mais alto. Mas, se me perguntares, eu te responderia que preferia ter tido filhos bem cedo quando ainda estudava e ficar com a vida toda "estragada", como se costumava (erradamente) vaticinar. Não por agora não os ter, já estou quase resignada, mas por a vontade de ser mãe ter surgido e ter sido «abortada». Não é isso também um certo "crime" espiritual?

Por isso se ouvir falar em mulheres que querem ser mães e vão a uma clínica de fertilidade para ter filhos por conta própria, não vejo mal. Se bem que a moda agora está nos pais... homens jovens, com dinheiro e solteiros. Por vezes interpreto-o como um acto egoísta, ofensivo para com a mulher, que aí sim, é vista como um produto que se usa, compra e se descarta. Se ao menos a ciência avançasse para possibilitar ao homem a gravidez... Aí sim, gostaria de ver os solteiros a tomar essa opção.

Antigamente ficava a pensar se é ou não justo uma criança vir ao mundo sem pai/mãe. Mas depois entendi que não é por aí... Porque, se formos a ver, no passado não faltaram crianças sem a figura/materna paterna enquanto cresciam. Tinham tias, avós, vizinhos... uma comunidade. Ou não tinham ninguém. Hoje, quando se investe na monoparentalidade por opção, é só mesmo UM para UM.... Mas seja como for, acho importante ter filhos quando se tem vontade, mais do que os ter porque “o prazo está a terminar” ou porque “calhou” mas não “em boa altura”. A entrega será sempre diferente, porque o timming é diferente (e cada caso é um caso). E daí até uma pessoa que optou por um aborto poder, mais tarde, sentir o desejo da maternidade que antes lhe escapava.

De resto sou a favor que os homossexuais tenham filhos biológicos gerados em barrigas de aluguer, sou a favor que adoptem crianças, sou a favor da maternidade/paternidade monoparental, sou até favorável à ideia de uma mulher poder gerar filhos com o esperma congelado de alguém falecido... Tornei-me uma pessoa ainda mais receptiva do que era, à medida que os avanços tecnológicos foram abrindo o espectro da vida. Mais receptiva tanto para o ter, quanto para o «tirar».

Desculpa o comentário longo, o tema empolgou-me.
Bom Fim-de-semana!

FireHead disse...

Pois é, mas é a conversar que nos entendemos. :)

O teu argumento de que não se pode comparar alguém que ainda não nasceu com uma criança de cinco anos torna-se desnecessário sabendo que atribuis à criança de cinco anos o estatuto de ser com mais direito a viver que um ser não nascido pelo tempo de vida que leva. Ora, uma criança de cinco anos também precisou, tal como todos nós, de se formar dentro da barriga de uma mulher, uma coisa procede da outra. Não estamos a falar de propriedades patrimoniais ou materiais, não estamos a falar de objectos... daqui a nada ainda começamos a falar do usocapião e estas coisas todas. :)

E o facto de uma mulher poder perder o seu bebé dentro da barriga devido a 1001 acidentes nunca é a mesma coisa que perder o seu bebé a pedido. Estás a comparar um acidente que pode resultar na perda de uma vida com uma vontade explícita de acabar com uma vida. Ora, os acidentes acontecem a toda a hora e há sempre gente que morre em acidentes. Não me digas que para ti um sinistrado que morre é o mesmo que um bebé que é abortado? Tipo, em matéria de essência achas que estamos a falar da mesma coisa?

Aborto comparo eu ao homicídio, isso sim. Porque há vontade da parte de alguém de impedir que um ser viva, seja de forma voluntária ou imposta.

FireHead disse...

Certamente que nunca me ouviste (ou leste) dizer que a culpa de uma mulher se engravidar é apenas da mulher. Mesmo que moralmente a culpa parte da mulher, uma mulher nunca consegue, porque é impossível por natureza, engravidar-se sem um homem (a não ser que lhe insiram sémen de maneira artificial).

Bem, eu iria mais longe. Não é "ele não o deveria ter tido", mas sim "ela simplesmente não o devia ter feito". Ora, o impedimento da concepção sempre é mais moralmente aceitável que um aborto. Porque é que discutimos a possibilidade dela ter ou não abortado quando devemos é questionar o porquê dela ser ter empolgado e envolvido sexualmente com um tipo... sem se precaver como deve ser? Não estamos já no século XXI em que só se engravida a mulher que quer? Não achas que o aborto é um passo atrás na questão da evolução dos contraceptivos, até porque o aborto para começar nem sequer é um contraceptivo mas sim a "correcção" da "falha"?

E depois voltamos ao mesmo. Há muita gente neste mundo que sofre. A solução é dizer que "para isso, mais vale não ter nascido"? Tipo a "solução ideal" para acabar com pobreza neste mundo que é pura e simplesmente acabar com todos os pobres? As coisas não funcionam assim...

A fertilização in vitro é eugenia. Basicamente consiste em escolher os mais aptos em detrimento dos mais fracos (estamos a falar de óvulos fertilizados, evidentemente). Então, os mais fracos não merecem viver? Foi para isso que o ser humano andou a evoluir?

As pessoas devem aceitar a sua trágica condição humana e aceitar também as coisas tal como elas são. Ninguém consegue ser verdadeiramente feliz se não souber aceitar-se a si próprio e o mundo que o rodeia.

"Crime espiritual"? Eu não sou pai, e sinceramente isso de ser pai é uma coisa que eu não tenho como plano para a minha vida, mas não creio que ter filhos seja dar passos atrás ou mesmo ter a vida "destruída". Ter a vida destruída porquê? Afinal não é uma coisa normal ter filhos que é para alguém continue com o legado da família? Não é assim que a humanidade continuou até os dias de hoje? Se tu ainda hoje tens possibilidades e condições para ter filhos, o que é que te impede? Eu conheço uma chavala que foi mãe não há muito tempo atrás pela primeira vez... e se eu não estou em erro ela já está nos 40 ou perto disso.

Eu defendo que todas as crianças precisam, porque merecem, ter um pai e uma mãe. Mas é claro que existem sempre excepções e não faltam casos de crianças saudáveis mentalmente e que foram criadas só pelo pai ou só pela mãe. Não é a mesma coisa, mas também cada caso é um caso.

Pois, eu sou contra os homossexuais poderem adoptar. Mas isso as pessoas já até devem imaginar porquê.

Quanto aos avanços tecnológicos, eu só te digo uma coisa: sempre que o ser humano se arma em Deus, acaba apenas por fazer porcaria.

E ah, estás à vontade aqui com o je. Aparece sempre por cá para comentar. :)

Beijinhos e boa semana!

Portuguesinha disse...

Só para tirar uns equívocos interpretativos: quando escrevi "a culpa é sempre da mulher" não fiz referência a ti, mas à mentalidade que tenho a certeza ser a que rodeava o caso em questão e o homem que «deu aos fosques».

Outro equívoco: "ter a vida destruída" no sentido de que é o que se escuta quando uma menina jovem, menor de idade em particular, engravida. Costuma-se dizer que «estragou a vida» por tudo o que vai mudar. Antigamente não se dizia isso porque era o que era esperado da mulher. Então que começasse cedo não fazia grande diferença. Hoje homens e mulheres têm de se empregar... A mulher já não serve somente para parir e daí se dizer que ter filhos muito jovem é "estragar a vida". O que eu disse ser erróneo - by the way :)

Quanto ao resto, aprecio a troca de ideias mas mantenho a opinião que tinha. Só acho que estás a extrapolar com a fertilização em vitro: esta não visa a eugenia, porque ainda não se "encomenda" bebés com olhos azuis, sem doenças etc... Fertilização em vitro para fins reprodutivos serve apenas para AJUDAR DEUS, com aquilo que Deus dá (o óvulo e o esperma), juntá-los num laboratório e introduzir no útero, esperando que "peguem". É só mesmo um «empurraozinho», que ainda não interfere aí por além com a ética deontológica.

Não se escolhe o sexo, nem quantos vão vingar, nem nada, realmente. Somente se pega em óvulos saudáveis, em esperma saudável e «poupam» a corrida que os pobres têm de fazer... Porque há uns que não têm força, há óvulos que não são muito receptivos... Se os espermatozoides tiverem velocidade e tendo um óvulo saudável, naturalmente também nasceria um bebé com a combinação que Deus determinou. A diferença é que falta um destes requisitos e pede-se ajuda médica para conceber.

Abraço!

FireHead disse...

Sim, eu sei o sentido que tu quiseste dar às tuas observações, eu apenas estava a tentar contrariá-las. Epá, se as rapariguinhas jovens não querem ter a sua vida "estragada", pois então que tenham juízo. Tudo se resume a isso: quando um não quer, dois não fazem. Mas porque é que as pessoas hão-de ter "comportamentos de risco" e comportarem-se como animais?

Quanto à FIV, acho que não nos vamos entender. Se para ti um óvulo já fecundado não é o mesmo que um ser vivo (por muito que a ciência já comprovou que é sim, contrariando a ideia tola e absurda que muitos abortistas têm de dizer que são apenas "tecidos" ou "aglomerado de células" e que só a partir de não sei quantas semanas é que é "gente") então não podemos jamais entender-nos nesta questão. É que a FIV faz isso mesmo, entre alguns óvulos já fertilizados vai buscar os que podem mesmo desenvolver-se. Nem todos óvulos fertilizados que são implantados na mulher sobrevivem. Portanto, se são já óvulos fertilizados então é porque estiveram condenados à morte (nem todos são "saudáveis", como deves saber, só depois de testados é que se sabe). E não sei o que é que isso tem a ver com a ajudar Deus, como se Deus precisasse de ser ajudado. Então se uma mulher nasce feia e torna-se bonita graças às operações plásticas, também vamos dizer que ela deu uma ajuda a Deus? Será que se pode acusar Deus por ela ter nascido feia ou por uma mulher ou um homem ter nascido infértil? É que por esta ordem de ideias até parece que sim...

E olha que não, há médicos que são objectores de consciência no caso da FIV também... O que vale para os que concordam com isso é que sempre há outros médicos que não se importam de fazer estas coisas.

Beijinhos.

Portuguesinha disse...

Sim, entendo isso da FIV... No teu entender, de que a vida começa no óvulo fecundado, então todos os descartados têm de ser definidos como uma «eliminação». Por acaso havia esquecido essa parte da selecção dos mais fortes. Mas isso também acontece na natureza... Uma vez implantados só vingam se a natureza quiser, não é mesmo? Acho que é uma posição muito extremista, embora respeite totalmente e entenda. Não sei... é como os vegans.. Para eles tudo o que é mamífero é canibalismo. Logo comer carne é um pecado idêntico ao que apontas: é um óvulo fecundado, é uma vida, e vidas não devem servir de alimentação a outras vidas.

Mas vemos isso na natureza! Pelo que... como contrariar a natureza? A vida natural animal por vezes até tem casos bizarros e muito violentos no que respeita à reprodução. Há as aves que comem as próprias crias, as que as abandonam, as que colocam os seus ovos no ninho de outra espécie para não terem de ser eles a «educar» e alimentar os bebés... Tem fêmeas capazes de ser fertilizadas por múltiplos machos, tem fêmea que come o macho depois da fertilização, tem o caso dos salmões, que depois da desova morrem, têm o surpreendente caso dos cavalos-marinhos que são os machos que carregam os bebés e «engravidam» (um sinal de que no futuro o Homem o poderá imitar?), tem as espécies que mudam de sexo assim que o alfa-macho morre... Desculpa lá a incursão por este universo animalesco eheh. É que tento manter os horizontes abertos, em sintonia com o que me envolve, acho eu que mantendo noções de ética, de tolerância, também de responsabilidade e intolerância para com a intolerância em si. Desculpa estou cansada... já devo ter escrito tudo assim meio misturado.

Boa semana!

FireHead disse...

Bem, naturalmente falando, um óvulo fecundado desenvolve-se, a não ser que seja impedido de tal devido a alguma doença ou algo assim do género. Seja como for, não há nada que possa ser dito que invalida o facto da FIV ser anti-natura e artificial. E já bem sabemos o que é que acontece muitas vezes quando vamos contra a Natureza.

Quanto aos animais, bem, eles existem também para estarem à nossa disposição. Não é assim a lei da... Natureza? Os homens também são animais, ainda por cima omníveros, logo também comem carne de outros animais. Os leões, os tigres, os ursos e restantes feras também se alimentam de carne de outros animais. :P

Os veganos, que são a forma mais extremista dos vegetarianos, negam a essência humana. Até parece que a dentição que eles têm não faz também parte de um processo de evolução de ingestão de alimentos sólidos por parte dos seres humanos, e quando digo alimentos sólidos refiro-me essencialmente à carne, com os dentes caninos para rasgar, os molares para mastigar, etc. Mas, já que falamos nos vegetarianos, eu cheguei a comentar aqui no blogue no passado que eu deixei de apoiar uma organização de defesa dos animais porque aquela malta era vegetariana e, além de me pedir ajuda para os animais (cheguei a ajudar-lhes monetariamente), ainda me enviavam propaganda vegetariana e, pior, budista tibetano, batendo sempre na tecla de que devemos ser vegetarianos e estas coisas todas (vegetarianofascismo). E quando me lembro que se trata de gente de uma organização de animais, não consigo fazer outra coisa senão rir-me. Então os seus gatinhos e cãezinhos também são, por acaso, vegetarianos? Ou a comida da Whiskas ou da Friskies não contêm carne?? É tudo vegetais? Afinal de contas, isso de não comer carne é só um exclusivo dos homens e dos herbívoros?

Comer carne é um pecado? Lol, opá, até Jesus comia carne...

Acho que a comparação que tu fazes é incorrecta. Não devias comparar a FIV ao vegetarianismo. Os animais irracionais não têm como praticar a FIV. Aliás, eles nem se preocupam com isso como preocupam-se alguns humanos. Portanto, se nós também somos animais então não devemos preocupar-nos com isso... e não praticar a FIV. :P

Mas se quisermos passar dos 8 aos 80 então, como também somos animais, também deveríamos praticar o incesto, a "poligamia" e, ah, talvez a melhor parte para os homens, não precisamos sequer de querer saber da nossa descendência, é engravidar quantas fêmeas conseguirmos e zarparmo-nos das responsabilidades. Quanto às fêmeas, ficam com cio, e é logo uma festa com a quantidade de pretendentes que estiverem por perto... e, depois de desamamentar as crias, é abandoná-las e deixá-las desenrascar-se sozinhas. Como vês, parece que esse argumento de sermos animais afinal não pode ser levado ao extremo. Afinal de contas, os seres humanos são racionais por algum motivo. :P

Beijinhos. :)

Portuguesinha disse...


E na tua racionalidade não consegues mesmo, mesmo, mesmo aceitar algo tão simples como a FIV? :)
Acho que é uma questão de tempo... Recordo que no passado também outros avanços da medicina era controversos. Hoje alguns até estão esquecidos...

A pílula... o que achas dela?
Só por curiosidade. Pessoalmente a forma como a testaram foi uma crueldade para com a mulher - mas não é sempre assim quando lançam novas drogas? O facto de dizerem mas não terem como provar se causa ou previne cancro, é algo que também me incomoda. Mas como método contraceptivo, não vejo esse conceito como algo errado.

Só acho errado uma coisa: continua-se a colocar bastante a responsabilidade da contracepção na mulher, mais que no homem. Um homem não corre risco algum por usar preservativo. Não está em risco, por menor que seja, de contrair cancro pelo uso prolongado de uma droga a ser tomada diariamente o resto da vida fértil. E o preservativo é o único método contraceptivo com duplo benefício: é contraceptivo E previne a transmissão de doenças que muitas vezes os próprios não sabem carregar. Mas como no geral um homem não gosta de usar aquilo... Que seja a mulher a preocupar-se e a arriscar a sua saúde. Até criaram os femininos, claro.

Embora a ciência tenha inventado várias marcas de contraceptivos orais femininos e cada vez juram mais que estes são seguros e bons para a saúde. Pessoalmente, sendo a pílula uma invenção com menos de 100 anos, acho que não passaram gerações suficientes para tirar a prova dos nove. :P

FireHead disse...

A FIV não é algo simples, minha amiga. A FIV é uma intervenção humana que desafia a lei natural. Isso não pode de maneira nenhuma ser confundida com uma operação para salvar uma vida. Não podemos discutir a forma como se estivéssemos a falar da matéria. É como estarmos a discutir adoração e veneração; são duas coisas diferentes, embora materialmente parecem a mesma coisa. Onde é que está a naturalidade (e também a racionalidade) de uma mulher se engravidar de um filho ou de uma filha que não é seu/sua mas de outra pessoa? Não é senão uma espécie de incubadora, uma desgraçada que tem de arcar com uma das coisas que a maternidade tem de mais bonito (a gravidez) sem mesmo haver maternidade de facto aí.

Eu sei qual é o teu ponto de vista. O meu é simplesmente a moralidade da FIV. E continuo a defender que se casais inférteis querem muito ter filhos então que adoptem crianças porque há sempre muitas crianças órfãs ou abandonadas que merecem a felicidade de ter pais porque pais de verdade são aqueles que criam e não apenas quem as dá à luz.

Tudo tem o seu lado inverso. A pílula, embora seja um dos métodos contraceptivos mais eficazes, também tem efeitos colaterais. Também já ouvi falar disso de fazer mal às mulheres.

Quanto ao preservativo, a sua eficácia na prevenção de uma gravidez ronda, segundo a OMS, os 98%, o que significa que é altamente eficaz. Já no que diz respeito à prevenção do contágio do HIV a % baixa, rondado os 90%. Ou seja, se um gajo vai fazer sexo com uma mulher que tem HIV com o preservativo, existe um risco real de 10% de contrair o vírus. Achas que um homem minimamente decente correria esse risco, isso é, se soubesse de antemão que a gaja tem Sida? Eu não correria esse risco, safa! E é por haver esses ditos comportamentos de risco que existe tanta porcaria por aí.

Os contraceptivos não são 100% seguros. Mas é claro que eu também não vou estar a dizer às pessoas para não os usarem se não quiserem ter filhos, pois cada qual é livre de fazer o que quer. Apenas procuro alertar as pessoas para o facto dos contraceptivos não serem 100% seguros e que existem sempre riscos. E antes que me apontes o dedo, digo-te que eu tolero muito melhor a contracepção que o aborto, pois o aborto não é nenhuma forma de contracepção - recorrer ao aborto quando a contracepção falha é pura e simplesmente um passo atrás dado na questão da evolução da contracepção no geral. E tolero melhor a contracepção do que o aborto porque sempre é mais moralmente aceitável. Uma coisa é evitar que uma vida surja e outra coisa completamente diferente é evitar que uma vida nasça.

Ah e depois também não podemos esquecer que existem métodos contraceptivos naturais... não me lembro do nome de uma técnica que até a Igreja concorda e aprova...