quinta-feira, 25 de agosto de 2016

A ruptura no Ocidente


A revolução cultural, herética e anti-católica, produzida pela Reforma protestante e pelo Renascimento liberalizou e paganizou a sociedade. Isto provocou o fim da unidade do Ocidente que tinha como base a unidade religiosa. O protestantismo tomou conta de muitas nações, os sistemas aristotélico e tomista foram substituídos pelo pensamento cartesiano. 
Voltaram os costumes pagãos: a usura, os negócios escuros, o culto da vaidade, o luxo, a deformação das artes, a falta de regras e de disciplina, a escravidão, o despotismo e a tirania. Desenvolveu-se um terreno favorável ao avanço do secularismo que culminou nas novas correntes de pensamento como o laicismo, o liberalismo, o socialismo, o comunismo, o fascismo, obras organizadas e materializadas pela maçonaria como ela própria assumiu. 
Estas ideias, até aí solitárias e ocultas, ganhavam adeptos que começavam a actuar às claras, de forma arrogante e altiva. A razão deixou de ser um juízo equilibrado, para se tornar uma crítica ousada. Punham-se dúvidas em tudo, o que era universalmente aceite, deixou de o ser. Renegou-se o divino e o homem passou a ser a medida de todas as coisas, era a sua própria razão de ser e o seu fim. 
Entra-se numa política de Direito abstracto contra a do Direito divino, uma religião sem mistério, uma moral sem dogmas. 
A consciência europeia entrou em crise, talvez a mais importante na História das Ideias. A nova ordem construiu a moderna civilização alicerçada nos direitos da consciência individual, nos direitos da crítica, nos direitos da razão, nos direitos do homem e do cidadão, em contraste com a que estava estabelecida: a civilização cimentada na ideia do dever, deveres para com Deus e para com os poderes instituídos. 
Vivemos no Estado moderno: um Estado amoral, omnipotente, relativista,... um monstro que falsamente diz defender a Liberdade, a Igualdade e a Fraternidade. 

Guilherme Koehler

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