terça-feira, 26 de julho de 2016

Os cristãos do Médio Oriente são um exemplo para o Ocidente

Missa da Primeira Comunhão em Erbil, no Iraque
O bispo de Carpi, Itália, D. Francesco Cavina, visitou o Curdistão iraquiano e ficou impressionado com a graditão dos cristãos pela protecção divina.
Ao jornal Il Foglio, o bispo disse que "Os cristãos experimentaram uma profunda sensação de solidão enquanto as milícias jihadistas avançavam. Sentiam-se traídos pelas instituições do governo e, mais dolorosamente ainda, por aqueles que julgavam serem amigos e que não somente os abandonavam, mas os denunciavam" aos muçulmanos. Depois de os cristãos abandonarem as suas casas, os seguidores de Maomé invadiram-nas e pilharam todos os seus haveres. O bispo sublinhou "que o Estado Islâmico procura eliminar a presença dos cristãos do país constrangendo-os a emigrar. Os cristãos, de facto, não aceitam serem definidos como uma minoria religiosa que no máximo pode ser tolerada", como impõe o Corão.
D. Francesco Cavina
Lá, no norte de Bagdad, o bispo assistiu a cenas de crianças que tendo perdido tudo participavam nas adorações do Santíssimo Sacramento, uma devoção nobilíssima que parece incrível no Ocidente, onde a fé está cada vez mais entibiada. "O Santíssimo estava exposto sobre um altar e as crianças estavam dispostas em volta d'Ele formando círculos, com as mãos juntas e ajoelhadas no estilo oriental. Rezavam, cantavam, ficavam em silêncio. Fiquei impressionado com a sua compostura e atenção. Muitos rezavam e cantavam com os olhos fechados", relatou.
O arcebispo católico siríaco de Mosul, monsenhor Yohanna Petros Mouche, pediu "pessoalmente ao governo italiano um reconhecimento oficial do genocídio para nos ajudar a retornar às nossas terras e continuar a viver no nosso país". O cardeal Jean-Louis Tauran, presidente do Pontifício Conselho para o Diálogo Interreligioso, acrescentou: "Os cristãos estão a ser mortos, ameaçados, reduzidos ao silêncio ou expulsos; as suas igrejas estão a ser destruídas ou correm o risco de virarem museus. O Cristianismo arrisca-se a desaparecer precisamente na terra em que se expandiu inicialmente a fé de Cristo. Em 1910, 20% da população do Médio Oriente eram cristãos. Agora eles são menos de 4%. Há claramente um plano de acção para erradicar o Cristianismo do Médio Oriente e isso bem pode ser chamado de genocídio".
Como escreveu o jornalista Luis Dufaur, do blogue As Cruzadas, o relato do bispo de Carpi como que impõe algumas reflexões. "Antes de tudo a respeito da fé ardente desses católicos martirizados. Hoje, nas cátedras eclesiásticas, nas Missas, nos média, nas pregações ou nos encontros diocesanos nacionais e internacionais, bispos e sacerdotes podem falar dos sofrimentos materiais e corporais dos nossos irmãos na fé perseguidos e mortos. Mas quantas vezes falam da religião católica atacada com sanha islâmica, que é feroz senão satânica? Peguemos a Internet ou os média convencionais. Onde estão os líderes religiosos católicos denunciando o ódio religioso desencadeado contra Cristo, a Sua Igreja e os Seus fiéis seguidores pelos discípulos de Maomé? Onde estão os convites para adorações do Santíssimo Sacramento, reza do terço e outras formas de piedade em união de intenções com aquelas crianças, que talvez tenham perdido parte de suas famílias, cruelmente assassinadas por causa de sua fé e sujeitas elas próprias a sádicos martírios? Elas lá, adorando Jesus Sacramentado no que pode ser um dos derradeiros actos da sua curta existência, e nós aqui: o que ouvimos pregar nas nossas igrejas?"
E prosseguiu, falando da situação actual da Igreja conciliar: "Mais triste ainda é considerar que multidões de sequazes da furiosa religião de Maomé são acolhidos nos nossos países com argumentos humanitários, enquanto esses argumentos de nada valem para as vítimas quando estas são cristãs. E não são só os média convencionais ou a Internet, mas são também sacerdotes, bispos – e ficamos por aqui por respeito – que apelam para receber as hostes invasoras do Islão. E, mais lancinante do que tudo, Nosso Senhor Jesus Cristo, verdadeiramente presente na Hóstia consagrada com o Seu Corpo, Sangue, Alma e Divindade, é devidamente adorado no Médio Oriente por possíveis futuros mártires de poucos anos de idade. Entrementes, reúne-se em Roma um Sínodo com representantes de todos os episcopados do mundo, cujas mãos consagram a Hóstia todos os dias na Missa. Muitos deles postularam nada menos do que a entrega do Santíssimo Sacramento à profanação, pela Sua distribuição àqueles em situação matrimonial escandalosa: os 'divorciados recasados' e outros estados pecaminosos vituperados pela Escritura e pelo Magistério de dois mil anos da Igreja".
Por fim, concluiu: "Entramos no centenário de Fátima. Não é bem verdade que os terríveis anúncios de Nossa Senhora para a humanidade pecadora, sensual e orgulhosa, não ficam inteiramente explicáveis e inevitáveis à luz dos factos descritos? É de se temer mais pelo Ocidente, onde os muçulmanos ainda não andam a chacinar todo o mundo pelas ruas – embora já existam atentados espantosos –, do que pelos heróicos católicos resistentes no Médio Oriente. Estes últimos estão mais próximos da misericórdia divina, do amparo de Nossa Senhora e do próprio Céu, do que as línguas farisaicas de nossos países, igrejas e os média".

6 comentários:

Lura do Grilo disse...

Notável

Adilson disse...

De fato, meu nobre. Só vou citar apenas um fato (dentre milhares) do que acontece por aqui, no Brasil. Os padres que ousam rezar a santa missa em rito tradicional romano ou missa tridentina, são logo taxados de fanáticos. Sem falar no fato de que muitos fiéis chegam mesmo a abandonar as paróquias porque não suportam as missas de rito novo muito badaladas, isto é, já mesclada com os agitos dos cultos protestantes. Eu mesmo já participei de Missa rezada em lares, já que não espaço para as missas 'antiquadas', por que bispos e padres não consideram tais missas muito 'atrativas' aos fiéis. Só posso rezar pela Santa Igreja em meu país e confiar na misericórdia de nosso Senhor.

FireHead disse...

Lura do Grilo,

Infelizmente o Cristianismo cada vez tem menos futuro no Ocidente. Mas em contrapartida, e sem contar com o mundo islâmico onde apesar das perseguições o Cristianismo continua a existir - são poucos mas bons -, no resto do mundo o Cristianismo tem futuro.

FireHead disse...

Adilson,

Pois é, e depois ainda dizem que o Brasil é o maior país católico do mundo! Como se já não bastasse a quantidade de "evangélicos" - um nome bonitinho que os protestantes inventaram para eles próprios (nota: o verdadeiro evangélico é o católico, pois somente os católicos seguem de facto os Evangelhos) -, a grande maioria dos ditos "católicos" do Brasil é apenas nominalmente católica.

noticiasdofront disse...

A perseguição contra os cristãos não me causa estranheza. Sabemos que assim seria, pois o próprio Salvador nos instruiu. Mesmo assim,vamos defende-los sempre, acusando toda barbaridade e confrontando os maus, mesmo sabendo que o juizo de Deus está próximo, e reservado para todos os que se voltam contra o seu povo. Vocês, meus irmaozinhos católicos, também acreditam que esse dia está chegando? E aí, estão preparados?
Forte abraço!

FireHead disse...

noticiasdofront,

Parece que o que nos vale, e de certa forma nos conforta, é que as profecias realmente se estão a concretizar. Para quem nos acusa de sermos tolos, supersticiosos, retrógrados ou atrasados, os factos falam por si.