domingo, 24 de julho de 2016

O João César das Neves não percebeu tudo; ou faz de conta

O João César das Neves escreveu

“Por que razão então a Europa e os Estados Unidos são vistos como inimigos figadais [do terrorismo islâmico]? 

O motivo é cultural, não político ou militar. O maior inimigo dos fundamentalistas islâmicos não é o governo norte-americano, mas o seu cinema; não são os EUA ou a União Europeia que os atingem, mas o laicismo ocidental, o seu consumismo, promiscuidade, liberdade de expressão e hábitos religiosos, familiares, de vestuário, alimentação e tantos outros. Esses são os adversários que eles abominam, precisamente por serem tão atraentes. O Ocidente é execrado porque se insinua de forma imparável na vida e costumes das populações muçulmanas, algo que esses extremistas consideram inaceitável. E reagem da única forma que sabem, gerando o terror.” 

Nas décadas de 1930, 1940, 1950 e 1960, muitos países islâmicos tentaram separar o Islão e o Estado — por exemplo, o Egipto, a Jordânia, a Síria, o Líbano, a Pérsia (hoje Irão), Argélia, Marrocos, Tunísia, Turquia, entre outros. Naquele tempo (e não vai há muito), a cultura ocidental era vista com bons olhos pelo mundo islâmico, e muitos países islâmicos adoptaram uma tentativa de secularização (e não “laicização”, como diz o João César das Neves) da sociedade nos seus países.


Com o chamado pós-modernismo (principalmente a partir de Maio de 1968), a cultura intelectual ocidental mudou, e com ela foi mudando a cultura antropológica (por Trickle-down Effect), mas para bem pior. Em nome de uma pretensa “liberdade”, o Ocidente entrou pelo libertinismo adentro. Mas este libertinismo não é isento de uma determinada ordem social que é negativa: tenta apenas e só destruir a ordem social anterior. Hoje já não podemos falar propriamente de uma “civilização ocidental”.


O divórcio entre as culturas islâmica e ocidental também ocorreu com a Rússia do Cristianismo Ortodoxo; e países como a Hungria, a Polónia, Eslovénia, Sérvia e os países bálticos (e até o Japão), mantêm sérias reservas em relação à actual cultura antropológica da maioria dos países ocidentais. 

O fenómeno de recusa da influência actual da cultura antropológica ocidental não é apenas uma característica dos países islâmicos. 

Por detrás da propagação da actual cultura antropológica decadente — através dos me®dia controlados pelo poder do dinheiro — está a plutocracia internacional em um certo encontro de vontades com uma certa Esquerda dita “marxista cultural” (Bloco de Esquerda, alas esquerdas do Partido Socialista e do Partido Social Democrata). 

O “choque de civilizações” entre o Islão e o Ocidente, no sentido estritamente cultural, é relativamente recente.


As sociedades europeias mudam agora rapidamente para matriarcados desestruturados, e sustentados pelo Estado, negando o patriarcado moderado anterior à “revolução sexual” do pós-modernismo — patriarcado moderado esse que os muçulmanos tinham adoptado como uma via plausível para escapar ao patriarcado radical estipulado pelo Alcorão. 

A sociedade europeia caminha rapidamente para o predomínio de um matriarcado alimentado por um Estado plenipotenciário; os atributos tradicionais da masculinidade são não só negados, mas mesmo condenados à exclusão cultural — o que torna as sociedades mais fracas e totalmente dependentes do Estado. 

A cultura islâmica poderia ter entrado por uma espécie de “Iluminismo”; mas a decadência ética e moral da cultura antropológica ocidental fez com que o Islão mais retrógrado e bárbaro encontrasse argumentos para predominar na maioria dos países islâmicos.


Fonte: perspectivas

10 comentários:

Afonso de Portugal disse...

Boa análise. O Orlando Braga é dos poucos que percebe bem o marxismo cultural e o seu legado no Ocidente. Infelizmente, receio que já seja tarde demais para evitar uma grande guerra...

FireHead disse...

É por isso que eu costumo colocar aqui textos dele. :)

Quanto a uma "grande guerra", não sei, não...

Anónimo disse...

Ai não guerra o menino não quer, que horror , que assim o Benfica não joga. Basta enxotar aquelas moscas islâmicas à volta da cabeça do menino.

FireHead disse...

Exacto, pá, ainda por cima o menino já não precisa mais de colo e tem cabecinha para pensar por ele próprio. :)
Quanto ao Benfica, pelo menos o menino tem um clube e sempre se assumiu como adepto do Benfica. Não precisou de passar por nenhuma fase de auto-negação para mais tarde se identificar com um determinado clube, como que tendo havido um hiato qualquer que se perdeu no próprio tempo.

Anónimo disse...

Uma análise interessante. Lembro-me de ter lido qualquer coisa escrita pelo então Cardeal Ratzinger sobre o assunto, em que ele também apontou o dedo para o crescente relativismo, promiscuidade, decadência moral e materialismo consumista do Ocidente como sendo possíveis causas do terrorismo islâmico, como reacção da imposição cultural do Ocidente pós-moderno destes valores imorais nas sociedades islâmicas...
Daí a urgente necessidade de recristianização do mundo ocidental, sob pena de ser destruído por forças internas e externas. Um cenário que o então Cardeal Ratzinger pensava ser possível, já que a civilização ocidental, por melhor que seja, não é eterna, ao contrário da Igreja, em que o próprio Deus prometeu que se manterá até ao fim dos tempos...

FireHead disse...

Infelizmente eu já não creio na recristianização do Ocidente. A Igreja é eterna, mas agora ironicamente o Cristianismo cresce pujante é fora do Ocidente. É impossível lutar não apenas com os inimigos externos como também com os inimigos internos, estes sim, o verdadeiro grande problema. Se o Ocidente hoje em dia está como está deve-se apenas e só aos próprios ocidentais, que apostataram e viraram traidores. Foi assim que a derrocada começou e os inimigos externos apenas se aproveitam disso.

Anónimo disse...

Pois é... Temos que ter esperança... Se o Cristianismo conseguiu criar a civilização ocidental a partir das ruínas da civilização greco-romana, após as invasões bárbaras, certamente também conseguirá criar novas civilizações de tradição cristã em culturas não-ocidentais... Estou, por exemplo, a pensar em África, onde a Igreja está a crescer bastante... Eu sei que em África existe muitos problemas estruturais e básicas ainda por resolver, mas é um continente com esperança... Se calhar lá a Igreja Católica consiga influenciar a criação de uma nova civilização de tradição cristã, unindo fé cristã com o que há de bom nas culturas africanas...
Pois, também estou bastante pessimista em relação ao futuro da civilização ocidental... Parece que, ao fim de 1500 anos, vamos repetir a História de novo, qual queda do Império Romano...

FireHead disse...

Para mim a esperança do Cristianismo está na América Latina, em África e na Ásia. Em relação ao Ocidente, o problema é que há gente que supostamente quer o melhor para o Ocidente e que mesmo assim vibra com o declínio cristão... Não entende que é precisamente por o Cristianismo estar a perder cada vez mais influência que as coisas estão como estão, à mercê dos inimigos. Não serão ideologias como o paganismo, o agnosticismo ou o ateísmo que vão safar o Ocidente, antes pelo contrário.

Anónimo disse...

Pois, é preciso rezar o Terço todos os dias, como pediu Nossa Senhora de Fátima aos três pastorinhos...

FireHead disse...

Foi também profetizada em Fátima a vitória final que seria da Igreja Católica.