quinta-feira, 23 de junho de 2016

Yulin: o solstício do massacre de cães e gatos

Como na última posta do dia de ontem falei da celebração pagã (irracional) do solstício, não podia deixar de falar também aqui do ritual da matança de cães e também de gatos que arrancou anteontem na localidade chinesa de Yulin (玉林, que significa "floresta de jade"), na província de Guangxi (廣西 em chinês tradicional e 广西 chinês simplificado). Todos os anos por esta altura há uma edição do Festival da Líchia e da Carne de Cão (玉林荔枝狗肉节) apesar dos cada vez mais fortes protestos de organizações de defesa dos direitos dos animais. Estima-se que cerca de 10 mil cães e gatos são sacrificados no ritual de celebração do solstício para serem servidos como "especiarias". Trata-se de uma tradição que surgiu em 2009 apesar de na China já se comer cão e gato há mais de 500 anos.

A Fundação de Animais da Ásia estima que a maioria dos cães foi roubada aos donos
A Humane Society International (HSI) afirma que as autoridades chinesas têm ignorado a lei
Há quem acredite que torturar os animais até à morte faz com que eles fiquem mais saborosos
O certame anual faz correr rios de tinta na imprensa internacional, mas continua a realizar-se
Os cães e os gatos são esfolados ou queimados vivos e pendurados em ganchos pela boca
Nos mercados de Dashichang e de Dongkou a carne é servida aos clientes
"É uma tradição que já dura muitos anos", disse um morador local de nome Huang à Associated Press
Os chineses dizem que comer carne de cão ajuda a combater o calor e manter o metabolismo saudável 
A HSI conseguiu resgatar mais de 50 cães e gatos que estavam enjaulados
Os esforços dos activistas têm surtido efeito, pois o consumo de carne de cão e gato têm vindo a diminuir

8 comentários:

Anónimo disse...

Horripilante

FireHead disse...

Tradições...

Anónimo disse...

É tradição, deixa-os estar a praticar a sua tradição na terra deles.
Eu não tenho nada contra desde que as tradições de cada população e de cada povo quando se circunscrevem apenas à delimitação geográfica dos mesmos povos.
É apenas ser coerente: se eu não quero que os outros queiram impôr as suas tradições na minha terra, então não vou para a terra dos outros querer impôr a minha cultura. Os chineses que façam o que querem, não me limitar o usufruo e as práticas deles.

wind disse...

Até me arrepio toda.

RICARDO LIMA disse...

Orra, que brutalidade.

Eu pensava que este festival era uma coisa mais civilizada, com um abate mais "humano" para os cães e gatos.

Mas, cozinhá-los vivos? Que droga (pra não falar outra coisa).

FireHead disse...

Anónimo,

Pois, comer cães e gatos faz ainda parte da cultura chinesa, portanto isso é lá com eles. O problema é a forma desumana como eles matam os animais. E o pior é que parece que muitos desses animais foram roubados aos donos.

FireHead disse...

Wind,

Diz o ditado que "o que os olhos não vêem, o coração não sente". Nós que somos omníveros e, como tal, comemos carne, também ficaríamos arrepiados ao vermos como é que as vacas, as cabras ou as vacas são abatidas?

FireHead disse...

RICARDO LIMA,

Este é um dos problemas que me levam a estar contra a realização desse ritual de sacrifício, fora, é claro, a sua componente pagã. O que vale é que a mentalidade chinesa está a mudar quanto a isso e são cada vez mais os jovens que se opõem ao consumo da carne de cão e gato.