quarta-feira, 29 de junho de 2016

Mariana: Contabilidade e Falta de Senso


A imagem que tenho da Mariana Mortágua é a de alguém que consegue dizer os maiores absurdos mantendo uma calma olímpica. A Mariana faz afirmações aparentemente fundamentadas. A forma como o diz faz com que se acredite e muita gente quer mesmo acreditar nela. Mas a verdade é que das poucas vezes que tentei confirmar afirmações quantificadas feitas pela Mariana nada batia certo.
Vem isto a propósito de um artigo que a Mariana publicou há uns dias no JN chamado Caixa: Sensibilidade e Bom Senso, já aqui referido pelo Gabriel. 
Um dos primeiros parágrafos reza assim:

“A necessidade de recapitalização da Caixa é normal. A crise desvalorizou os activos e as exigências regulatórias de capital apertaram muito. O BPI (9% dos activos do sistema), reforçou o seu capital em 1400 milhões. O BCP (15% dos activos) reforçou em 4500 milhões. A Caixa (24% dos activos) aumentou o capital em 850 milhões. O accionista único da CGD, o Estado, recebeu 2700 milhões em dividendos na década antes da crise. Agora deverá também recapitalizar o seu banco.” 

Quando li isto, devo ter feito uma expressão de surpresa interrogativa, do género “mas onde é que eles vão desencantar estes números?” Só podem ser inventados. Virei a página e rapidamente esqueci. São tantas e tantas as invenções que nos surgem daqueles lados que era apenas mais um cão a morder um homem. Mas hoje vi um debate em que a Mariana Mortágua, com ar doutoral, plena de sapiência, cada vez mais arrogante, despejou todos estes números outra vez – leu o parágrafo – em debate com Adolfo Mesquita Nunes. Este, sempre bem educado, contestou apenas levemente o caso do BPI e recordou que o Estado meteu mais na CGD em aumentos de capital do que o que recebeu de dividendos. 
O Adolfo tem razão. Os números da Mariana não fazem nenhum sentido. O BPI não reforçou o seu capital em 1400 milhões coisa nenhuma. O BPI reforçou o seu capital em 200 milhões de euros, em 2012 e converteu 110 milhões de dívida subordinada em capital em 2013. Total: 330 milhões. Muito longe dos 1400 que a Mariana sugeriu. O empréstimo do Estado (CoCos) no montante de 1500 milhões de euros já foi reembolsado na íntegra. E durante este período (desde 2011) pagou quase 170 milhões de juros dos CoCos ao Estado, outro tanto de IRC e ainda teve que contribuir com 60 milhões para os fundos de resolução e de garantia. Ou seja, pagou ao Estado mais do que aquilo que reforçou em capital. 
Disse a Mariana que a Caixa aumentou o capital em 850 milhões. Também não, Mariana. Também não. Desde 2011, o Estado aumentou o capital da Caixa em 750 milhões e deu-lhes mais 900 milhões de CoCos que não pagou nem quer pagar. Pretende convertê-los em capital. 
Em resumo, nestes anos a Caixa recebeu 1650 milhões de euros dos contribuintes. Mas não fica por aqui. A Parpública, empresa pública, comprou à Caixa as participações na EDP por 960 milhões de euros. E durante estes 4 anos, a Caixa tem alienado participações a bom ritmo. A mais relevante foi a venda do grupo segurador por 1000 milhões de euros. Mas depois de tudo isto, ainda faltam 4000 milhões. 
A Mariana não acerta uma. E também não acertou esta: 

“O accionista único da CGD, o Estado, recebeu 2700 milhões em dividendos na década antes da crise.” 

A sério, Mariana? Os contribuintes portugueses foram bafejados com este sucesso empresarial? Vamos lá ver. A década anterior. 


Numa década em que os contribuintes deram à CGD 3572 milhões de euros, esta teve a gentileza de devolver-lhes 2482 milhões. 
Afinal, Mariana, os 2700 milhões que o Estado recebeu são 1100 milhões que o Estado pagou. E isto na década de ouro da banca, enquanto o Bloco gritava nas ruas contra os lucros milionários da banca. Lembra-se? 
Isto quando era bom. Quando passou a ser mau, foi assim: 


Nestes 6 anos, os contribuintes dão à CGD 5 650 milhões de euros. A CGD devolve aos contribuintes um saco cheio de palavras sobre as virtudes da banca pública. 
Para a Mariana, importante é a forma como se diz. Essa forma é excelente. O conteúdo é zero. 
E não venham dizer que isto não merece uma CPI. Merece sim. Merece.


jcd in Blasfémias

4 comentários:

CÉU disse...

"Ar doutoral"? Olhe k, acho k é característica k esta piquena não tem.
Falta-lhe graça, doçura, aquele ar do disse k disse, acessórios, MULHER, percebe, aquilo de k vocês tanto gostam, embora digam isto e mais aquilo de nós. Só ternura, resumindo.

Ela tem um aspeto tão sereno, qto felino e até acho k ela acredita piamente k é verdade aquilo k diz e k o mundo vai ficar perfeito, na ótica dela, e com os seus bitaites, entre aspas. A piquena, ela até é bué alta, sai ao pai e tem costela alentejana. Eu, k tb sou alentejana, não sou nadinha, assim, aliás, não temos nada em comum, a não ser o género.

Eu não sou sábia, há mta coisa k desconheço e todos os dias estou a aprender. Enfim, feitios!

Beijinho e dia feliz.

FireHead disse...

Existem muitas pessoas que são assim, CÉU. Gente que pensa que detém o monopólio da razão e faz uso da dissonância cognitiva e de argumentos marxistas para conseguir até virar o tabuleiro quando nada joga a seu favor, subvertendo a realidade de modo a encaixá-la e adaptá-la aos seus caprichos. É preciso ter muito cuidado com gente assim; ela é manipuladora, reles mesmo, até.

A melhor coisa que temos a fazer com gente que nega a realidade como ela é e nega os factos adulterando-os de modo a encaixar-nos na sua cosmovisão é desprezarmo-la forte e feio, pois existe sempre um amanhã depois de hoje. :)

Beijinhos.

CÉU disse...

Infelizmente, acrescento eu, FireHead. Agora, é k eu estou a reparar na imagem. Que bravura, que determinação e que maneira de alçar a mão!
Marx e Engels foram uns utopistas, uns tiranos, e eu k tive de os gramar, ou melhor, as suas teorias, não aplicáveis, a não ser, razoavelmente, na Coreia do Norte, na Faculdade, visto ser licenciada em História.

Que continuem a virar o tabuleiro ou o bico ao prego, apregoando coisas k agradam aos mais incautos, por falta de conhecimentos, na maior parte dos casos, e aos intelectuais, k têm tudo e mais metade, mas ser do contra sempre esteve na moda. Tem de se aceitar, entre aspas, o k é anti natural, como sendo a coisa mais normal deste mundo, ou seja, a seguir ao inverno chega a primavera, mas pra essa gente, a seguir ao inverno, pode mto bem chegar o outono.

Este tipo de gente surge, esporadicamente, graças a Deus, mas depois nem ficam pra História. Sou de direita, politicamente, mas não uso palas como os burrinhos, animais de k tanto gosto, e vejo, esforço-me pra ver em todas as direções, portanto a minha dta se tiver de levar na cabeça, levará, tb.

Não os prezo, nem os desprezo. Ignoro-os, apenas.

Beijinhos e vamos conversando.

FireHead disse...

Essa Mariana é deputada em Portugal agora. O seu partido, o Bloco de Esquerda, faz parte da coligação que governa no país. O governo não foi eleito pelos portugueses, mas, dizem, segundo as regras do jogo democrático em Portugal, o que conta é o número de deputados no parlamento, daí a jogada política que houve para mandar abaixo um governo legitimamente (re)eleito pelo povo português. A líder do Bloco de Esquerda, a Catarina Martins, já veio exigir um referendo para a Ptexit caso a União Europeia sempre venha a impor sanções a Portugal. Mas de acordo com o politicamente correcto, maus são o partidos de extrema-direita que querem que os países europeus se libertem da União Europeia e reconquistem a sua soberania. Os conceitos estão de tal forma aldrabados e revistos à luz da esquerdaria que tudo ou praticamente tudo o que é de direita é mau e tudo o que é de esquerda é bom - e mesmo o que há de mau tem sempre uma desculpa e uma razão de existir. E assim continuamos a viver numa Matrix, sabe-se lá até quando.