segunda-feira, 6 de junho de 2016

Mais marxismo nas escolas chinesas, se faz favor


Um grupo de professores universitários chineses acredita que os estudantes da República (Comunista) Popular da China (RPC) estão a ser alvo de uma "lavagem cerebral com teorias ocidentais", daí querer que as instituições de ensino se empenhem mais na promoção dos valores socialistas através do ensino de teorias marxistas. Uma carta com o pedido para que o programa de ensino seja composto em pelo menos metade por teorias marxistas já foi inclusivamente enviada ao ministério da Educação do país, numa altura em que a RPC enfrenta um abrandamento a nível económico e a previsão de "dolorosas reformas". O objectivo destes professores é evitar que os estudantes se tornem "nos coveiros do sistema económico socialista" e os livros que difundem valores ocidentais, que estão todos "errados", serão proibidos, além de que deverá ser escamoteado o facto do próprio Karl Marx ser ocidental (é só fazer como o Buda que era indiano e que na China tem os olhos em bico). A recente revisão do material didáctico para o ensino primário e secundário na RPC apagou a herança revolucionária do Partido Comunista Chinês e a importância do patriotismo. A RPC é ainda hoje "um Estado socialista (e ateu), liderado pela classe trabalhadora e assente na aliança operário-camponesa", mas, ironicamente, abriu-se ao capitalismo e à iniciativa privada depois de 1978 tendo experimentado um "milagre" económico (de quase 10% ao ano em média) sem precedentes na História moderna.
Enfim, nada de novo. Os comunistas chineses reescrevem a História e adaptam-na aos seus interesses. Por exemplo, o pai da nação moderna chinesa, o dr. Sun Yat-sen, que foi também o fundador do Partido Nacionalista Chinês (Kuomintang) e da República da China (que hoje ficou confinada à ilha de Taiwan), era anti-comunista, era cristão, era pró-democracia e também era contra o mandarim como língua oficial do país em detrimento do cantonês. Os comunistas ainda hoje o veneram como o fundador da nação moderna, mas omite tudo o que não interessa que o povo chinês do continente saiba. Agora recentemente lembrámo-nos de mais um aniversário da fatídica Revolução Cultural e do massacre de Tiananmen, dois eventos também convenientemente abafados. Quem faz lavagens cerebrais ao povo chinês é justamente o Partido Comunista Chinês.

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