quarta-feira, 29 de junho de 2016

Macau: bófia deteve menor por falta de BIR

A filha menor de uma residente permanente de Macau foi detida pela PSP por não trazer com ela o BIR (Bilhete de Identidade de Residente). Julene Goitia Soares, a mãe da Ariana, de 13 anos e sem conhecimentos de chinês, queixou-se do comportamento da PSP alegando que a menor foi tratada de forma "traumatizante" dentro duma carrinha das Forças de Segurança. O incidente foi na Rotunda Ferreira do Amaral durante a tarde de anteontem quando Ariana viajava num autocarro da Taipa para se encontrar com a mãe que estava a trabalhar. "Uma polícia virou-se para a minha filha e disse-lhe: Passport. Ela disse que tinha BIR, mas que estava comigo e pediu para me ligar, tudo em inglês. Como eu não atendi, ela ligou ao pai e enquanto começou a falar ao telefone, a polícia pegou no braço dela e colocou-a fora do autocarro, para a meter na carrinha", contou Julene ao jornal Ponto Final. "Nessa altura, a minha filha disse que só tinha 13 anos. Mas eles não quiseram saber e meteram-na na carrinha com outros chineses, que acho que também não tinham BIR nem outros documentos". Depois de falar com a filha, o pai de Ariana ligou para a Julene, que foi ao local com o BIR da filha, que diz guardar consigo por precaução, uma vez que tem medo que os filhos menores percam os seus documentos: "Comecei a perguntar quem é que tinha prendido a minha filha. Depois um polícia disse-me que se eu não me acalmasse que não falava comigo. Respondi-lhe que não conseguia ficar calma depois de ter recebido uma chamada assim. Perguntei o que se passava com a minha filha. Porque é que ela estava na carrinha sempre a chorar e ninguém estava com ela, nem uma agente feminina para lhe fazer companhia, enquanto ela chorava ali sozinha no meio de homens adultos. Fiz a pergunta e eles ainda me disseram: 'Qual é o problema?'. O polícia de quem tirei foto, que está em pé na carrinha, até gozou com a minha filha. Estava-se a rir porque ela estava a chorar. Para uma criança é traumatizante a maneira como eles tratam as pessoas". Depois de lhes mostrar o BIR da Ariana, Julene ainda pediu aos agentes para se identificarem para assim poder apresentar queixa contra eles, mas tal foi-lhe negado. Julene ligou então para o Comissariado da Polícia contando "tudo o que se passou e eles disseram que iam abrir o processo" e que depois lhe iam dar a resposta dentro de 45 dias.

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