sexta-feira, 17 de junho de 2016

Actualidade: o que os outros dizem


A culpa do atentado contra a discoteca gay lá nos States será, outra vez e de certeza, do imperialismo, do fácil acesso às armas, do capitalismo desenfreado, da invasão do Iraque, do Bush, da cimeira dos Açores, dos bombardeamentos na Síria ou dos ataques israelitas ao povo palestiniano. Talvez até - com um pouco de imaginação chegaremos lá - das politicas de direita do anterior governo. Mesmo que o atacante seja um afegão, membro ao que parece do Partido Democrático e seguidor do islão. Religião cujos seguidores, como se sabe, têm uma particular aversão a paneleirices e a quem as pratica. Ainda assim. Não tarda, os politicamente correcto detentores de toda a sapiência estarão aí para nos esclarecer acerca da bondade do atacante e da justeza das suas causas. Mesmo que elas incluam matar panilhas (Kruzes Kanhoto, Kruzes Kanhoto).

Já era frequente ouvirmos a tontice ‘o islão não tem nada a ver com terrorismo’. Tem. Os muçulmanos não são psicopatas, evidentemente, e a maioria é pacífica. Mas a religião é belicosa e inaceitavelmente bárbara para os padrões civilizados europeus. Agora subimos um patamar de tontice: os atentados terroristas islâmicos já não são atentados terroristas islâmicos. Como combater um problema costuma começar pela identificação do problema, subimos também um degrau na ineficácia da contenção do terrorismo. A criatura de Orlando – que podia ele próprio ser gay – atacou um bar LGBT. Ora este facto leva a dois tipos de reacções. Uns dizem que afinal foi só um ataque homofóbico. O primeiro-ministro Costa, num deplorável tuite – que parecia tirado de um livro de autoajuda para pessoas com QI abaixo de 95 – já veio culpar a ‘homofobia’ pelo atentado. Uma alma da Isquierda Unida de Espanha concluiu que as mortes eram resultantes do ‘heteropatriarcado’. Viram? Afinal era só ódio a gays, nada de terrorismo islâmico. Aquelas tiradas sobre o ISIS foram um momento de humor, daquele afiado e seco, do criminoso antes de matar gente (Maria João Marques, Observador).

Mas qual é a probabilidade de as potências ocidentais se empenharem na humilhação militar da jihad em África e na Ásia — numa campanha que servisse, não para inaugurar democracias, não para levantar Estados, mas para demonstrar decisivamente que os jihadistas estão destinados a perder? A reacção ao massacre de Orlando não permite ilusões. Se os políticos americanos não conseguem sequer chegar a um acordo acerca do problema, que insistem em definir em termos rigorosamente paroquiais (a venda de armas?, os imigrantes?), como esperar que se entendam sobre uma solução? Ninguém se atreverá a ir além da esporádica operação de drones. Para uns, porque mais do que isso seria imperialismo; para outros, porque as populações locais não merecem. Haverá, assim, que continuar a confiar nos labirintos das guerras regionais para reduzir o Estado Islâmico e os seus clones. Os selfies da jihad não vão acabar tão depressa (Rui Ramos, Observador).

Robert Hall, canadiano, foi decapitado pelo Abu Sayaff depois de raptado num resort das Filipinas. A notícia passou ao lado da comunicação social como é aliás costume. O primeiro-ministro canadiano deve rejubilar. Os sádicos maometanos tiveram a delicadeza - como mensagem de paz, tolerância e amor - de deixar a cabeça numa catedral em nome da aliança das civilizações e da igualdade religiosa (Lura do Grilo, Lura do Grilo).

A ideologia que determinou o morticínio da cidade de Orlando e muitos outros, é o Islamismo. Eu penso que o Islamismo deveria ser proibido na nossa sociedade, por ser uma ideologia que atenta contra a liberdade básica dos cidadãos. Mas, para a Esquerda, reconhecer que o Islamismo é totalitário, seria fatal — porque seria reconhecer publicamente que a sua própria ideologia também é totalitária. Para a Esquerda, as ideologias têm que ser salvaguardadas: para a Esquerda, é uma questão de vida ou de morte. Quando a Esquerda recorre à psicologia (que é subjectiva por excelência) para justificar factos humanos objectivos, entramos em terreno pantanoso. Em ciência, devemos procurar as soluções mais simples e evitar complicar ainda mais aquilo que, já de si, é complicado (Orlando Braga, perspectivas).

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