segunda-feira, 9 de maio de 2016

O poder da batina

Tom Chiarella, da revista Esquire, publicou um artigo que conta como foi a sua experiência disfarçado de padre com uma batina vestida em Chicago. Foram cinco as coisas que ele descobriu:

1. As pessoas olhavam para onde ele ia: "Um padre com batina é algo digno de contemplar. As pessoas estabelecem contacto visual com um padre, inclinam a cabeça ou fazem-nos ligeiramente. Também ficam a olhar, respeitosamente. De longe".

2. As pessoas queriam tocá-lo: "Em geral, quando colocamos um uniforme, ninguém nos toca. Excepto quando é o do sacerdote; as pessoas querem tocar no sacerdote. No pulso, na sua maioria. Aconteceu comigo doze vezes, apenas um pequeno contacto em meio de uma conversa. Foi estranho, a roupa de padre exigia fisicamente de mim. Durante todo o dia tive que dar abraços, ajoelhar-me para falar com as crianças e inclinar-me para os selfies".

3. Os sem-abrigo procuravam-no para lhes dar ajuda: "Especialmente as pessoas necessitadas. Durante todo o dia encontrava-me com homens e famílias que moravam na rua. Às vezes, procuravam-me e seguravam-me o pulso. Por duas vezes pediram-me uma bênção que eu não podia dar. Não da maneira que queriam. Queria ser capaz de fazer um serviço ao mundo e descobri que não podia fazer nada. O uniforme vem com um pouco de responsabilidade, de contrário torna-se simplesmente uma roupa. Comecei por me ajoelhar segurando uma nota de dez dólares e dizendo: 'Não sou um padre, mas entendo-o'. Não tive que fazê-lo apenas uma vez, tive que fazê-lo 24 vezes. Chicago é uma cidade grande, com uma grande quantidade de almas necessitadas. Isso fez com que eu me sentisse mais triste do que podia imaginar".

4. Tornou-se atracção turística na cidade: "Eu era um fascínio, olhado tanta vezes com afecto que o próprio afecto parecia o curso do mundo para mim. Fez-me realmente gostar melhor do mundo".

5. É difícil ser sacerdote: "Foi estranho, a roupa de sacerdote é o uniforme mais exigente (...) É fácil colocar uma batina, mas não é nada fácil levá-la".

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