quarta-feira, 11 de maio de 2016

As Filipinas elegem um ditador


Sim, é isso mesmo, a democracia tem destas coisas: os filipinos foram às urnas eleger o advogado e prefeito de Davao (sul das Filipinas) Rodrigo Roa Duterte, de 71 anos, para presidente do maior país católico da Ásia, com mais de 80 milhões de pessoas. Populista e já apelidado de Donald Trump filipino, Rodrigo Duterte foi eleito com uma boa margem de votos sobre o seu mais directo concorrente, o ex-ministro do Interior Manuel Roxas, e sobre a senadora Grace Poe, tendo cativado o povo filipino com uma linguagem musculada e crua sobre a realidade do país. "Sou um ditador? Sim, é verdade", afirmou sem papas na língua o novo presidente filipino, que já ameaçou dissolver o Congresso e impor um "governo revolucionário" caso as suas reformas enfrentem resistência, ao jornal The New York Times. "Vai haver uma mudança importante na Constituição", explicou em conferência de imprensa, transmitida pela televisão, o seu porta-voz, Peter Laviña. A reforma tem como objectivo descentralizar o poder e implantar um sistema federal para potenciar o desenvolvimento das Filipinas, acrescentou. "O país não tem crescido porque o poder e os recursos estavam concentrados no Governo nacional", afirmou ainda Peter Laviña, sublinhando que "se tem vindo a pedir um sistema federal para libertar as regiões, para que o seu destino fique nas suas próprias mãos".
Rodrigo Duterte terá certamente sido muito apoiado pelos saudosistas dos tempos da ditadura de Ferdinand E. Marcos, que governou as Filipinas de 1965 a 1986. Segundo um centro de estudos local, cerca de 80% das 229 cadeiras no Congresso são controladas por políticos ligados a dinastias. Não é portanto de estranhar que muitos filipinos questionem o valor da democracia e que Rodrigo Duterte já tenha prometido corrigir a nação a todo custo. Em Davao, o agora presidente está ligado a mais de 1000 execuções extrajudiciais de pequenos criminosos durante a sua época como prefeito - fez de Davao uma das localidades mais seguras do país - e não apenas reconhece ter apoiado as execuções como ainda promete que como presidente "transformará 1000 em 100 mil" e despejará os corpos na Baía de Manila para "engordar todos os peixes". A sua mensagem tem também sido acolhida pela classe mais pobre e frustrada, que se sente abandonada pelo governo, e os grandes empresários também o saúdam como "o homem que faz com que as coisas sejam feitas". Rodrigo Duterte quer agora que as Filipinas sejam um país seguro, onde fumar nas ruas será proibido e os carros terão que circular mais devagar.
Filho de um católico e de uma muçulmana, Rodrigo Duterte chamou "filho da puta" ao Papa Francisco (a Igreja Católica das Filipinas não o grama) e mandou os grupos de Direitos Humanos irem "para o Inferno", brincando ainda com o caso da violação colectiva a uma protestante australiana que estava nas Filipinas a espalhar a sua falsa fé dizendo que deveria ser o primeiro a violá-la. "Todos vocês que estão em drogas, seus filhos da puta, vou matar-vos", afirmou perante uma enorme multidão no seu comício final em Manila. "Não tenho paciência, eu não tenho meio termo: ou vocês me matam ou eu vos vou matar, seus idiotas". Quando era novo, Rodrigo Duterte chegou a ser expulso do colégio jesuíta onde estudava - preferia jogar básquete a agarrar-se aos livros - e ainda fez parte de uma organização comunista. Além disso nunca escondeu as suas relações extraconjugais e tem quatro filhos com quatro mulheres diferentes.
Rodrigo Duterte não é certamente católico, mas se o povo católico filipino o elegeu é porque tem motivos para isso. E motivos realmente não sobram nas Filipinas: pobreza, criminalidade, corrupção, desemprego, dinastias políticas...

6 comentários:

wind disse...

E sempre teve ditadores...

Ivan Baptista disse...

" Filho de um católico e de uma muçulmana, Rodrigo Duterte chamou "filho da puta" ao Papa Francisco "

" fez de Davao uma das localidades mais seguras do país - e não apenas reconhece ter apoiado as execuções como ainda promete que como presidente "transformará 1000 em 100 mil" e despejará os corpos na Baía de Manila para "engordar todos os peixes". "

" mandou os grupos de Direitos Humanos irem "para o Inferno", brincando ainda com o caso da violação colectiva a uma protestante australiana que estava nas Filipinas a espalhar a sua falsa fé dizendo que deveria ser o primeiro a violá-la. "Todos vocês que estão em drogas, seus filhos da puta, vou matar-vos", afirmou perante uma enorme multidão no seu comício final na capital Manila. "Não tenho paciência, eu não tenho meio termo: ou vocês me matam ou eu vos vou matar, seus idiotas". "

Ééeeee Bicho ! :)

FireHead disse...

Wind,

Pois é, mas parece que pelo menos com ditadores destes há segurança! Com os não-ditadores é a porcaria que se vê. Achas que os filipinos são estúpidos se não tivessem esperança que esse ditador é capaz de fazer melhorar as Filipinas?

Tu deves ser daquelas pessoas que basta só ouvirem a palavra "ditador" ou "ditadura" que ficam logo a torcer o nariz. :P

FireHead disse...

Ivan Baptista,

Pois é. Só para tu veres como estão as coisas lá nas Filipinas. Um antro de decadência e miséria. Como é que pode ser de estranhar a eleição de um tipo destes?? As pessoas estão fartas de ter no poder sempre os mesmos tansos que nada fazem. Em Portugal também não estamos a precisar de um novo Salazar??

wind disse...

Claro que são pois a prostituição infantil para o turismo continua e tu sabes isso!

FireHead disse...

Como sabes? Não colocas a hipótese deste Rodrigo Duterte, que se encarregou ele próprio de executar criminosos lá em Davao quando a justiça não o fazia, de acabar também com a prostituição infantil? Não seria de estranhar que ele também acabasse com a prostituição das adultas...