terça-feira, 10 de maio de 2016

Actualidade: o que os outros dizem

Portugal estagnou. Investimento e poupança em mínimos históricos, banca em momentos aflitivos, crescimento anémico. Em certas dimensões estamos pior do que em 2008 ou 2011. O mais espantoso é como dirigentes e analistas parecem ignorar o desastre em progresso, mergulhados em temas laterais. As prioridades políticas que dominam os debates são reduzir o horário dos funcionários, fingir subir as pensões, baixar portagens ou recomprar os prejuízos da TAP. A presente conjuntura política anda, mais do que nunca, envolvida num véu de ficção (João César das Neves, Diário de Notícias).

Fernando Rosas é um homem notável. Em décadas de carreira pública, nunca lhe descobri uma opinião favorável à liberdade, à democracia e ao progresso, embora encha a boca com esses vocábulos ao ponto da obesidade. O homem parece fossilizado desde os tempos em que dirigia a Luta Popular, onde cantava hossanas, de que nunca mostrou sombra de arrependimento, ao "grande Estaline" (juro) e "ao camarada Mao" (é redundante jurar). Em 1976 ou em 2016, no MRPP ou no BE, boa parte dos horrores totalitários dos últimos cem anos tiveram no dr. Rosas um encarniçado e, admita-se, sincero entusiasta. "Historiador" na vida civil, este devoto de genocidas esforçou-se por explicar o passado e adivinhar o futuro. Em qualquer dos casos, falhou sempre. No dia em que acertar, estamos feitos. O dr. Rosas não serve para coisa nenhuma, excepto de exemplo a fugir. Naturalmente, saiu da universidade jubilado e permanece na sociedade prestigiado, indicadores cabais da dignidade de ambas (Alberto Gonçalves, Diário de Notícias).

Acabar com a austeridade. Virar a página. Devolver a esperança. Disto e muito mais nos têm falado os geringonços. Promessas em que apenas os tontinhos e os apoiantes – passe o pleonasmo – da coligação esquerdelha acreditam. Continuo a ver a mesma austeridade – chamem o que quiserem ao brutal aumento de impostos que a geringonça promoveu – e a única página que vi virar foi a do regresso a um livro já lido. Quanto à devolução da esperança, só se foi devolvida ao lóbi do betão ou às empresas de crédito fácil e rápido. Quem tiver dúvidas que veja as tabelas de retenção de IRS para 2016. E surpreenda-se... ou não! Garantia um destes dias um insuspeito e entusiástico apoiante do governo em funções, que estávamos numa espécie de bonança que antecede a tempestade. Não sei se concorde com a parte da bonança, mas que a borrasca vai bater forte lá isso vai... (Kruzes Kanhoto, Kruzes Kanhoto).

Estes indivíduos risonhos que gozam descaradamente com parte dos portugueses (porque existe uma outra parte que aplaude esta gentalha). Indivíduos que têm do estado uma concepção peculiar, vendo nele um feudo privado. Já que o sr. Costa comparou, ontem, a inauguração do túnel do Marão à da ponte Salazar façamos uma pergunta: nos tempos do tenebroso e maléfico Estado Novo seria possível o dr. Salazar convidar para tal evento alguém que tivesse às costas uma tal quantidade de suspeitas como tem o sr. engenheiro? pois é, mas isso era no tempo da Situação, quando em política o que parecia era. Hoje, já sabemos, os modernos dirigentes são mais arejados e não gostam muito de citações de Salazar (Sr. Hamsun, O Século das Nuvens).


Deve ser isto o virar da página da austeridade na Grécia - O governo grego acaba de aprovar um pacote de austeridade que inclui corte nas pensões e aumentos de impostos no valor de 5400 milhões de euros ao mesmo tempo que a polícia se confrontava com protestos violentos de manifestantes (João Cortez, O Insurgente).


E 42 anos depois do fim de um regime de elite, assistimos agora a alguma populaça, que tem a mania que pensa, a querer passar a culpa de todas as desgraças actuais à tal persona que projectou um Portugal que foi a completa antítese daquilo que temos hoje. Mas quem é a populaça que pensa assim, quem são eles? Mas qual liberdade? Quem protege os cidadãos dos estúpidos? Só pelo título podemos concluir que são do proletariado e fortemente envolvidos na defesa do marxismo cultural. Um bem haja a estes blogues da Direitola que abundam por aí, afinal foi para isto que se fez o 25 de Abril (Vivendi, O Tradicionalista).

Palácio do Kebab tem mais 60% de clientes. E até teve de contratar - Mustafa Kartal, o dono, diz ter recebido mensagens de solidariedade e até houve quem se oferecesse para ali trabalhar de graça. E tem muitos mais clientes (Céu Neves, Diário de Notícias).


O que o Anselmo Borges defende pode ser facilmente aceite por um analfabeto funcional. Aliás, ele dirige-se aos analfabetos; os populistas escolhem sempre os ignaros como alvo da sua propaganda. Mas, para uma pessoa avisada, o que o Anselmo Borges pretende é acabar com a Igreja Católica. (...) O que o Anselmo Borges defende é que se utilize a força de uma nova gerontocracia clerical "progressista", representada pelo papa Chiquinho, para transformar a Igreja Católica em uma igreja luterana. Ele pretende que a infalibilidade do Papa e a autoridade do clero católico sejam utilizadas unilateralmente para transformar a Igreja Católica em uma confissão protestante, sem ouvir o povo católico. É isto que o Anselmo Borges pretende. Se o Anselmo Borges defendesse uma aproximação ao método da Igreja Ortodoxa, eu estaria disponível para o ouvir. Mas o facto de a Igreja Ortodoxa também ter um clero celibatário e de as mulheres não poderem ser bispos, impede-o de defender esta aproximação. O problema do Anselmo Borges é o sexo e a política, e não a religião (Orlando Braga, perspectivas).

2 comentários:

Ivan Baptista disse...

Tenho que experimentar os Kebab´s ´lá do palácio, e se possível, ainda peço um autografo ao Mustafá :)

FireHead disse...

Tu és um racista, pá!!! Com que então é esta a escolha que tu fizeste, hem??? Sim, é que, ou estás do lado do curdo e és um racista, ou estarias do lado dos pretos e serias um islamofóbico!!!!