terça-feira, 26 de abril de 2016

Todas as religiões têm que estar submetidas à liderança comunista na China


Tirem o cavalinho da chuva todos aqueles que achavam que o Xi Jinping ia facilitar a vida aos verdadeiros católicos na República Popular da China: o presidente chinês esteve no fim-de-semana passado reunido com altos quadros do Partido Comunista Chinês e reforçou a ideia de que todos os comunas devem ser "inflexivelmente ateus marxistas" e que todas as religiões, entre elas a verdadeira religião, a Igreja Católica, devem obediência ao partido. "Os grupos religiosos (...) devem aderir à liderança do Partido Comunista Chinês", afirmou Xi Jinping que pediu aos membros dos principais órgãos de poder para permanecerem atentos e "resolutamente manterem a guarda contra infiltrações vindas do exterior através de meios religiosos". "Devemos guiar e educar o círculo religioso e os seus seguidores com os valores socialistas", afirmou ainda, apelando ao desenvolvimento de esforços para "combinar as doutrinas religiosas com a cultura chinesa", ou melhor, com a cultura comuna, pois "as políticas e teorias religiosas do Partido Comunista Chinês demonstraram estar correctas no passado" (correctas??).
Desde que Xi Jinping assumiu o poder em 2012, as autoridades tornaram-se mais repressivas em relação aos católicos (o que é péssimo) e também às seitas como o islão (o que é excelente): em Zhejiang têm sido demolidas igrejas e retiradas cruzes colocadas no exterior de edifícios e na região autónoma de Xinjiang o islão está a ter sérios contratempos para poder ser posto em prática, como por exemplo com a proibição do Ramadão e do uso de barbas longas e véus.
A República Popular da China desistiu de tentar destruir a religião e as seitas na década de 70 do século passado, optando antes por controlá-las de modo a fazer prevalecer a retórica comunista como forma de garantir que os valores e as posições do partido não sejam comprometidos. Foi assim que surgiu a patética seita da Associação Patriota Católica Chinesa em 1957, separada da Igreja Católica após o rompimento de relações com o Vaticano. Esta felizmente vai continuando a subsistir heroicamente às escondidas.

12 comentários:

wind disse...

O que esperavas da China?

FireHead disse...

Da China ou dos esquerdistas que governam na China? São coisas diferentes...

Dos esquerdistas não se espera nada. Basta vermos o que é que fizeram os esquerdistas de Portugal, os tais que possibilitaram o 25 de Abril em nome da "liberdade" e da "democracia", que falharam a instauração de uma ditadura de estilo soviético em 25 de Novembro...

Ainda assim é líquido que a República Popular da China e o Vaticano estão a aproximar-se e que há conversações. Que controlem as seitas à vontade, sobretudo o islão, mas que deixem os católicos chineses professarem a sua fé em paz.

Afonso de Portugal disse...

A liberdade religiosa é a melhor amiga do Islão. Os chineses aprenderam com os erros do Ocidente.

Adilson disse...

E o Ocidente e sua imprensa porca em silêncio. Faz muito tempo que já não leio jornal e nem assisto TV. É a internet minha fonte de informação.

wind disse...

Lá vens tu com o 25 de Abril:)

J. Machado disse...

Ali o Afonso de Portugal tirou-me as palavras da boca. Verdade pura! Se forem todas proibidas e / ou bem controladas, não há cá terrorismo, nem feitiçarias e outras paganices.

FireHead disse...

Afonso de Portugal,

As autoridades chinesas conhecem bem demais as potencialidades criminosas do islão. Se há algo com o qual eu concordo com a actuação dos chineses é precisamente a maneira perfeita e eficaz como eles lidam com o terrorismo islâmico. É matar todos os terroristas e acabou. Direitos humanos?? Só se for dos que querem a paz longe dos terroristas islâmicos.

FireHead disse...

Adilson,

Pois, infelizmente é assim... na Internet pelo menos há meios informativos que não alinham na cantiga do politicamente correcto. :)

Quanto ao assunto desta posta, eu quase que aposto que se a China fosse a República da China pela qual lutou o dr. Sun Yat-sen, a esta hora a China seria a maior potência mundial...

FireHead disse...

Wind,

Ah, peço desculpa, pensei que pudesse usufruir da minha liberdade de expressão e falar do 25 de Abril que tu e muitos tanto adoram. Só é pena Abril ainda não ter sido concretizado, né?? Já se passaram 42 anos, os cravos já estão mais que murchos e as pessoas vão envelhecendo...

FireHead disse...

J. Machado,

Não me diga que acha que o ateísmo é que é a solução?? É esquerdista? Que a China controle, pois, as seitas, sobretudo o islão, mas que deixe os católicos em paz. Compreende-se, todavia, o medo que as autoridades chinesas têm: a Igreja Católica, obediente ao Vaticano, com um número de fiéis que não pára de crescer no interior da China, assusta verdadeiramente o poder central.

Anónimo disse...

Sou defensor da liberdade religiosa para todos, incluindo muçulmanos e católicos. Deus não nos forçou a acreditar, por isso cada um é livre para acreditar em Deus, sendo católico, ou não acreditar em Deus, sendo ateu, ou até acreditar numa projecção, numa espécie de imagem algo distorcida de Deus, sendo muçulmano...
Dando apenas a liberdade religiosa aos católicos, oprimindo as demais religiões (mesmo que algumas sejam mais seitas que religiões), está-se a criar condições aparentemente favoráveis à Igreja, mas que na verdade são nocivas, porque haverá muito pessoal a "acreditar" na fé católica, mas que não passa de conversões falsas (como o caso de alguns cristãos novos que nunca abandonaram a fé judaica - ex: marranos).
E para o Partido, a fé católica e a fé muçulmana partilham algo em comum que assusta o Partido: a crença num Deus pessoal, anterior e independente à matéria, ou seja, independente do controlo do Partido ou de qualquer autoridade humana... E o Partido sabe muito mais História e Filosofia Política do que muitos partidos e intelectuais ocidentais que temos cá aqui no Ocidente: o Partido sabe suficientemente bem que esta crença é perigosa, porque inspira gradualmente uma noção de liberdade de consciência nos crentes, uma noção de que o Direito Natural existe e é ordenado por Deus, por isso precede e fundamenta as leis positivas (que perigo para o Partido, já que para o Partido o fundamento das leis positivas do Estado é o próprio Partido, em "representação" do Povo, e não o Direito Natural ordenado por Deus). E quando o pessoal crente começa a acreditar que existe uma ordem moral determinado por Deus (Direito Natural) e que esta ordem moral é universal e que, perante um conflito entre alguma lei positiva e a lei natural, devemos primeiro obedecer à lei natural (porque o Estado não tem legitimidade para nos obrigar a desobedecer a Deus), então a autoridade do Partido começa a corroer e começa a haver contestação interna acerca da justiça e legitimidade da sua autoridade... O Partido aprendeu bem a lição do que aconteceu, como por exemplo, na Polónia comunista, que ruiu que nem um baralho de cartas num ambiente católico que, a certa altura, revoltou-se (após algum ânimo e estímulo espiritual proporcionado pelas visitas apostólicas do Papa João Paulo II). Não acredito que o Partido veja com bons olhos a Igreja Católica, cuja organização central e fortes convicções assusta bastante o Partido... O Partido é mais sensível às questões ideológicas e simbólicas do que parece (ainda por cima os chineses, por cultura, são bastante sensíveis ao simbolismo). Facto disso é o recente reforço da educação ideológica, como o FireHead tem noticiado aqui no seu blog...

FireHead disse...

Anónimo,

Concluindo: o que é que se espera de um partido comunista senão ateísmo imposto e controlo das religiões? A China é um país enorme e tem a maior população do planeta (mais de 1300 milhões de pessoas com mais de 50 etnias, culturas e dialectos). Ainda que eu seja anti-comuna até à medula, eu entendo perfeitamente que a China não pode ser um país democrático. O problema é que tudo aquilo que o comunismo faz, e isso já vem desde 1949, é destruir a própria identidade e essência chinesas. Já nem falo do controlo das religiões ou da censura. Falo da destruição dos valores chineses, da diminuição das minorias, do desaparecimento de culturas e dialectos únicos que também pertencem ao imenso universo chinês. O problema da China é o partido comunista. Maior máfia que essa não há. Mesmo com menos gente que a seita Fa Long Gong, o partido comunista é de longe muito pior.

Quão diferentes estariam as coisas se Chiang Kai-shek, do partido nacionalista chinês (Kuomintang) que foi derrotado pelos comunas de Mao Tsé-tung e que se refugiou em Taiwan, tivesse continuando a mandar na China... Eu não tenho dúvidas que seria actualmente a maior potência do mundo. E pelo menos haveria liberdade religiosas, direitos humanos e acima de tudo preservação de tudo aquilo que compõe a China.