sábado, 16 de abril de 2016

China: o drama das "mulheres que sobraram"

Ser solteira aos 27 anos já tem um estigma na China. Agora imaginem o que é ser mulher solteira aos 35 anos?!?

No mercado de casamentos de Xangai até os guarda-chuvas servem para colocar anúncios...
Sempre achei que ela tinha uma óptima personalidade. Mas ela não é muito bonita, fica na média. É por isso que é uma ‘mulher que sobrou’”, diz uma mãe sobre a filha solteira. A cena faz parte de um anúncio que se está a tornar viral na China por tratar do estigma das mulheres que passaram dos 35 anos e ainda não se casaram. 
O anúncio está a provocar um acalorado debate por tratar das chamadas “sheng nu”, algo como “mulheres que sobraram”, um problema latente numa sociedade em que as mulheres devem priorizar o casamento e a maternidade. 
Com quatro minutos e feita em estilo documentário, a campanha “Marriage Market Takeover” (algo como “invadindo o mercado de casamentos”) foi feito pela marca de produtos de beleza SK-II. 
Num comunicado enviado à BBC, o presidente da empresa, Markus Strobel, explicou que o vídeo faz parte de uma “campanha global para inspirar e dar poder às mulheres para moldarem o seu próprio destino”. “Mostramos um problema da vida real de mulheres chinesas talentosas e corajosas que são pressionadas para casar antes dos 27 anos, por medo de serem rotuladas como ‘sheng nu’, ou uma “mulher que sobrou”. 
O Partido Comunista Chinês tenta pressionar essas mulheres para casarem, para lidar com um grave desequilíbrio de género causado pela política do filho único, recentemente revogada. 
Contudo, de acordo com Leta Hong Fincher, autora do livro Leftover Women: The Resurgence of Gender Inequality in China (As mulheres que sobraram, o ressurgimento da desigualdade de género na China, em tradução livre), as jovens chinesas não casadas estão em “momento de mudança”, já que muitas começam a abraçar um estilo de vida de solteira e a lutar contra o estigma. 
“Essas jovens estão a ser alvo de uma campanha deliberada do Governo para pressioná-las a casar”, salienta Leta, adiantando que “as mulheres chinesas hoje estão cada vez com maiores níveis de educação, preferem ser profissionais e resistem ao casamento. 
E têm óptimas vidas, embora a tortura psicológica para se casarem seja algo extremamente real e reflecte-se psicologicamente no seu dia-a-dia. 

Pressão dos pais 

O vídeo intercala testemunhos emocionantes das mulheres com a opinião dos seus pais. “Na cultura chinesa, respeitar os pais é o mais importante e não se casar é visto como um sinal de desrespeito”, diz uma delas, sem conseguir segurar o choro. “As pessoas acham que uma mulher solteira é incompleta”, afirma outra. Para fazer mais pressão, o vídeo termina com as mulheres e os pais a visitarem o chamado mercado do casamento, que são lugares em que pais colocam cartazes com os pontos positivos das filhas, na expectativa de encontrar um parceiro para eles. O vídeo foi intensamente compartilhado no Facebook mundo fora. E, na China, recebeu mais de 4 mil comentários e foi compartilhado na rede social Weibo por mais de 20 mil vezes. Mas é duvidoso que esteja a ter o efeito desejado. 
“Sou uma mulher solteira e precisava de ver esse vídeo para saber que não tomei as decisões erradas. É possível ser feliz sem um homem. Não deveríamos ser punidas por nossas escolhas, já que não estamos prejudicando ninguém”, comentou uma, enquanto outra acentuava que “não me quero casar só para estar casada. Nunca seria feliz dessa maneira”. E outra diz: “oponho-me ao termo ‘mulher que sobrou”. 
Ao fim e ao cabo, é ainda duvidoso que a sociedade chinesa passe a aceitar a escolha dessas mulheres. “Por enquanto, essa expectativa é apenas o início”, comentou um analista à BBC, concluindo que “o casamento na China ainda é extremamente patriarcal. Acredito que a tendência das mulheres optarem por serem solteiras, profissionais e independentes acabará por crescer”. 


Fonte: Tribuna de Macau com BBC e agências

10 comentários:

CENSURADO AGAIN disse...

SE NINGUEM QUER ELAS POR QUE A PRESSÃO PRA SE CASAREM?SE NÃO SAIU DO ESTOQUE É POUCO PROVAVEL QUE SAIAM É SÓ VER QUE MUITAS DA FOTO JA PASSARAM DO PONTO EM DECADAS

Adilson disse...

Interessante informação.

De um lado o partido pressiona as mulheres e de outro, a propaganda. Será que realmente é dramático, a situação dessas "mulheres que sobraram"? Mas o que preocupa o partido o Markus Strobel, é o fato da mulher ficar solteira ou essa nunca mais ter filhos? Leio a afirmação: "o vídeo faz parte de uma “campanha global para inspirar e dar poder às mulheres para moldarem o seu próprio destino”" E pergunto: de que "poder" ele está falando.
Bem, eu nunca fui à essas terras e praticamente não tenho uma opinião formada sobre a situação política e social desse povo. Ainda preciso ler muito.

Aqui no Brasil, há um fenômeno mais preocupante que é o grande número de mães solteiras(com idade inferior a 20 anos), fruto da revolução cultural, especialmente por da educação e da propaganda. Mães solteiras tem dificuldades em se casar novamente por causa promiscuidade que domina o comportamento tanto dos homens quanto da mulheres. Isso é ainda mais crescente na região Nordeste, onde os esquerdopatas tomaram tudo. Mas aqui no Sul do Brasil, há cidades que ocorrem aproximadamente 100 partos mensais em raparigas entre 14 e 18 anos. Há também um número cada vez mais crescente de mulheres que realmente optaram por ser solteiras, especialmente entre aquela que já passaram dos 25 anos. Seu eu fosse uma mulher, eu preferiria ficar solteira depois dos 30 a ser uma mãe-solteira.

Até.

wind disse...

Coitadas:(

FireHead disse...

CENSURADO AGAIN,

Por causa da mentalidade tradicional chinesa. As mulheres que não casarem nem se tornarem mães não são mulheres a 100%.

Feias ou não, os chineses só têm é que se mentalizar que a Natureza vai acabar por dar um jeito à sua demografia, pois a política assassina do filho único por casal nas cidades, que já foi entretanto revogada, e a mania estúpida da grande maioria dos chineses quererem ter filhos varões para continuarem com o seu legado familiar já fez com que existisse um excedente de homens em relação às mulheres; são cinco homens para cada mulher.

Neste momento os homens já precisam de concorrer entre eles para conseguirem arranjar gajas. No futuro se calhar matar-se-ão uns aos outros por causa disso. Para piorar, muitas chinesas bonitas vão para putas. Ou então trabalham em clubes nocturnos. Para a mentalidade tradicional chinesa, é muito difícil os homens aceitarem uma mulher com um passado sexualmente recheado. Mas é problema deles, é claro.

Não havendo mulheres para todos os chineses a solução passa por arranjar mulheres fora, tipo vietnamitas ou outras do sudeste asiático. Sim porque brancas já são mais difíceis. Os brancos têm uma tara qualquer pelas orientais - isso é um fenómeno factual - mas o contrário também é um facto: as brancas em regra têm menos interesse pelos amarelos, se calhar porque não gostam dos olhos em bico. Ou talvez por causa da história da picha pequena.

As gajas de Macau e de Hong Kong também estão cada vez mais realistas, exigentes e com mentalidade ocidental, o que leva muitos macaenses e hongkongneses a procurarem a sua cara-metade na China e contribui para o aumento de mulheres que não se casam, o que reforça ainda mais a competição entre os homens pelas gajas na China. O desiquilíbrio só vai acentuar-se cada vez mais.

Posto isto, chegamos à conclusão que a Natureza vai acabar por dar um jeito na demografia chinesa. Com mais homens que mulheres e se se persistir a tara pelo macho varão, a população chinesa vai diminuir e será ultrapassada pela população da Índia. Se a população não se reduz a bem, reduz-se a mal. É a vida.

FireHead disse...

Adilson,

O Partido Comunista é o culpado pela situação actual da China. Agora recentemente lá teve que revogar a lei da política do filho único por casal nas cidades e conheço chineses que já tinham um filho e que estão agora a tratar de fazer já um segundo. Por natureza os chineses são um povo que se multiplica que nem ratos. Os chineses gostam de procriar, gostam de crianças e, se não fosse por causa daquela lei abortista, a esta hora existiriam ainda mais chineses no mundo do que já existem! Seja como for, por um lado até é bom que os chineses existam e continuem aí para as curvas, independentemente de serem ou não controlados pelos comunas que felizmente também já estão mais moles em comparação com os antigos, porque quando os brancos desapareceram da face da Terra, vou sempre preferir os amarelos aos outros que não produzem nada nem contribuem o que quer que seja para a riqueza da civilização. Refiro-me, por exemplo, aos muçulmanos. O futuro do mundo é chinês, meu caro.

FireHead disse...

Wind,

Se ninguém as quer, então elas que sejam fortes e que se tornem mulheres de sucesso como muitas ocidentais que fazem até questão de não ter ninguém. A diferença é que os chineses não correm o risco de extinção como os brancos correm, portanto para elas e para o povo chinês no fundo até acaba por ser naquela. :)

CENSURADO AGAIN disse...

NÃO É FEIA QUERIDO SÃO VELHAS ALGUMAS DA FOTO JA DEVEM ESTAR NA MENOPAUSA

FireHead disse...

CENSURADO AGAIN,

O que um burro como tu não sabe é que essas velhas não são as "sheng nu", mas sim familiares delas.

Douglas Sulzbach disse...

Se as mulheres chinesas que "sobram" começarem a escolher pares do Oriente Médio, aí sim a China estará indo ao precipício como o Ocidente. Mas creio que não é o caso, os chineses não são fracos!

FireHead disse...

Douglas Sulzbach,

Neste aspecto podes ter a certeza que não. Com os chineses os muçulmanos não fazem farinha. Que o digam os chineses uighures muçulmanos, por muito que eles não se consideram chineses, a China obriga-os a sê-los... e oficialmente consumindo álcool e servindo carne de porco a todos. Os que são terroristas são abatidos sem ai nem meio ai. Se os europeus na questão dos muçulmanos fossem metade daquilo que os chineses são, a esta hora a Europa seria um continente de longe muito melhor... Porque é que tu achas que, se a tendência se mantiver, eu acredito que o futuro do mundo é chinês? Os factos estão lá: demografia, economia, militarismo, política...