sábado, 30 de abril de 2016

Actualidade: o que os outros dizem

Os oligarcas nem percebem que jogo andam a jogar. Julgam talvez que com a farsa da “ditadura europeia” estão, muito habilmente, a externalizar as culpas. De facto, estão apenas a expor-se como irrelevantes, ao mesmo tempo que cultivam uma xenofobia que outros, um dia, mobilizarão mais eficazmente. A oligarquia nacional ainda não percebeu que o mundo está a mudar. Marine Le Pen em França, Norbert Hofer na Áustria, ou Frauke Petry na Alemanha: o isolacionismo e o proteccionismo progridem, estimulados pela reacção contra a imigração do Mediterrâneo e contra os resgates do sul da Europa. Para Hofer, “a Áustria vem primeiro”. Sim, um dia, seremos libertados desta “ditadura europeia”. Só que não será por Catarina Martins ou por Jerónimo de Sousa, mas por um Hofer ou por uma Petry qualquer (Rui Ramos, Observador).

Após a revolução, o CDS teve de fingir que era de centro e Sá Carneiro que era de esquerda, e quatro décadas depois só não tem “uma postura anti-25 de Abril” quem continuar a fingir. É certo que nem toda a gente é Vasco Lourenço, mas o seu espírito paira sobre as cabeças do PS, do Bloco, do PCP e de metade do PSD – a esquerda nunca se limita a apresentar uma alternativa política à direita; ela está sempre em processo de salvação de todo o sistema social e democrático. Ainda que isto se passe sobretudo num plano simbólico, o simbolismo conta – porque é ele que continua a infectar a direita com a falta de legitimidade política para defender as suas ideias, 42 anos após Abril (João Miguel Tavares, Público).

Como a maioria dos portugueses, não segui as cerimónias de comemoração do 25 de Abril na televisão. Não certamente por pertencer ao quinto dos portugueses que, segundo o Público da última terça-feira, têm saudades do anterior regime. Mas pelas exactas razões que expõe João Miguel Tavares num óptimo artigo (Corações ao alto: Abril regressou!) publicado no mesmo jornal, no mesmo dia. Não é agradável assistir ao espectáculo empolado da apropriação do regime por uma fatia significativa da esquerda cujos compromissos com a democracia são, em muitos casos, equívocos. A boa atitude é a de um passeante de Matosinhos que uma televisão interrogou sobre se iria comemorar efusivamente a data: “Não, a liberdade é todos os dias.” Desligarmo-nos das celebrações tem, além de tudo, a vantagem de nos livrar de ouvir o tipo de linguagem que William Saroyan chamava “festivo-fascista”, cheia daquele lirismo espúrio afectado de muita urgência que toma conta de vária gente na ocasião: “respirar Abril”, “cumprir Abril”, “dizer Abril”, “viver Abril” e coisas assim. Não é que a coisa, hoje em dia, me incomode muito, tenho mais em que pensar, mas sempre é melhor evitá-la (Paulo Tunhas, Observador).

O outrora modelo da relíquia centenária que é o PCP, o orgulho da CGTP, o tubo de ensaio da ideologia do Podemos, o parceiro de Sócrates e Dilma está em shutdown irremediável. Escassez de alimentos, escassez de medicamentos, escassez de água e energia eléctrica, escassez de justiça e escassez de segurança foi toda a abundância que o socialismo do Séc. XXI trouxe. A semelhança com todos os socialismos é de novo confirmada. Corrupção, violência sem limites, saques e descalabro económico é uma lição ainda ignorada por muitos. O caminho para o regresso à idade da pedra está aberto em permanência: há sempre alguém que vê em Cuba um paraíso na terra. Deviam ver um exemplo de como os comunistas só abandonam o poder pela inexorável lei biológica da finita duração da vida humana ou pelo crepitar da metralhadora que os Ceausescu experimentaram (Lura do Grilo, Lura do Grilo).

Passei hoje mais uma manhã no tribunal. Perdi-lhes a conta, de tantas que foram. Mas, desta vez, fui ouvido. Ou melhor, interrogado. Não é que me incomode colaborar com a justiça. Nem que me queixe das muitas horas a aguardar a minha vez de testemunhar. Nada disso. O que me aborreceu foi o tratamento. Desagradou-me ser considerado uma testemunha. Ali estavam a juíza, a advogada, o advogado, o procurador, a queixosa, o réu e eu. A testemunha. Percebo agora muito melhor as mulheres que se sentem ofendidas com aquilo do cartão do cidadão. E renego todas as piadolas que já fiz em relação à ideia do Bloco de Esquerda para alterar a sua designação. Há, também, que tornar a justiça menos sexista e encontrar uma forma não discriminatória para designar quem presta testemunho. Não arrisco uma sugestão, mas lá que me senti vexado por ser uma testemunha, isso senti (Kruzes Kanhoto, Kruzes Kanhoto).

«Não estamos aqui para fazer a vontade à troika», diz o demagogo que nos governa.


O que o PS faz mesmo é trazer a troika. E, depois, baza (Jorge Costa, O Insurgente).

Uma boa notícia. O pseudo-historiador comunista, Fernando Rosas, realizou hoje a sua última aula. Após anos de mistificação histórica, bem sucedida, diga-se, aquele que foi o historiador do regime deixa de propagar o seu veneno extremo-esquerdista junto dos alunos. Como um cancro, as mentiras do Rosas espalharam-se em jeito de metástases e moldaram a produção da história recente do país. Resta-nos a esperança que alguns alunos tenham sido imunes à mitologia esquerdista e consigam pensar pelas suas cabeças e colocar em causa as falaciosas maquinações históricas do Rosas (Vítor Luís, Facebook).

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