quarta-feira, 2 de março de 2016

Para muitos portugueses Macau é temporário

É o que diz a investigadora portuguesa Vanessa Amaro, que concluiu a sua tese de doutoramento sobre a comunidade de portugueses de gema que emigraram para Macau. Tanto os que chegaram ao território antes da transferência da soberania para a República Popular da China, em 1999, como os que chegaram já depois, na sequência da liberalização efectiva do sector do jogo, em 2004, "pensam em Macau como uma coisa muito temporária" porque muitos nunca compraram casa, nunca aprenderam chinês nem nunca criaram relações profundas com a comunidade chinesa. A investigadora concluiu também que estes portugueses não se identificam como "emigrantes" em Macau (então são o quê, nativos??), como são os filipinos ou os nepaleses, por causa do "peso da história" e do "papel importante" dos portugueses na manutenção da identidade única de Macau, a fim de evitar que a cultura portuguesa que ainda resiste no território seja "modificada, vendida, embrulhada pelos chineses como uma coisa de Macau" (eles pensam que ainda estão a viver no tempo da colónia ou quê??), como a famosa tarte de ovos portuguesa (portuguese egg tart - 葡式蛋挞) de Macau, uma imitação do pastel de nata. Das seis dezenas de portugueses entrevistados apenas seis deles é que falavam fluentemente o cantonês, a língua de Cantão. Muitos deles vivem numa "bolha", isolados, sem aprenderem chinês, porque "têm as suas rotinas, os seus amigos, fecham-se nos seus grupos e fazem toda a sua vida no circuito português", o que demonstra bem a falta de integração destes tugas em Macau (qualquer semelhança com os muçulmanos que não se integram nas sociedades ocidentais só pode ser pura coincidência!). "Entrevistei pessoas que tinham chegado há muito pouco tempo e eram muito contaminadas pelo discurso daqueles que estavam cá há mais tempo (...) e também lembraram ou enfatizaram diferenças culturais ou de comportamento dos chineses como um factor para não querer ter grandes relações com o lado de lá", realçou, dizendo ainda que "não há interesse da comunidade portuguesa em aprender de forma generalizada" o chinês. Os motivos que os levam a permanecer em Macau, enquanto lhes for possível é claro, são as questões financeiras e as raízes entretanto criadas (famílias constituídas) sobretudo pelos que estão há mais tempo no território.

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