terça-feira, 15 de março de 2016

O aborto e o trono de Moloch

O retorno do infanticídio, do aborto e da eutanásia, e a perseguição anticristã: o velho paganismo retorna à sociedade, com a sede de sangue inocente típica dos seus velhos e falsos deuses 

O altar do deus cananita Moloch possuía a estátua de um bezerro de bronze com uma fornalha no seu ventre onde, em honra à divindade, as mães depositavam os seus próprios filhos. Para amenizar o horror dessas mães, os sacerdotes cuidavam para que as trombetas fossem tocadas bem alto a fim de que não se ouvisse o choro infernal das crianças sacrificadas. 
Este tipo de prática religiosa era também comum entre fenícios, amonitas e até entre os primeiros romanos, mas o Cristianismo fê-los aparentemente desaparecer. Por séculos, a prática do infanticídio permaneceu vista como expressão do próprio mal. O paganismo dos cátaros, a despeito de uma fé cega no transcendente, trouxe de volta o pesadelo do aborto e do suicídio como solução para a salvação em Cristo, numa tentativa de transfigurar a fé cristã no seu oposto. 
Hoje vemos por todo lado a defesa do aborto e do infanticídio (o “aborto pós-natal”), como método contraceptivo ou como meio de selecção artificial do seres humanos mediante a constatação de deformidade ou enfermidade incurável. Com isso, buscam escolher quem deve nascer a partir de critérios de valoração baseados num sofrimento indesejável, como se houvesse sofrimentos desejáveis. 
O paganismo é algo que subjaz na ideia do aborto, tal como o sacrifício de bebés era inerente ao culto a Moloch. A diferença da fé dos primeiros pagãos para com a dos últimos está no objecto adorado. E no caso presente, temos a chamada comunidade médica ou científica, mas podemos ampliar o rol de sacerdotes até alcançarmos os intelectuais do controlo populacional, do planeamento familiar, etc. O derramamento de sangue inocente continua sendo a solução para aplacar sofrimentos humanos, tal como no paganismo primitivo. O trono de Moloch, portanto, permanece vivo como a chama de uma fornalha que é alimentada com sangue, com carne viva. 
O mesmo Cristianismo que substituiu as práticas a Moloch, tal como a tantos deuses pagãos na Antiguidade, é aquele que agora é atacado globalmente, justamente pelos filhos daquele que necessita de alimento, adoração e sacrifícios, e que aguarda nos altares secretos, montados em clínicas de aborto por toda a parte. É a revanche do paganismo cuja crueldade não foi capaz de vencer a misericórdia do novo mundo cristão que se tornou real. 
Vingadas as suas perdas, pretendem eles estabelecerem um reino pagão, assemelhado ao que as Nações Unidas chamam de comunidade internacional, para o qual luta ardentemente uma tal United Religions Initiative, visando a emancipação de velhas crenças hoje periféricas, e que elevará o culto a Moloch finalmente ao status de religiosidade legítima.


Cristian Derosa

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