segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

Por que a Igreja Católica é o maior obstáculo à Nova Ordem Mundial


Os utópicos da Nova Ordem Mundial odeiam o Cristianismo como um todo, cujos princípios sempre serão opostos ao poder infinito do globalismo. No entanto, do ponto de vista jurídico, a Igreja Católica é o maior obstáculo ao poder globalista por pelo menos dois grandes motivos: 

1) Base espiritual: Trata-se de uma instituição milenar de carácter espiritual e portanto importante coluna do direito natural no Ocidente, factor essencialmente limitador de poder; 

2) Soberania jurídica: Tem sede no Vaticano, um Estado nacional soberano, cujos princípios influenciam o mundo de dentro para fora, mas nada o pode influenciar de fora por conta dessa soberania. 

Estratégia 

Uma das estratégias globalistas mais clássicas consiste na superexposição da Igreja e da sua organização de modo a enfatizar contradições e as tensões existentes ou não com o contexto mundial (contexto este que deve ser construído por eles), para assim gerar uma falsa necessidade de interferência do mundo nas questões internas da Igreja. 

Walter Lippman, assim como muitos outros teóricos dos média e de sociologia, chamava a atenção para a existência do que chamava de “pseudo-ambiente”, isto é, um contexto construído especialmente para servir de justificativa para acções efectivas e mudanças drásticas na estrutura do tecido social. Aqui podemos interpretar o pseudo-ambiente como a função de premissa, já que não precisa ser exactamente uma descrição contextual clara, mas manifestar-se num questionamento que passe a ideia de ser representativo da humanidade e fazer as vezes de uma questão universal e candente. É evidente que tudo o que se publica jornalisticamente sobre o Papa e a Igreja tem esse objectivo e o Vaticano sabe disso. Embora em muitos casos a Igreja acredite (estando certa ou errada) conseguir aproveitar-se dessa exposição vendo nela uma oportunidade de levar a sua mensagem ao mundo, o facto é que a premissa dessa exposição global está presente nos dois casos, ou seja, os agentes desta exposição dificilmente são os membros da Igreja, mas os média submissos ao globalismo. Já que a Igreja não detém eficientemente os meios de controlar o fluxo de exposição, tampouco o viés dos produtos mediáticos, resta a ela responder às questões levantadas pelos média utilizando-se muitas vezes de premissas fornecidas pelo agente causador da exposição. A resposta da Igreja normalmente nem precisa de ser distorcida pelos jornalistas, pois o facto da pergunta já é suficientemente um factor de subjugação da Igreja ao julgamento mundano, o que já caracteriza uma inversão profunda e imperceptível de valores no grosso da audiência. Claro que a situação se complica ainda mais quando até mesmo o próprio Papa parece raciocinar nos termos mediáticos e aparentemente apressar-se a responder e com isso reforçar uma postura de submissão avessa à verdade da fé cristã e da noção de autoridade (dependência exclusiva do Autor da vida). Isso não é uma exclusividade do Papa Francisco, mas o resultado de uma postura que a Igreja tomou há tempos, o que nos parece algo carregado de erros e de aparente ingenuidade, queremos crer. 

Por outro lado, se há outra alternativa à Igreja a não ser responder às questões levantadas, dada a situação de impotência diante do colossal poder dos grandes média globalistas, não nos caberia indicar, já que compreender o problema parece-me o primeiro passo de qualquer tentativa de resolvê-lo. Isso nos deve auxiliar principalmente no julgamento e interpretação das notícias sobre a Igreja, o que deve ser feito levando em consideração os seus efeitos e, portanto, o seu agente, conforme um simples exercício de associação baseado na pergunta: a quem isso ajuda? Se ajuda aos globalistas e o seu poder sobre os média já é atestado, claramente se trata de uma acção orquestrada para este fim. E sobre isso há bastante informação disponível que ateste a incrível capacidade das instituições e entidades globalistas de controlar os meios de comunicação. Basta ver o meu artigo sobre o Project Syndicate

Exemplos temos em demasia. O primeiro deles e mais óbvio são as acusações de pedofilia na Igreja. É sabido que casos reais existem e devem ser combatidos. No entanto, é um traço típico da mentalidade dos meros consumidores de notícias não atentar-se para o contexto em que essas denúncias surgem ou de quem elas vêm. Num mundo hiper-sexualizado, onde todas as taras sexuais, incluindo homossexualismo, pedofilia, necrofilia, zoofilia, já contam com entidades de defesa e proselitismo sexual vindo da própria ONU e UNESCO, onde a educação sexualizante para crianças tem sido empurrada goela abaixo de todos os países do mundo, parece-nos bastante estranho que os mesmos agentes promotores destas obscenidades tentem colocar a Igreja Católica no centro do problema das taras sexuais. Trata-se de uma forma ardilosa de gerar uma falsa necessidade de o mundo fiscalizar a Igreja e a sua estrutura, além, é claro, de distrair o mundo dos infindáveis escândalos de pedofilia na própria ONU que são denunciados pelo mundo afora e superam em muito os da Igreja. 

Embora este tipo de assédio jurídico-mediático ocorra com todos os Estados nacionais, o Vaticano é o alvo prioritário, por ser o repositório ocidental do que chamamos de direito natural, isto é, a base jurídica que nos permite julgar se uma lei é justa ou injusta, por carregar valores pré-jurídicos. O caso da pedofilia na Igreja esconde ainda uma agenda dupla que é a questão do celibato clerical, algo odiado e cada vez menos compreendido, mas muito mais por força de uma contextualização construída e aceite pela maioria, na qual o ponto mais alto da satisfação humana está na sexualidade e na realização dos desejos. Desejos estes que, para os fins do direito positivo da Nova Ordem Mundial, devem servir de matriz às reivindicações de mais direitos. Só assim, o que se conhece como direito pode ganhar um carácter subjectivo, um passo importante na direcção da relativização do direito e, portanto, no sepultamento dos conceitos universais. Afinal, sendo o homem escravo dos próprios desejos, toda a força dispendida à sua realização irá inevitavelmente na mesma direcção de conceder aos legisladores mais e mais poder para que garantam os seus direitos. Uma artimanha tão velha quanto letal. 

Outro exemplo muito claro é a cobertura e a atenção dada pelos média ao Sínodo dos Bispos, cujo tema foi a família. A expectativa dos grandes média coincide com agendas da ala modernista da Igreja, como a comunhão de recasados (no fundo, mirando no dogma da indissolubilidade do casamento) e a aceitação de uniões entre pessoas do mesmo sexo, o que pressupõe, de fundo, a relativização do conceito de família como algo universal e independente de convenções sociais ou culturais. O maior obstáculo a estas causas é, novamente, o direito natural que, longe de ser um simples paradigma jurídico, é a base sobre a qual se construiu a mesma noção de direito e de democracia ocidentais. 

Como vemos, não é possível julgar as notícias pelo seu conteúdo mas pela agenda que ela atende. Muito embora factos expostos tenham um fundo de verdade, a verdade maior está na malícia dos difusores da informação e não na informação em si. Informações são uma parte muito pequena de uma notícia. O seu miolo, isto é, a sua alma é a intencionalidade, seja de informar ou transformar, dada a amplitude dos efeitos que advém da difusão dos factos. Afinal, inevitavelmente a difusão de factos gera novos factos. Quem controla a difusão evidentemente detém uma parte importante do poder de interpretação sobre os novos factos gerados.


Cristian Derosa

6 comentários:

Adilson disse...

Bom dia, nobre FireHead! (são 8 e 17 da manhã, aqui no Brasil)

Postagem super super! Comprei o livro "Poder Global e Religião Univesal", e de fato, ele comprova tudo isso por meio de documentos. Tudo isso que você traz nessa postagem é confirmado pelo Mons. Sanahuja nesse livro que citei. E o mais interessante é que ele comprova por meio de documentos e de fatos históricos, especialmente aqueles conduzidos pelos socialistas e progressistas. Ora, sós os idiotas, os intelectualmente e os pilantras malignos insistem em não reconhecer que o Cristianismo é sim a única religião capaz de resistir a agenda global! Uma das armas que os agentes do governo global tem usado contra os povos é justamente a educação, com a qual vão bestializando as populações: difamando o cristianismo e reduzindo a capacidade dos povos de pensar logicamente!

Abraços!

wind disse...

Boa semana:)

FireHead disse...

Adilson,

É mesmo. Já chegou a um ponto em que o melhor é começarmos a desprezar os desonestos intelectuais e adeptos de revisionismos históricos. Sinceramente estou farto de papagaios que estão sempre a repetir as mesmas mentiras na esperança de que elas se tornem verdades. Que obsessão que essa gente deve ter pelo Göbbels.

Abraço.

FireHead disse...

Wind,

Para ti também. Mais uma semana que vai passar depressa. ;)

Douglas Sulzbach disse...

Nada vencerá a Igreja de Deus e assim, pois o bem não pode ser vencido, ela sairá triunfante como sempre!
Boa semana a ti e aos teus!

FireHead disse...

Douglas Sulzbach,

Difícil é conseguir espetar esta verdade aos patetas. Há por aqui lunáticos que defendem que, lá por a origem do Cristianismo ser judaica, trata-se duma invenção dos judeus como forma de destruir o Ocidente e que o Cristianismo serviria para fragilizar os ocidentais e permitir que eles sejam controlados pelos judeus. É com cada filme que essa gente inventa que até já fico sem vontade de rir.

Com efeito, a perseguição aos judeus por parte dos islamizadores, a Inquisição da própria Igreja que perseguia os judeus e até mesmo o facto de haver cristãos ultra-conservadores que, tal como os nazis e os muçulmanos, odeiam os judeus, são apenas, como dizer?, pedras necessárias no caminho tendo em vista o grande ideal imaginado que é o controlo mundial por parte dos judeus! Que importa a vida dos judeus inocentes às mãos de todo esse plano judaico se o que importa são os fins e não os meios? Até há rabinos ortodoxos, ultra-ortodoxos ou nem por isso, que defendem abertamente esta agenda! Por isso é que Israel promove o multiculturalismo e a destruição das identidades nacionais no Ocidente enquanto que não permite nada destas coisas em Israel! Se por exemplo lhes dissermos que no Knesset há árabes israelitas é porque é mentira para eles! Ou se lhes dissermos que também há judeus israelitas descendentes de africanos, de europeus, etc. É tudo falso, é tudo uma cilada sionista!

E depois há também aqueles que crêem em paganices e que se atiram à Igreja acusando-a de permitir a destruição do Ocidente. Ora, como eu já estou cansado de repetir aqui no blogue - e daí eu andar a censurar comentários repetitivos - é o facto histórico de que quando o Cristianismo era forte e marca identitária da civilização ocidental, não houve islamizações nem invasões. Agora que o Cristianismo está a ser valentemente atacado pela escória esquerdida, maçónica, islâmica ou simplesmente anticristã, é que se vê como é que está a ficar o Ocidente. Isso, claro, à medida que tretas como o paganismo, aliado do esquerdume, vai ganhando cada vez mais terreno, conseguindo vencer batalhas atrás de batalhas, como a legalização do "casamento gay", o aborto, a eutanásia, qualquer dia também o incesto, a pedofilia, o animalismo, o infanticídio e aberrações afora. Aconselho aos pagãos da actualidade a reverem as suas crenças e antes de andarem para aqui a citar São Justino o Mártir e coisas do género, preocupem-se antes com a ideia da hospitalidade ser uma "virtude pagã" muito antes de ser cristã. Afinal de contas, não se queixam eles que o Cristianismo lhes roubou tudo e mais alguma coisa, mesmo aquilo que é mesmo puramente cristão e que não tem nada de pagão?

Se o Cristianismo não é a única ideologia capaz de enfrentar o islão, como historicamente já ficou comprovado, então é o quê? O paganismo?? O ateísmo?? Mas o islão é um paganismo refinado, pois os muçulmanos crêem num ídolo lunar! A Maçonaria é de essência cabalística pagã, com rituais a roçar os satânicos, com rituais iniciáticos, com o culto a Baphomet, com "divindades" pagãs como as egípcias (Hórus, Ossíris, etc.), etc. etc.! O facto é que, à medida que o Ocidente se descristianiza, mais frágil ele se torna, caminhando presentemente para a ruína. E agora que desmintam isso se conseguirem. Ah, esquece, eles não têm argumentos para isso, por isso toca a atacar os mensageiros. Vou fazer como a malta do PNR e dizer que o nacionalismo é que é a solução...

Contra esta escumalha só mesmo atacando-a ou, quanto muito, desprezando-a.

Um abraço.