sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

Nietzsche e os nacionalistas

Mais uma pequena achega, agora que ando a reler umas coisas do genial pensador alemão: ainda não percebi muito bem como é que há nacionalistas, racialistas ou seja lá o que se considerem, que vêem em Nietzsche uma referência. Um indivíduo que erigia o cosmopolitismo como valor não pode ser um marco para quem tem o solo e o culto dos ancestrais como referências. Naturalmente, aqueles que o incensam são os que mal o leram ou, então, os pagãos que à boleia do anticristianismo do tresloucado alemão fazem todos os malabarismos possíveis e imaginários por adequar a filosofia do homem ao seu pensamento distorcido. De facto, o que essa gente procura em Nietzsche é apenas uma confirmação das suas teses anticristãs. Quanto ao resto, os neopagãos não dão para mais. Pedir-lhes coerência intelectual é excessivo para quem não vê incoerências num autor filossemita, pró-islâmico, cosmopolita, anti-germânico e mais umas coisas ao mesmo tempo. Nietzsche, relativista, é ainda uma das referências para a pós-modernidade a qual, na desconstrução que faz do sujeito, se ergue contra o mesmo no seu enraizamento comunitário possibilitando assim a emergência das diversas formas de totalitarismo. Mas para os adoradores de ídolos uma boa parada militar compensa tudo.

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