segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

Nietzsche, admirador do islão

“O Cristianismo frustrou-nos da herança do génio antigo e frustrou-nos mais tarde da herança do islão. A maravilhosa civilização mourisca da Espanha, no fundo mais próxima dos nossos sentidos e dos nossos gostos do que Roma e a Grécia, essa civilização foi calcada aos pés (não digo por que pés) porquê?, pois se ela devia a sua origem a instintos nobres, a instintos de homens, pois se ela dizia sim à vida e para mais com as magnificências raras e refinadas da vida mourisca! Os cruzados lutaram mais tarde contra algo que teriam feito melhor em adorar prostrados por terra – uma civilização que faria parecer o nosso século XIX um século pobre e ‘tardio’. – É verdade que queriam os despojos: o Oriente era rico... Sejamos, pois, imparciais! As Cruzadas – alta pirataria e nada mais! (...) Em suma, não podia haver escolha entre o Islão e o Cristianismo, como não a podia haver entre um árabe e um judeu. A decisão está tomada; ninguém tem mais a liberdade de escolher. Ou se é, ou não se é Chandala... ‘Guerra de morte contra Roma! Paz e amizade com o Islão!’. Assim o quis esse grande espírito livre, o génio entre os imperadores alemães, Frederico II”- Nietzsche, O Anticristo, Europa-América, 1977. 

“Nietzsche não queria dizer o que disse, está a ser mal interpretado”, dirão alguns génios da hermenêutica. Pois. Fora a demonstração de ignorância perante o que foram as Cruzadas (Nietzsche nunca foi grande coisa como intérprete da História) o texto evidencia algo muito visível em Nietzsche e nos anticristãos: o ódio ao Cristianismo é de tal ordem que se sobrepõe a quaisquer considerações racionais. Tratando-se de eliminar a Cristandade e uma parte fundamental da herança Ocidental esta gente não tem pejo em aliar-se aos inimigos da Europa. Mas, naturalmente, sempre dizendo que a Igreja é o grande mal – como se estivessem, de facto, preocupados com aquilo que ela é.


2 comentários:

Adilson disse...

Novamente!

Aqui no Brasil, as universidades são praticamente adoradoras do Nietzsche. Quando cursei a faculdade de filobostia (ops! filosofia) na Universidade Federal do Paraná, só havia um professor que chutava o traseiro do Nietzsche. E o mais interessante era que este professor era ó único que possuía um bom conhecimento sobre Platão e Aristóteles! Mas também era o único do qual todo o corpo acadêmico, que não sabia nada de Filosofia clássica, se afastava. Seria bom que os professores da universidade que frequentei lesse esta postagem. Assim, eles poderiam saber um pouquinho mais sobre aquele alemão cretino e drogado, o qual teve a sorte de viver numa época em que o intelectualismo já havia se tornado um pinico cheio de merda, e não existia os debates filosóficos como aqueles da idade média, em que não bastava peidar pela boca, mas deveria ser questionado por quem realmente sabia!

FireHead disse...

Pois, e eu, para contrastar, pouco ou mesmo nada sei do Nietzsche. Na verdade, agora é que eu vou percebendo melhor que tipo de crápula ele era graças ao dono do blogue O regresso da Primavera.