domingo, 6 de dezembro de 2015

Refugiados portugueses de Xangai


Fui ontem ao Arquivo Histórico de Macau onde está a decorrer até o dia de hoje uma exposição sobre os refugiados portugueses de Xangai em Macau, um importante espólio documental que nos ajuda a conhecer também um pouco o importante papel que Macau teve no acolhimento dos refugiados.


Entre 1880 e 1952, mais de 5000 cidadãos portugueses estavam inscritos no Consulado de Portugal em Xangai. O fim da presença lusa nessa cidade chinesa está associado ao pós-II Grande Guerra, acelerando-se nos anos de 1949 e seguintes depois da vitória do Partido Comunista Chinês na guerra civil da China. Muitos destes portugueses partiram para Macau. Foi a partir do movimento dos refugiados portugueses de Xangai para Macau que se deu início a novos fluxos migratórios que levaram luso-descendentes asiáticos para os cinco continentes.


Os portugueses de Xangai, conhecidos também por xangainistas, descendiam principalmente dos portugueses de Macau. A diáspora luso-macaense começou em 1842 quando os irmãos Leonardo e José Maria d'Almada e Castro se mudaram para Hong Kong. Nesta cidade e em Xangai fixaram-se os dois núcleos mais importantes da emigração luso-macaense. As principais actividades destes portugueses asiáticos situavam-se nos sectores comerciais e financeiros. Perfeitamente integrada na dinâmica social xanganista, esta comunidade lusa foi capaz de mobilizar os seus membros de modo a manter viva a Portugalidade, preservando as referências da sua origem.


Jornais da época, como o Notícias de Macau e O Cidadão, em português, o Tai Chung Pou e o Va Kio, em chinês, e o World Daily, em inglês, fizeram a cobertura da situação dos refugiados portugueses de Xangai, destacando o facto de Macau os ter recebido carinhosamente. O primeiro grupo de refugiados xangainistas chegou a Macau na sequência da invasão nipónica de 1937, era então govenador de Macau Artur de Tamagnini de Sousa Barbosa. O acolhimento de refugiados xangainistas prolongou-se até o governo de Albano Rodrigues de Oliveira, que governou a antiga colónia portuguesa entre 1947 e 1951, após a rendição do exército nacionalista às forças do Exército Popular de Libertação.


Toda a vasta documentação que está até hoje disponível no Centro Histórico de Macau é um importante legado histórico para que todos nós portugueses possamos reconhecer que o futuro se constrói conhecendo o passado próximo e longínquo. É também uma história de uma cidade solidária que é Macau, logo do interesse de todos os macaenses como eu e também de todos os que vivem e sentem esta terra que já foi de Portugal durante mais de 400 anos.

2 comentários:

wind disse...

Resto de bom domingo:)

FireHead disse...

Uma boa semana, com um excelente feriado (católico) pelo meio! O Estado é laico? Que se lixe! :)