quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

Rameiras


Nas semanas que se sucederam às eleições de 4 de Outubro fomos massacrados com uma “coligação de esquerda”, com um governo dessa coligação, com apoio parlamentar maioritário, com acordo de governação, com exemplos por essa Europa fora de PM’s de Partidos minoritários (esquecendo convenientemente que governam em coligação), mais o diabo a quatro. Na primeira curva teve que ser o PSD a ajudar o tal governo com apoio maioritário na AR a passar um Orçamento de Estado. 

Dizem que não tinha outro remédio, arriscava que o sistema financeiro colapsasse, que as economias da Madeira e os Açores estoirassem, etc. Ora foda-se! E o “apoio maioritário” na AR? O BE e PCP não apoiam o governo do PS? Não é este um governo “das esquerdas”? Não foi este governo empossado no pressuposto de acordos entre quatro Partidos? Não é a esse “apoio maioritário na AR” a um Partido que foi derrotado nas eleições que vocês chamam democracia? Afinal, de quem é a responsabilidade de suportar as decisões governativas? Do PSD? A esquizofrenia é de tal ordem que o governo do Partido que perdeu as eleições (e que como se demonstra não tem apoio maioritário nem acordo nenhum na AR, sendo portanto politicamente ilegítimo) nem sequer se preocupou em negociar a decisão do Banif com os seus “parceiros”. Pressupôs que era obrigação de um Partido que é declaradamente oposição, apoiá-lo. Esta história escabrosa demonstra: 
  • Que estou rodeado de atrasados mentais nos media
  • Que para comentadeiros, analistas, jornalistas e povo em geral, o BE e PCP são agremiações recreativas com a responsabilidade de uma criança de cinco anos; 
  • Que o “arco da governação” cujo fim socialistas de todas as cores celebraram se mantém o que sempre foi; 
  • Que o governo que temos existe apenas por via de um golpe político ilegítimo.
Um governo com as características e génese deste não existe em nenhum país civilizado e creio até que em nenhum de todo. Civilizado ou não. Só aqui na choldra seria possível uma cagada destas. A responsabilidade da aprovação ou não de Orçamentos e de toda e qualquer medida proposta pelo governo, bem como de todas as consequências inerentes é da “maioria” formada na AR em Novembro, PS, BE e PCP, de mais ninguém.


Hélder Ferreira

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