sábado, 19 de dezembro de 2015

«O mais importante é quem somos. Isso é a riqueza que temos em nós»

Os jornais macaenses de língua portuguesa Tribuna de Macau, Hoje Macau e Ponto Final, que não são diários mais sim funcionários (públicos) porque não trabalham aos fins-de-semana nem nos feriados públicos, falaram há uns dias atrás do museu da herança portuguesa em Malaca, na Malásia, que é património mundial da UNESCO desde 2008 devido à sua história que envolve vários povos que por lá passaram, em especial, é claro, os portugueses.

A Portugalidade é uma característica básica do povo malaqueiro
Os jornais, através da agência Lusa, falaram dos descendentes portugueses "filhos" de Afonso de Albuquerque que surgiram em Malaca após a conquista da região em 1511. Esses luso-descendentes, conhecidos por malaqueiros ou kristang, ainda hoje devem lealdade a Portugal apesar de muitos deles nunca terem conhecido o país. Um dos promotores da herança lusa em Malaca é Christopher de Mello que afirma que os luso-descendentes continuam a cumprimentar-se com dois beijos na cara, uma saudação que não é vulgar na muçulmana Malásia. "Não queremos saber do país, se é rico ou pobre, não interessa", disse Christopher de Mello em relação a Portugal. "O mais importante é quem somos. Isso é a riqueza que temos em nós". Outro malaqueiro, Joseph Santa Maria, afirmou que "Nós nunca morremos, nós somos portugueses. Amamos os portugueses, ainda que eles não tenham feito assim muito (por nós). É a afinidade e o orgulho de nos chamarmos portugueses". Apesar da língua portuguesa ser preterida em relação ao dialecto kristang (que significa cristão), um crioulo que mistura português antigo com o bahasa malaio, Joseph Santa Maria, autor do livro "Pessoas proeminentes na Comunidade Portuguesa em Malaca", acredita que o seu povo nunca irá desaparecer, a menos que o Portuguese Settlement (Kampungis Portugis), o bairro onde residem, seja destruído. Também a Igreja Católica "mantém-nos unidos", destacou, defendendo que para quem não é católico é difícil fazer parte da comunidade "porque tem de celebrar o Natal, o São Pedro ou o São João".

Christopher de Mello e Manuel Bosco Lazaroo
Perto do Kampungis Portugis está o museu que preserva desde há três anos a memória portuguesa à base do contributo voluntário dos malaqueiros. Christopher de Mello e o seu amigo Jerry Alcântara decidiram transformar um museu antigo num espaço de exposição de memórias que hoje recebe pessoas de todo o mundo. Afonso de Albuquerque, cujo 500.º aniversário da morte se assinalou no dia 16 do corrente, também está representado no museu, como não podia deixar de ser, pois foi ele um dos "primeiros pais da aldeia". "É por causa dele que estamos aqui hoje", frisou Christopher de Mello, acrescentando que o incomoda confundirem-no com um malaio. "Prefiro que digam que pareço mais português. Nós aqui nunca dizemos que somos malaios, dizemos que somos malaio-portugueses", sublinhou, explicando que apesar do sangue português já se ter diluído há gerações, ainda predominam os apelidos lusos na comunidade luso-descendente, como Sousa ou Gomes. O governo local já apresentou uma proposta para apoiar o museu, mas com a condição de assumir a administração do espaço e pagar um salário aos voluntários, algo que os promotores recusaram. "Eu não quero que no futuro a história malaia entre no Portuguese Settlement. A nossa história portuguesa seria abolida", justificou.

Uma foto do interior do museu
Aproxima-se o Natal. Para os malaqueiros, o povo português adora beber e, tendo dinheiro ou não, sabe divertir-se e "celebra um Natal muito bonito", convidando toda a gente a participar e oferecendo comida e bebida nas suas casas. "Na verdade, os malaios admiram-nos e também têm inveja de nós porque tudo o que fazemos em Malaca é diversão, é festa, é prazer, mas algumas coisas são muitíssimo sensíveis para nós falarmos aqui", concluiu Christopher de Mello.

6 comentários:

Anónimo disse...

este postal é para mandar à cara do afonso de portugal. aquele tal etno racialista xenofobico e racista dum raio. monhe costa

Ivan Baptista disse...

Epá , a bandeira republicana é tudo menos bonita, prefiro mil vezes a Monárquica XD
Atenção que estou a falar de bandeiras e não de politiquice , hehe

Ivan Baptista disse...

Preferia que fosse esta ( http://i59.photobucket.com/albums/g320/fernao/BandeiraPortugalazul.png ), pode não ser bem monárquica , mas para mim, é mais bonita

Ivan Baptista disse...

Esta também é ( https://portugalfuturo.files.wordpress.com/2010/11/bandeira_portugal_pf.png )

FireHead disse...

Monhé Costa (LOL),

A gente sabe que para o Afonso de Portugal essa gente não é portuguesa apesar das suas origens portuguesas (essencialmente transmontanas), mas isso não é connosco. O problema dos racialistas é que, mesmo que os malaqueiros fisicamente se parecessem com brancos, eles podem sempre dizer que eles não são brancos e portugueses por causa da questão do genótipo e do fenótipo.

FireHead disse...

Ivan Baptista,

Eu por acaso gosto mais da bandeira actual. A monárquica também não é feia, até porque continua a ter lá o vermelho do brasão. :)

Já agora, porque não a primeira bandeira que é igual à da Finlândia?

Dantes costumava comentar aqui o Martini Bianco, um monárquico que se dizia nacionalista e que dizia que a actual bandeira portuguesa parece uma bandeira africana por causa das cores de África (amarelo, vermelho e verde). Até parece que não existem outros países da Europa com estas cores nas suas bandeiras ou países africanos com bandeiras azuis (Cabo Verde, Somália, etc.).