quinta-feira, 26 de novembro de 2015

A culpa não é do Ocidente

Os massacres de Paris enjoaram-me duplamente. Primeiro, pela barbárie; depois, pela série de clichés a que assistimos desde as vagas de descolonizações do pós-II Guerra Mundial, entre os quais a “culpa do Ocidente”. Procuram-se razões para justificar a atitude destes “jovens problemáticos”, como que desculpando-os, relativizando o crime com os guetos, o desemprego, a falta de integração, etc. Estes são problemas, sim. Mas nem de perto nem de longe a culpa é apenas e só dos países de acolhimento, dos “ocidentais” – veja-se o caso da integração da imigração lusa. 

Devido ao sentimento de culpa fazemos demasiadas concessões, vergadas à tolerância, para com as comunidades islâmicas: em Penela, no acolhimento de refugiados, entre as actividades que visam a integração, as aulas de português serão dadas a homens e mulheres em separado. Alguém perguntava, com razão, se esta duplicação de esforços também se aplica nos hospitais e nas escolas. E já nem falo nos milhões de euros que a Câmara de Lisboa vai dar para a construção de uma mesquita, uma benesse não atribuída, tanto quanto se sabe, a outras confissões. Também em Espanha, está estipulado que para tirar as fotos do BI seja visível todo o rosto, cabelo e orelhas, um princípio que até se aplica a freiras mas não a mulheres muçulmanas, a quem é permitida a foto com cabelo tapado. 

Mas as falhas de integração são também culpa de quem chega, como notava Serafin Fanjun numa esclarecedora entrevista ao “Público” no dia 19, referindo-se à endogamia e ao proselitismo. De facto, as sociedades europeias deram os primeiros passos, agora cabe àquelas comunidades fazê-lo. De resto, por uma única vez, gostaria que poupássemos nas palavras, nas explicações, na complacência, como resposta a quem nos odeia e, além de reduzirmos a pó uma ameaça identificada, que deixássemos de nos culpar a nós pelas intenções de um grupo terrorista que nos quer destruir. De outro modo, passarão vários anos e este texto fará todo o sentido.


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