quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Só faltava mesmo a este triste país um governo de derrotados

António Costa está obcecado pelo poder. Depois de ter admitido a derrota na noite de 4 de Outubro, foi a correr à Soeiro Pereira Gomes ser indigitado primeiro-ministro pelo secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa. Satisfeito com a decisão comunista, já se imagina a chegar a S. Bento, agarrar o telefone com a mão trémula e, com a voz embargada, dar a novidade: “Mãe, sou primeiro-ministro.” António Costa e as esquerdas arranjaram uma curiosa narrativa para tentarem chegar ao poder a todo o custo e sem qualquer legitimidade política. Mais de 61% do eleitorado votou contra a austeridade, logo contra a coligação do PSD e do CDS. Mas como são uns zeros à esquerda em contas, como se vê pelo estado em que deixam o país sempre que estão no poder, esqueceram-se de que os grandes derrotados da noite de 4 de Outubro são o PS, o Bloco de Esquerda e o PCP, como muito bem lhes lembrou há dias o eurodeputado Paulo Rangel. De facto, mais de 67% do eleitorado votou contra os socialistas, mais de 89% contra os bloquistas e mais de 91% contra os comunistas. São, pois, estes derrotados que sonham agora ir para um governo liderado pelo grande derrotado António Costa. O secretário-geral do PS, que manifestamente não se demitiu na noite das eleições, é neste momento um homem desesperado. Só tem duas alternativas: ou vai para primeiro-ministro apoiado pelas esquerdas derrotadas e fica refém de comunistas e bloquistas, ou é corrido do Largo do Rato pelos seus camaradas socialistas. Um destino triste para um homem que não teve pejo nenhum em atropelar António José Seguro depois de duas vitórias eleitorais, mal lhe cheirou a poder ao virar da esquina. Chegados aqui, quem vai sofrer, como de costume, com os devaneios e obsessões desta gentinha é o desgraçado do povo português, que acreditou na democracia depois de 48 anos de ditadura e já viu o país cair na bancarrota três vezes. Um governo de derrotados chefiado pelo grande derrotado de 4 de Outubro é caminho certo para a quarta bancarrota. Como se viu recentemente na Grécia, não será a voz forte de António Costa que irá alterar o Tratado Orçamental e as regras da zona euro. A Europa, com vozes mais ou menos fortes, não irá permitir que Portugal aumente o défice, logo a despesa pública, e reduza as receitas de forma demagógica. Bruxelas, como se sabe, já está muito nervosa com o atraso do Orçamento do Estado de 2016. Tão nervosa que até exigiu conhecer o esboço do Orçamento até dia 15, mesmo sem primeiro--ministro indigitado e governo aprovado no parlamento. O Orçamento do Estado para 2016 feito por um governo de derrotados e chefiado pelo grande derrotado de 4 de Outubro será passado a pente fino e, muito provavelmente, chumbado sem apelo nem agravo. Neste cenário mais do que certo, entram em acção os terríveis mercados. E não serão os gritos indignados dos derrotados de 4 de Outubro que irão travar a subida inevitável dos juros da dívida portuguesa. O filme de terror de 2011 que atirou milhares de portugueses para o desemprego, para a pobreza e para a emigração tem todas as condições de voltar a repetir- se. E os remédios dolorosos que foram aplicados ao Portugal falido de 2011 serão bem mais violentos no Portugal falido de 2016. 
 E tudo isto pela obsessão de um homem desesperado que só pode salvar a pele se chegar a primeiro-ministro de um governo de derrotados, uma verdadeira aberração para homens e mulheres insuspeitos de amores pela austeridade e pela coligação do PSD com o CDS. O “mãe, sou primeiro-ministro” podia e devia ser uma comédia. Pode acabar numa tragédia para o país.

António Ribeiro Ferreira

Fonte: Jornal i

2 comentários:

Diana Fonseca disse...

Se eu percebesse esta salada russa...

FireHead disse...

O que eu sei é que todos os primeiro-ministros que Portugal já teve desde 1976 foram eleitos pelo povo. Se o palhaço do Costa se tornar primeiro-ministro sê-lo-á contra a vontade do povo. Isto não é nenhum democracia, mas vindo dos esquerdistas realmente não é de espantar.