quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Fervor católico polaco por detrás da repulsa a refugiados?


Para quem vive neste mundo e está a par do que está a acontecer na Europa, com a crise dos refugiados, sabe que alguns países do Leste Europeu estão contra a imposição de quotas da maçónica União Europeia para abrigar refugiados, na sua esmagadora maioria muçulmanos. Um destes países é a Polónia onde a Igreja Católica tem muita força e influência, misturando-se mesmo o Catolicismo com a identidade nacional do povo polaco, bem mais que a acção dos grupos de extrema-direita. Mesmo o recente apelo do Papa Francisco para que as paróquias da Europa abram as suas portas para abrigar refugiados está longe de surtir efeito na Polónia, algo que o próprio porta-voz da Cáritas da Polónia, Pawel Keska, confirmou: "O apelo do Papa é uma chamada de consciência, não pode ser tratado como uma ordem. O povo polaco nunca teve muito contacto com os muçulmanos, não os conhece. Há um temor em relação a eles, já que muitos não gostam dos católicos. As paróquias estão abertas se o governo pedir, mas não estamos certos de que os refugiados devem viver juntos à comunidade católica. Tememos a reacção dos muçulmanos. Por exemplo, as nossas camas têm uma cruz. Eles vão aceitar viver com cruzes em todos lugares?" Além do mais, os refugiados querem é ir para a Alemanha. "Eles não estão interessados na Polónia. Forçá-los a virem para cá é também violar a sua liberdade", acrescentou Keska. Ora temos aqui finalmente alguém da Cáritas que tem cérebro dentro da cabeça!

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Já até consigo imaginar os "nazionalistas" anticristãos primários a uivarem com notícias como esta, tão confusos eles devem seguramente andar, pois para eles o Cristianismo é um "credo universalista" que impinge aos seus fiéis o amor ao "sagrado outro" (o alógeno) dando-lhe a outra face e abrindo-lhes os braços e também as pernas em nome da "fraternidade, igualdade e liberdade" (valores que curiosamente até são maçónicos, ou seja, pagãos). Num Ocidente cada vez mais apostatado e descrente (em relação ao Cristianismo, a matriz civilizacional ocidental), de facto não deixa de ser curioso os países verdadeiramente católicos serem os que mais se opõem à invasão islâmica, ao passo que os países mais laicos são precisamente os que acham bem acolhê-la. Ironia?

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