domingo, 9 de agosto de 2015

Sobre o emprego e emigração

Falei aqui de alguns mitos sobre o desemprego e respectivos sinais de preocupação. Tendo desmistificado a histeria reinante demonstrando que afinal os “verdadeiros números do desemprego” não tinham tido uma evolução assim tão diferente dos números oficiais, houve quem se insurgisse (e ainda bem, este é o sítio certo para isso) contra a não inclusão do impacto da emigração no desemprego.

Compreendo perfeitamente que o façam, afinal a atenção mediática ao tema tem sido grande. Há bons motivos para não o fazer, no entanto. O primeiro dos quais é básico: os emigrantes estão, na sua maioria, empregados. Considerar emigrantes empregados nas estatísticas do desemprego ainda é mais deslocado do que contar, como eu fiz, com os trabalhadores em part-time. Segundo motivo é que os emigrantes são apenas um lado da história. Há também que contar com os imigrantes e os emigrantes que regressam. Se aqueles que saem do país ajudam a baixar a taxa de desemprego (na verdade, só têm um efeito de curtíssimo prazo), então aqueles que entram ou regressam deveriam fazê-lo a subir. Temos que olhar então para o saldo migratório:


Entre os que entraram e saíram do país ao longo destes quatro anos, houve um saldo negativo de 128 mil. Valor elevado, mas longe dos 500 mil que alguns falam.

Falemos então no emprego: a economia destruiu emprego nos últimos 4 anos desde a entrada da Troika. Mais precisamente, temos hoje menos 200 mil empregos no país do que em Maio de 2011 quando o país precisou de pedir ajuda internacional:


No gráfico podem ver a evolução no número de empregados. Destaquei 5 pontos que merecem alguma atenção para compreender exactamente o que se passou com o emprego:

– O ponto 1 corresponde a Janeiro de 2010. Para quem não se lembra, o ano de 2010 foi um ano record na história portuguesa em termos de despesa pública e défice (batendo o anterior record que tinha sido 2009). O que aconteceu ao emprego com essa avalanche de investimento público? Caiu a pique. Entre Janeiro de 2010 e Maio de 2011, o país perdeu cerca de 5781 empregos por mês. Foram 93 mil empregos em 17 meses. Para efeitos de comparação, nesta legislatura perderam-se 4097 empregos por mês.

– O ponto 2 corresponde ao início desta legislatura. Desde o início da legislatura até hoje perderam-se 200 mil empregos. Este ponto é, obviamente, apenas simbólico. Ninguém no seu perfeito juízo esperaria que um país que tem que pedir ajuda financeira internacional não passasse por uma crise. Quem quer que governasse, iria assistir a uma queda no emprego. Mesmo que assim não fosse, o governo tomou posse apenas em Junho de 2011. As primeiras medidas relevantes de corte de despesa aconteceram meses depois e os seus efeitos na economia também só se sentem algum tempo depois. Em terceiro lugar, porque nesses primeiros meses ninguém apresentou uma alternativa ao que estava a ser feito. O PS chegou nuncou chumbou nenhuma medida do governo na AR. Ou seja, qualquer governo não syrizico teria feito o mesmo. Atribuir responsabilidade políticas por acções sobre as quais não existia qualquer opção, faz pouco sentido.

O ponto 3 corresponde a Março de 2012, 9 meses depois do governo tomar posse. Este ponto é importante porque marca o fim de toda a perda líquida de empregos da legislatura. Todos os empregos perdidos a partir deste ponto foram reconquistados mais tarde. Ou seja, toda a perda líquida de empregos nesta legislatura aconteceu nos primeiros 9 meses após a tomada de posse.

– O ponto 4 corresponde ao ponto mais baixo em termos de emprego, 18 meses depois do início da legislatura. Nessa altura, tinham sido perdidos 400 mil empregos. Destes, metade foram reconquistados nos 2 anos e meio que se seguiram.

– A velocidade de recuperação a partir de 2013 foi impressionante, mas houve uma travagem na recuperação, correspondente ao ponto 5. O ponto 5 coincide com o aumento do salário mínimo nacional. O país andava a ganhar 8 mil empregos por mês há 20 meses. Nos 4 meses a seguir ao anúncio do aumento do salário mínimo nacional, o país perdeu 10 mil empregos por mês antes de retomar a trajectória ascendente. Se há um erro a apontar a este governo em termos de política de emprego, é este.


Carlos Guimarães Pinto in O Insurgente

2 comentários:

Marco Valle Santos disse...

O sr. não sabe do que fala. Os refugiados são pessoas pobres que fogem da guerra e da fome mas se lhes derem uma casa e trabalho até nas campanhas agricolas dão-se por satisfeitos. Além disso pertencemos à UE ou não? Se pertencemos temos de ser solidários.

Para os racistas contrarios a meu argumento , aqui estou:
https://facebook.com/marco.v.santos.5?_rdr

FireHead disse...

Marco Valle Santos,

É verdade que há muitos refugiados que são gente de bem. Que precisam de casa e trabalho, não duvido. Mas então e não há na Europa europeus que não têm casa nem trabalho? Esses não deveriam ser a prioridade? Ou primeiro estão os outros, que vêm de fora, e depois, se der, os nativos? Será isso racismo? Se sim, de quem contra quem?

Não acha que antes de podermos ajudar os outros temos que arrumar primeiro a nossa casa? Solidariedade sim, é claro que sim, mas primeiro estão os nossos. Se os nossos estiverem bem, aí sim, poderemos ajudar os outros. Não concorda? Acha que na Europa já não há desemprego que chegue? O que é que se vai inventar para manter os refugiados profissionalmente ocupados no lugar de viverem às custas dos contribuintes havendo tantos nativos que nem sequer têm essa sorte?

Porque é que os que defendem os refugiados não os acolhem pessoalmente? Não convém?

E, já agora, consegue responder-me porque é que eles não fogem para outros países que não da Europa? Têm o Médio Oriente com países bem ricos, e ainda por cima da mesma religião que a maioria deles, perto de África também. Porque é que desejam tanto a Europa?