sábado, 22 de agosto de 2015

Por que o Cristianismo cresce tanto na China?

O meu amigo brasileiro Pedro Erik falou no seu blogue de um livro lançado este ano por Rodney Stark e Xiuhua Wang sobre o crescimento do Cristianismo na China, A Star in the East: The Rise of Christianity in China (Uma Estrela no Oriente: A Ascenção do Cristianismo na China), estabelecendo um paralelo com o rápido crescimento do Cristianismo tanto na Ásia como em África. Procurando explicar o crescimento do Cristianismo na China, os autores do livro dizem que a visão cristã sobre o futuro, a ciência e o universo dá respostas que o xintoísmo, o confucionismo, o budismo ou o taoísmo não dão, pois estes centram-se no passado, uma "incongruência cultural" entre a cultura asiática e a modernidade tecnológica e industrial, algo que revela uma carência espiritual que o Cristianismo resolve.
De acordo com Rodney Stark, um reputado sociólogo e co-director do Instituto de Estudos de Religião da Universidade de Baylor, as ditas "religiões orientais" (o Cristianismo também é de origem oriental, diga-se de passagem...) são anti-progressistas e proclamam que o mundo está decadente por se afastar de um passado glorioso, caminhando para trás e não para a frente. "Nenhum deles admite que nós somos capazes de perceber algo sobre o universo - é algo sobre o qual nós temos de meditar, não sobre o qual mostramos uma teoria, como fazem os físicos. Isto não está de acordo com o mundo no qual os chineses vivem no seu dia-a-dia", começou por dizer. Os chineses que se convertem ao Cristianismo vivem em regra nas cidades e sobretudo através das redes sociais, sendo por isso "invisível" ao governo. Entre eles há também intelectuais chineses: estes "estão seguros de que devem olhar para o Ocidente para compreender o mundo no qual vivemos. As religiões orientais não encaixam no mundo moderno actual e por isso é necessário olhar para o Ocidente para encontrar filosofias e religiões que assim o façam. Isto é algo muito interessante".
O Cristianismo sempre cresceu na China, mesmo durante a tirania de Mao Tse-tung. Os missionários cristãos estão na China desde a chegada dos jesuítas no século XVI e quando os comunistas tomaram o poder, em 1949, já havia no país 5700 missionários estrangeiros e cerca de 3,3 milhões de católicos chineses. Stark salientou também que, apesar do governo comunista ter criado a Associação Católica Patriótica em oposição à Igreja Católica Romana, continuou sempre a haver a verdadeira Igreja, ainda que underground, e acredita que a ordenação do bispo Joseph Zhang Yinlin é "a mais importante notícia da perspectiva católica que vem da China há anos", o que vai fazer com que se mantenha a taxa de crescimento de 7% anual, chegando o número de cristãos chineses a atingir os 150 milhões em 2020, 295 milhões em 2030 e 579 milhões em 2040!
A China há-de ser o maior país cristão do mundo? Quem diria?

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