sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Nós, Cidadãos!

José Pereira Coutinho no Mercado do Bolhão, no Porto
Esta é uma das notícias do momento aqui em Macau: o deputado da Assembleia Legislativa de Macau e presidente da Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau, José Pereira Coutinho, vai mesmo candidatar-se a um assento na Assembleia da República Portuguesa pelo círculo fora da Europa. O português de Macau e de ascendência goesa, que também é candidato nas eleições para o Conselho das Comunidades Portuguesas em Macau, associou-se ao movimento Nós, Cidadãos!, concorre como independente, aposentado e candidato pela ex-província ultramarina de Macau, tendo como o seu número 2 o também português de Macau e meu amigo Gilberto Camacho, elemento que surge como suplente na lista. 
A eventual eleição de Coutinho para o hemiciclo português já suscitou reacções junto da classe política de Macau: o presidente da Assembleia Legislativa, Ho Iat Seng, disse que a candidatura constitui uma questão diplomática. "Na qualidade de deputado de Macau, ele deve observar as leis de Macau, porque foi jurado para prestar fidelidade à República Popular da China", disse Ho Iat Seng. Quem não tem dúvidas que ele não será eleito é o jurista e analista político Arnaldo Gonçalves, antigo coordenador da campanha de Pedro Passos Coelho em Macau, que disse que em Portugal Coutinho iria "ser olhado como um corpo estranho, um paraquedista, um oportunista, alguém que utiliza os buracos das leis eleitorais para se apresentar". "As eleições do ciclo fora da Europa são decididas pelos círculos onde há mais peso de portugueses. Em Macau, o peso eleitoral dos portugueses é diminuto quando comparado com países como o Brasil ou a Venezuela", disse o jurista (é claro, pois a esmagadora maioria dos "portugueses" de Macau, ou seja, os chineses étnicos possuídores da nacionalidade portuguesa, não está nem aí para o que se passa em Portugal... mas se eles votassem, ui, seria lindo...), antes de perguntar: "Como é que um membro de um parlamento de um país se pode candidatar a deputado num parlamento de outro país? Nunca existiu nem nunca existirá. Há uma clara incompatibilidade. Esta candidatura está viciada do ponto de vista legal e constitucional". De maneira contrária parece pensar o presidente da Comissão Política da secção do PSD de Macau, Miguel Bailote, que vê Coutinho como um "adversário de respeito" e com uma candidatura com "peso eleitoral" por ter "uma máquina oleada e forte". "Se será suficiente para disputar um lugar de deputado, veremos", acrescentou.
O movimento Nós, Cidadãos! surgiu no seio do Instituto da Democracia Portuguesa criado em 2007 e que conta com figuras como D. Duarte Pio, Fernando Nobre, Rui Moreira, Virgílio Castelo, José Cid, Garcia Leandro ou José Alarcão Troni. Trata-se de um movimento que se situa entre o PSD e o PS (isso é possível??) e que defende a promoção do emprego e da coesão social, propondo que o problema da dívida externa seja recentrado nas famílias e empresas portuguesas, e promete combater a corrupção e dignificar a Administração Pública e as funções do Estado.

D. Duarte Pio e os candidatos ao Conselho das Comunidades
Portuguesas em Macau, José Pereira Coutinho e Rita Santos
Cá para mim o Coutinho já está é farto de Macau e quer mudar de ares, pois em Portugal o ar que se respira sempre é melhor que o daqui. O que eu acho é que se ele for mesmo eleito deixará de ser deputado aqui em Macau para se apresentar em São Bento, mas para isso é mesmo preciso que ele vença, coisa na qual eu não acredito...

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