sexta-feira, 21 de agosto de 2015

Em Goa nem todos querem a nacionalidade portuguesa

Na sequência desta entrada aqui, podemos ficar a saber, graças a uma reportagem da jornalista Diana do Mar, da agência Lusa e radicada em Macau, que em Goa nem todos querem adquirir a nacionalidade portuguesa.
O investigador no Centro de Estudos Internacionais do Instituto Universitário de Lisboa e antropólogo goês Jason Keith Fernandes trabalha na capital portuguesa, cidade pela qual se apaixonou mal a viu em 2009, tem o direito a ser português mas prefere continuar a ser indiano porque abdicar da nacionalidade indiana implicaria "perder o direito de intervir na esfera pública" da Índia, ou seja, não o faz por motivos políticos tal como em Macau há portugueses, ou melhor, ex-portugueses, que abdicaram da nacionalidade portuguesa e adquiriram a nacionalidade chinesa para alcançar cargos mais altos: Raimundo do Rosário, secretário para as Obras Públicas, Leonel Alves, deputado nomeado, Jorge Neto Valente, advogado, etc. Curiosamente, aqui em Macau o também deputado José Pereira Coutinho, de ascendência goesa, defendeu sempre que jamais abdicaria da sua nacionalidade portuguesa mesmo que isso signifique que não possa subir mais na carreira a nível profissional, tanto assim é que já manifestou a sua intenção de se candidatar para as eleições legislativas em Portugal como deputado na Assembleia da República em Outubro.
Voltando ao Jason, de 38 anos, que descreve que a atribuição da nacionalidade portuguesa aos seus patrícios não é nenhum "favor" mas sim um "direito", algo perdido com a ocupação indiana, considera-se a si próprio um "transnacional". "Passo vários meses em Goa, porque tenho de fazer trabalho de campo. Vivo entre dois mundos e, portanto, numa situação privilegiada". Filho de pai goês pertencente "à classe que teve uma relação privilegiada com a cultura portuguesa, visto como mais civilizada e culta" e mãe natural de Mangalore, antiga feitoria portuguesa do estado de Karnataka, sem "a mesma dinâmica com esta cultura", Jason, nascido e criado católico, viveu numa época de "crescimento do nacionalismo hindu". A classe política indiana desvaloriza grupos como os cristãos e os muçulmanos por serem "vistos como inimigos da nação". "O facto é que não são somente os católicos de Goa: há hindus, especialmente de castas altas, e muçulmanos que também têm passaporte português, mas o discurso está sempre feito contra os católicos de Goa", disse Jason. Segundo o portal Goa News, no início do mês, durante um debate na Assembleia Legislativa, o ministro-chefe de Goa, Laxmikant Parsekar, do Partido Nacionalista Hindu (BJP), afirmou sentir que os que optam pelo passaporte português não o fazem apenas na busca de empregos bem remunerados no estrangeiro, falando mesmo de "um problema de um tipo de mentalidade".
Podemos então concluir que este Jason é indiano por conveniência apesar dos hindus não o considerarem parte da nação indiana?

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