quarta-feira, 12 de agosto de 2015

Aproximação da China à Santa Sé

 
A recente ordenação do bispo chinês D. Joseph Zhang Yinlin em Anyang, na província chinesa de Henan, numa cerimónia privada que reuniu mais de 1500 pessoas, "teve extensa cobertura na Rádio Vaticano", informou o China Daily. Os analistas acreditam que esta ordenação, com a rara bênção de Pequim e do Vaticano, pode aproximar a China da Santa Sé e, segundo a diocese de Henan, há um outro sacerdote aprovado pelo Vaticano e candidato a bispo, Cosmos Ji Chengyi. "Pela primeira vez em muitos anos, a ordenação de um bispo decorreu sem controvérsia. Dezenas de bispos e padres não controversos assistiram à cerimónia. No passado, tais cerimónias eram desfiguradas pela presença de alguns bispos cuja selecção gerou controvérsia por terem sido escolhidos pelo governo chinês", escreveu o sinólogo italiano Francesco Sisi, radicado em Pequim. O Papa Francisco e o presidente chinês Xi Jinping deverão encontrar-se no próximo mês em Nova Iorque e poder-se-á "assinalar uma mudança positiva nas relações entre Pequim e o Vaticano".
O Cristianismo tem um rápido crescimento na China. Existem tantos cristãos chineses como membros do Partido Comunista, ainda que infelizmente muitos desses ditos cristãos são protestantes, ou seja, pseudo-cristãos. "Começaram a aparecer muitas pessoas a dizer que eram cristãs, entre aqueles que têm poucos estudos, quase por uma questão de conveniência. No Cristianismo existe um Deus que trata de tudo, podemos rezar para esse Deus e pedir qualquer coisa, enquanto que no taoísmo, que os chineses culturalmente conhecem melhor, existe um deus para cada coisa. Se querem saúde, têm de rezar a um. Depois para dinheiro, é outro. E se quiserem ter boas colheitas têm outro, também. Ora, no Cristianismo existe um Deus para tudo", afirmou Fenggang Yang, director do Centro para a Religião e Sociedade Chinesa da Purdue University, nos Estados Unidos, ao Observador através do Skype. "O ser humano sempre teve perguntas, faz parte da sua natureza. E a seguir ao que se passou em Tiananmen muitas pessoas começaram a procurar um sentido para a vida delas, para o que acontecia à sua volta. Só que aí, finalmente, começaram a procurar as respostas a essas perguntas na religião, porque acharam que a política do Partido Comunista já não lhes chegava". Yang, que era ateu tal como muitos chineses, acredita que cerca de 5% da população chinesa é cristã (umas 67 milhões de pessoas) e há um aumento de 10% a cada ano. "Em 2030, a China vai quase de certeza ser o país com o maior número de cristãos em todo o mundo. E isso é algo que preocupa bastante o Partido Comunista, causa-lhe medo", acredita Yang.
Com a aproximação da China ao Vaticano, pode ser que haja uma coisa muito boa: o Catolicismo passará a ser, para além de tolerado, reconhecido oficialmente, e aberbatará os católicos ditos "patrióticos" para fazer deles católicos verdadeiros. Isso quando acontecer poderá também ser óptimo no combate às seitas que se dizem cristãs, pois se estas não tiverem o reconhecimento oficial (a aproximação é entre a China e a Igreja Católica, e não as seitas pseudo-cristãs) continuarão a viver na clandestinidade (pelo menos os católicos têm a dita Igreja Católica Patriótica que é reconhecida por Pequim), havendo portanto (mais) terreno fértil para a evangelização. Afinal de contas, de que adianta uma pessoa dizer que é cristã se não é católica?
Pessoalmente deposito uma grande esperança no Catolicismo na China. Que Nossa Senhora de Donglu (da província de Hebei, o bastião do Catolicismo na China), a "Nossa Senhora Imperatriz da China", proteja os católicos chineses.

4 comentários:

wind disse...

Bem podes rezar!

FireHead disse...

A verdade é que cresce o número de católicos na China, amiga. Enquanto no Ocidente há cada vez menos, no resto do mundo há cada vez mais. E isso alegra-me imenso. :)

wind disse...

E a mim também! Pode ser que humanizem os chineses!

FireHead disse...

Pode ser que humanizem os chineses? Eh lá, xenofobia! :)

Tu podes ter todos os motivos do mundo para detestares os chineses, mas dizer que eles não são humanos não faz de ti uma pessoa melhor. Até porque o melhor que tens a fazer é preparares-te, pois os "humanos", como os de Portugal, estão-se a pôr a jeito para que os chineses um dia se ponham a mandar neles. Convenhamos que os desumanos não seriam capazes de dominar o que quer que seja, muito menos os "humanos". :P

E olha que tu afirmas que és de esquerda. Cadê a tolerância e o progressismo, hem?? :)