sexta-feira, 31 de julho de 2015

A origem dos portugueses

De celtas a romanos, de lusitanos a fenícios, de suevos a visigodos, de árabes a judeus... A mistura de povos que explica a origem dos portugueses.


Os portugueses são fruto de uma mistura de povos que migraram para a Península Ibérica no decorrer dos séculos. A mistura básica ocorreu entre os iberos e celtas. Os iberos foram os habitantes indígenas de Portugal, provenientes do norte de África e sudeste da Europa.


Quatro mil anos depois, os celtas, oriundos do sudeste da Europa, invadiram a península e se mesclaram com a população ibera, formando os celtiberos, como os lusitanos, que são considerados os antepassados dos portugueses.


Misturas menores ocorreram com a chegada dos romanos, de onde se originou a língua portuguesa e com os mouros, principalmente berberes. Com a decadência do Império Romano, Portugal foi invadido por povos germânicos, como os visigodos e suevos. Influências pouco significativas vieram com gregos, fenícios, cartagineses, vândalos e os alanos.


Os celtiberos são o povo que resultou, segundo alguns autores, da fusão das culturas do povo céltico e a do povo ibero, nativo da Península Ibérica. Habitavam a Península Ibérica, nas regiões montanhosas onde nascem os rios Douro, Tejo e Guadiana, desde o século VI a.C.. Não há, contudo, unanimidade quanto à origem destes povos entre os historiadores.


Para outros autores, tratar-se-ia de um povo celta que adaptou costumes e tradições iberas. Estavam organizados em gens, uma espécie de clã familiar que ligava as tribos, embora cada uma destas fosse autónoma, numa espécie de federação. Esta organização social e a sua natural belicosidade permitiram a estes povos resistir tenazmente aos invasores romanos até cerca de 133 a.C., com a queda de Numância.


Deste povo desenvolveram-se, na parte ocidental da península, os lusitanos, considerados pelos historiadores como os antecessores dos portugueses, que viriam ser subjugados ao Império Romano no século II a.C..


Os dados sobre a composição genética dos portugueses apontam para a sua fraca diferenciação interna e base essencialmente continental europeia paleolítica.


É certo que houve processos démicos no Mesolítico (provável ligação ao norte de África) e Neolítico (criando alguma ligação com o Médio Oriente, mas bastante menos do que noutras zonas da Europa), tal como as migrações das Idades do Cobre, Bronze e Ferro contribuíram para a indo-europeização da Península Ibérica (essencialmente uma «celtização»), sem apagar o forte carácter mediterrânico, particularmente a sul e a leste. A romanização, as invasões germânicas, o domínio islâmico mouro, a presença judaica e a escravatura subsariana terão tido igualmente o seu impacto e a sua contribuição démica.


Podem mesmo listar-se todos os povos historicamente mais importantes que por Portugal passaram e/ou ficaram:

  • As culturas pré-indo-europeias da Península Ibérica (como Tartessos e outras anteriores) e seus descendentes (como os cónios, posteriormente «celtizados»);
  • Os protoceltas e celtas (tais como os lusitanos, galaicos, célticos);
  • Alguns poucos fenícios e cartagineses;
  • Romanos;
  • Suevos, búrios e visigodos, bem como alguns vândalos e alanos;
  • Alguns poucos bizantinos;
  • Berberes com alguns árabes e saqaliba (escravos eslavos);
  • Judeus sefarditas;
  • Fluxos menos maciços de migrantes europeus (particularmente da Europa Ocidental)


Todos estes processos populacionais terão deixado a sua marca, ora mais forte, ora só vestigial. Mas a base genética da população relativamente homogénea do território português, como o do resto da Península Ibérica, mantém-se a mesma nos últimos quarenta milénios: os primeiros seres humanos modernos a entrar na Europa Ocidental, os caçadores-recolectores do Paleolítico.

Estudo genético

Um estudo genético pormenorizou as origens geográficas dos antepassados dos actuais portugueses, sendo as seguintes:
  • 50,4% de contribuição ibero-itálica (originária da Europa mediterrânica);
  • 25% de contribuição noroeste-europeia (originária das Ilhas Britânicas. Europa Ocidental ou Escandinávia);
  • 9,1% de contribuição eslava-báltica (originária da Europa do leste e do centro e dos Balcãs);
  • 4,2% de contribuição norte-africana (originária do Magrebe e do deserto do Saara);
  • 2,6% de contribuição árabe (originária da Península Arábica e do nordeste de África);
  • 2,5% de contribuição leste-mediterrânica (originária dos actuais Chipre, Malta e de judeus europeus);
  • 1,2% de contribuição do Chifre de África (actuais Etiópia e Somália);
  • 1,9% de contribuição da Cordilheira do Cáucaso (actuais Rússia, Geórgia, Arménia, Azerbaijão, Irão e Turquia);
  • 1,0% de contribuição urálica (actuais Finlândia, norte da Rússia e montanhas urálicas)
Segundo um outro estudo, dos antepassados dos actuais portugueses:
  • 50% deles eram originários da Península Ibérica. Isso sugere uma origem predominantemente autóctone da população portuguesa, remontando aos primeiros habitantes humanos da Península Ibérica, talvez incluindo povos falantes de língua ibérica que ali chegaram em tempos pré-históricos.
  • 28,9% eram originários dos arredores da região chamada pelos romanos de Gália Belga, que hoje incluem os Estados da Bélgica, Holanda, Luxemburgo, norte de França e sudeste da Grã-Bretanha. Isso sugere uma migração de povos de cultura celta para a Ibéria, que também ocorreu em tempos pré-históricos.
  • 11,2% eram do norte de África, o que pode significar contacto directo com mercadores fenícios e cartaginenses, assim como resultado da invasão muçulmana da Península Ibérica ocorrida na Idade Média.
  • 4,5% eram fenícios, que pode ser resultado da migração de povos que estiveram em contacto directo com eles, como os godos e alanos, de povos do Báltico como os suevos ou dos saqaliba, que eram escravos eslavos trazidos para Portugal durante o domínio islâmico.
  • Outras migrações contribuíram com os restantes 5,4%.
Não existe de facto um consenso, sabendo-se no entanto que Portugal é habitado desde tempos imemoráveis.


Fonte: VORTEXMAG

16 comentários:

Anónimo disse...

A influência judaica é maior do que se pensa. Até existem piadas antigas a respeito, os espanhois costumavam dizer que os portugueses eram todos meio judeus. Ha uma historia engraçada em que o rei de portugal diz ao marques de pombal, que os judeus deveriam usar todos um chapéu amarelo para serem reconhecidos facilmente. No outro dia aparece o marques com 3 chapeus, e o rei pergunta: para que serve isso? Ele respondeu: um chapéu é para mim, outro para si e outro para o inquisidor.

wind disse...

Quando me deram história na primária, era mais a 2ª hipótese.

FireHead disse...

Anónimo,

Isso para muitos é irrelevante. Como o facto de não saber que as famosas alheiras também são de origem judaica. Os anti-semitas portugueses de plantão não devem comer isso, hehe.

FireHead disse...

Wind,

O facto é que, que raio!, os portugueses surgem duma misturada. É a "purice" que muitos gostam de falar.

Anónimo disse...

O recem chegados angolanos ,ciganos e brasileiros pelo visto nao foram computados como tugas.

Iberos se originaram no caucaso , nao no norte da africa,assim como o haplogrupo R1b.

Anónimo disse...

Os anti-semitas de plantão sabem que os judeus são um povo à parte do português.:acclaim:

wind disse...

Temos muitos nomes judaicos.
No meio do meu nome tenho Pereira:)

FireHead disse...

Anónimo das 01:48: não, esses já vieram depois da formação do povo português. Houve um fixismo histórico algures no tempo.

Anónimo das 09:51: daí termos por exemplo um Francisco José Viegas entre a malta...

Wind: sim, mas há sempre quem queira negar à força toda essa herança. Há quem chegou a dizer aqui no blogue, um comentador que já deixou de aparecer aqui há imenso tempo, que no sul há tanta influência moura que até se come caracóis, ao contrário do norte. Mas não sabe ele que para os muçulmanos os caracóis são "haram", ou seja, algo proibido...

Anónimo disse...

"Anónimo das 01:48: não, esses já vieram depois da formação do povo português. Houve um fixismo histórico algures no tempo."

Contraditorio pelo que isto se aplica tambem há judeus,mouros e escravos.

FireHead disse...

«Contraditorio pelo que isto se aplica tambem há judeus,mouros e escravos.»

Não percebeste que eu estava a ser irónico quando falei do fixismo histórico? :)

Anónimo disse...

"Anónimo das 09:51: daí termos por exemplo um Francisco José Viegas entre a malta..."

...judaica.:acclaim:

Anónimo disse...

Pereira um nome judeu.lol

Ó Nuno Alvares Pereira, és judeu, pá!lol

Anónimo disse...

"Anónimo das 01:48: não, esses já vieram depois da formação do povo português. Houve um fixismo histórico algures no tempo."

Epá, não digas isso, que tudo o que está em Portugal é português, mas depois pertencem ao povo cigano, ou ao povo cabo-verdiano, ou ao povo ucraniano, ou etc, mas isso agora não interessa nada, que isto é cada um da sua nação.

FireHead disse...

«...judaica.:acclaim:»

Há muitos portugueses judeus?? :O

FireHead disse...

«Pereira um nome judeu.lol

Ó Nuno Alvares Pereira, és judeu, pá!lol»

Lá porque tem um apelido de origem judaica significa que é judeu? Sabias que a alheira também é de origem judaica? Vê lá se já vais deixar de a comer! De passagem, aproveita para deixar de comer bacalhau porque o bacalhau vem da Noruega, Islândia ou Canadá.

FireHead disse...

«Epá, não digas isso, que tudo o que está em Portugal é português, mas depois pertencem ao povo cigano, ou ao povo cabo-verdiano, ou ao povo ucraniano, ou etc, mas isso agora não interessa nada, que isto é cada um da sua nação.»

Digo, digo, e até digo mais: tu estás confuso. Quem é que te disse que tudo o que está em Portugal é português? Os estrangeiros em Portugal também se tornam portugueses só porque estão em Portugal, é?